Fechando ciclos

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Foto por JTMultimidia em Pexels.com

Com toda essa onda nostálgica que tem acometido muita gente, tem sido quase que catártico pensar em tudo o que fizemos até esse momento de “isolamento (in)voluntário”

Sinto, depois de tantos dias só comigo mesma, que este é um fechamento de ciclo.

E a epifania não vem depois de meses estudando com os monges budistas, mas vendo uma novela que comecei há anos (um dos muitos itens entre filmes, novelas e outras produções que eu comecei e larguei ao longo dos anos). Quando meus sonhos eram grandes e a idade, em numeração, menor.

E o que sempre carreguei como a tristeza por ter deixado aquela menina decepcionada se tonou a constatação de que não foi tempo perdido, como diria Legião Urbana.

Alguns sonhos foram adiados, outros guardados em caixinhas de lembrança. O problema não foi o que deixei de fazer, foi não ter me adaptado à nova realidade para que pudesse criar outras oportunidades, um novo eu.

Pensando e matutando sozinha em minha mente, ao terminar coisas que há tento tempo comecei, percebo que estou encerrando um ciclo para aquela pessoa. Dando um final digno para uma série que teve sua temporada encurtada, por qualquer que tenha sido o motivo.

Percebo que nada foi em vão. E que não me arrependo de nenhuma decisão. Tudo o que eu escolhi, os passos que dados, foram importantes e me levaram até onde eu precisava chegar.

E a decepção que carregava, era obra da minha cabeça que ficou parada na mente daquela garota cheia de sonhos. Ela esqueceu de crescer junto comigo.

A evolução segue como a caminhada, no ritmo e na capacidade das nossas pernas. Os passos são dados e a agilidade depende do quanto conseguimos andar ou correr. Por isso, não podemos nos basear nos passos alheios. São as nossas pernas que dão o ritmo. E as minhas pernas, ainda que curtam, tem feito um excelente trabalho até aqui.

E nessa jornada, com pedras no caminho, ladeiras e tudo mais, só levo amor e aprendizado, com os erros e acertos, as pessoas que eu conheci, o que vivi e quem me tornei.

Nostalgicamente, vou encerrar esse ciclo, com todos os episódios que faltam e guardar no coração esses personagens da ficção e a personagem que um dia fui. Que agora não sou mais eu, mas que me sempre fará parte de mim.

Agradeço por me acompanhar e estou orgulhosa de quem fui e ansiosa para saber quem serei daqui para frente.

Amizades pelo caminho

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Foto por Belle Co em Pexels.com

A vida segue.

Isso é fato. Quando menos esperamos, percebemos que ela passou correndo pela gente. Tipo o Sonic. Nem deu tempo de perceber, tamanha agilidade de suas perninhas de dias, horas e segundos contados no grande relógio da nossa existência.

São tantas fases, emoções, vivências… e, é claro, pessoas! Aqueles que encontramos no meio do caminho tortuoso de desenvolvimento e evolução. Gente que nos ajuda a superar desafios, que acompanha na dor e na alegria.

Tantas  pessoas especiais que nem cabem nas poucas linhas desse texto, mas sempre terão espaço dentro do coração! Porque foram importantes à época e serão para sempre.

Infelizmente, alguns grandes amigos, melhores até (como dizíamos na infância e adolescência, principalmente), acabam não seguindo conosco. Escolhas, necessidades ou quaisquer outros fatores são responsáveis pelo distanciamento.

Ainda que vivamos em um mundo de contatos ágeis, conexão e internet, muitas coisas mudam. Os laços se transformam. Mas não retornam como antes. Amigos inseparáveis se tornam somente conhecidos dentro daquela rede social.

Mas também existem casos daqueles que se reencontram e vivem novamente a glória da amizade como se nenhum segundo tivesse passado. Não podemos descartar esses casos! E, se um dia quiser retornar o contato, por que não tentar/? Pode se surpreender.

De qualquer maneira, é saudável entender que o fim de relações, amor ou amizade, pode ser doloroso, mas é natural entre os ciclos da vida. E, ao invés de pensar naquilo que não temos mais, que tal agradecermos pelos momentos compartilhados?

Gratidão pelas risadas, pelo companheirismo. Os abraços, os sorrisos, as conversas.

Da experiência que tivemos, devemos levar o melhor. Fechar cada etapa com chave de ouro. Se houve alguma briga que não faz mais sentido, desapegue. Perdoe. Não leve para frente um sentimento ruim.

Faça as pazes com a pressão de ter um milhão de amigos e que eles sejam da infância à velhice. Algumas pessoas têm isso. Outras não. Paremos de embasar a sua existência a partir do outro.

Adoramos manter nossos humanos amados por perto. Mas, na eventualidade da separação, não se preocupe, as boas lembranças nunca vão embora.

Se tem algum arrependimento que possa ser corrigido, não deixe para amanhã. Mas entenda que nem tudo é sua responsabilidade e o fim de algo pode ser só o caminho correto a se seguir.

Seja feliz e emane felicidade a quem um dia esteve com você. Porque foi especial e nada vai mudar isso.

Aos amigos que não tenho mais. Pela distância, pelos mudanças de sentido, pelo crescimento destoante ou só perda de contato pelo tempo: obrigada. Nenhum será esquecido e ficarei contente se reencontrá-los em algum momento da trajetória.

Peço desculpas a todos aqueles cujo contato foi perdido por negligência, por não dispor tempo ou atenção para cuidar desse vínculo. Espero que possam conservar o mesmo afeto que eu pela fase em que estivemos unidos.

Sou grata por colaborarem para que eu me tornasse quem eu sou.

Quem ainda está por aqui. Agradeço imensamente pela parceria e que os bons ventos nos levem até onde precisamos ir!

Como diz a música, cêis tão guardados no lado esquerdo do peito. TODOS VOCÊS.

Mar de Emoções

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Tem horas que a gente precisa mesmo só aceitar aquela onda de ansiedade que vem. Que bate como se fosse uma rocha sendo atacada na encosta do mar.

Ainda que o nosso equilíbrio mental se torne a areia que nos cerca, assim como uma bela praia, não deve servir como pequenos pedaços de tristeza, mas como um bloco de material no qual pode-se construir lindos castelos.

A areia da nossa mente se junta para criar a base onde vamos nos sentar e apreciar o mar das nossas emoções.

Com o seu ecossistema próprio. E tem tanta coisa pode ser encontrada lá no fundo do mar.

Igual a nossa mente…

Tem tanta coisa lá dentro que precisamos conhecer, desafundar, estudar.

Mas, assim como na água, devemos ir com calma. Para não nos afogarmos nas mágoas ou ficar sem ar somente confiando no quanto podemos aguentar sem ar.

Devemos respeitar esse ambiente, entender que muitas coisas não podem ser decifradas. Aprender a amar mesmo assim.

Porque não importa se estiver revolto ou calmo. Sempre será um lugar lindo. Cheio de possibilidades, recordações maravilhosas e muito amor.

Por isso, não desmereça os seus maremotos, nem subestime o seu mar de emoções. Somente aceite. Mantenha a distância quando necessário.

E, se possível, aprenda a surfar naquelas em que tiver mais confiança.

Se não souber nadar, encontre um profissional que te ajudará a entrar nessas águas sem se afogar. Nunca é tarde para aprender!

Somos 70% água, né? Então, bora colocar o nosso barquinho para navegar e descobrir novos horizontes que ainda estão escondidos nesse mundo líquido.

Foto por Ricardo Esquivel em Pexels.com

Página Vazia

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Encaro a tela.

Busco as letras tentado formar palavras, frases, parágrafos.

Entre vogais e consoantes, procuro um som que ecoe na minha cabeça e se transforme em algo que faça sentido.

Sílabas não se conectam, expressões não se formam.

Um bloqueio que invade o corpo todo, trava as minhas mãos.

A falta de foco que me impede de transformar qualquer pensamento em uma linha de texto.

Buscando entre os nós da minha própria mente um caminho que me leve de volta até a fonte de inspiração. Que me ajude a retornar às raízes da criação.

Mas a tela em branco está vazia e cheia ao mesmo tempo.

Sem nada escrito, mas com tanta coisa subentendida.

Meus medos, minhas frustrações, minhas angústias.

Não conseguir me expressar é o mesmo que estar presa em minha própria existência.

A página vazia traz um silêncio ensurdecedor das minhas próprias ideias, amuadas, encolhidas em um canto sem saber quando poderão ver a luz do dia.

Em dias bons, ela é um mar de infinitas possibilidades.

Hoje é uma ilha de isolamento, que não me deixa encontrar a saída no fim de um horizonte infinito de água e solidão.

E, ainda que enfrentá-la me cause pavor. O melhor a fazer é seguir, escrever, lutar contra ela.

Tentar vencê-la pelo cansaço. E é isso que eu vou fazer.

Digitar até que a tela em branco se torne uma quadro com a pintura de caracteres da minha escrita.

Até que as vozes gritando sejam ecos de comemoração de todos as histórias que enxergam, pelo buraco  da fechadura, a chave chegando.

Sim, tem dias em que não dá nem pra formar uma frase com facilidade. Que é preciso arrancar cada letra pela ponta dos dedos.

Mas, mesmo assim, chego até o fim da página. E pronto.

E ponto final.

Pela milésima vez…

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… começo uma postagem do blog.

Que um dia já foi tumblr (e ele ainda tá aí, compartilhando tudo o que é publicado nessa plataforma).

Foram mil vezes que uma frase foi iniciada, uma citação inserida (e provavelmente repetida, porque a memória não é das melhores, né?), uma resenha publicada, umas lista produzida.

Se colocasse em uma timeline as postagens, daria um pouco mais de dois anos e meio.

Mas não foi bem assim que a banda tocou nos últimos tempos. Inclusive, já teria batido essa marca.

São 5 anos de idade, com data de nascimento indicando que o Sol é em Peixes (por pouco ele não nasce ariano, mas não combinaria com o jeitinho avoado dele).

Alguns dias não tiveram suas citações. Algumas resenhas nunca ganharam seu espaço ao sol.

Por um tempo, ficou num cantinho do coração, juntando pó e pedindo para retornar, quanto os livros seguiam julgando essa que vos escreve para que tivessem seu espaço de destaque no mundo virtual.

Como blog, ganhou vida novamente depois de uma lampejo de inspiração no Dia do Livro de 2019.

A aspirante a escritora sacudiu a leitora e deu um choque com desfibrilador nessas postagens que estavam há anos largadas. (E foram alguns anos, tipo, metade do tempo de vida do Notas da Leitora…)

As crônicas começaram, essa sessão de terapia virtual e coletiva que todas as terças aparece por aqui.

Basicamente elas puxaram a corda da pipoca (muito carnavalesca eu…) das publicações e foram a chama que trouxe de volta o movimento aqui. E, desde então, com altos e baixos, correrias, revisões suspeitas, pedidos de leitura de última hora para as pessoas próximas e muitos livros curtos que têm sido a minha salvação, quase todos os segmentos originais voltaram.

A milésima postagem é como o gol mil. Partindo daquele pressuposto de que todas elas foram certeiras. (sei que sempre tem aquela resenha particularmente de quinta ou uma nota que não deu tão certo).

Mas cada uma delas foi um degrauzinho que trouxe a gente até aqui. E eu não mudaria uma vírgula (tá, se reler e estiver errado, até mudo. HAHAHAHA).

Em 5 anos, mil publicações. Que venham muitas mais. E que não demorem a chegar. Porque tem coisa nova no caminho, muitos rascunhos e ideias esperando pelos olhos atentos de quem lê.

Seja uma pessoa ou milhares, agradeço a cada um. A leitura de vocês faz com que seja muito mais legal toda essa experiência de blogueira. (até parece a famosinha, aguardando os recebidos).

Por muito tempo, achei (e tinha quase certeza) de que estava falando sozinha com as paredes do meu próprio mundo fantasioso e literário, uma Alice perdida em seu País das Maravilhas.

Aí vejo uma visualização nova (que não é minha clicando sem querer no link que eu tô copiando pro instagram – aliás, segue lá notasdaleitora) e sinto que há alguém em algum lugar lendo e, eu espero, se sentindo cativado por essas linhas confusas que eu escrevo, ouvindo uma das músicas da playlist ou lendo um livro que resenhei…

Então, pela milésima vez, humanos, espero que tenha curtido. A crônica de hoje é mais uma carta aberta e comemorativa por todos esses anos de existência semi-escondida nos cafundós dos blogs literários, mas que tem sido muito maravilhosos. (principalmente agora que voltaram com a regularidade que merecem).

Sinto-me contemplada pelo que pude compartilhar e criar a cada nova página ou post em branco que eu abri. E por ter esse marco histórico do blog.

Um dia vou poder olhar pra trás e pensar, com orgulho, que deixei uma marquinha no mundo digital (redes sociais antigas e aquele fotologs da adolescência que já foram devidamente apagados não contam. HAHAHAHAHA)

Esses mil, que foram, para mim, um milênio da minha vida de escrita online são só o começo. Bora que, agora que abriu a portinha da digitação criativa, não vai mais parar!

Até a próxima!

Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com

 

 

Embrace the surtadinha

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Vamos admitir aqui.

Na frente de todos. Sem ter constrangimento.

Tem horas que precisamos dar uma surtadinha, né? Xingar aquela quina. Reclamar cas paredes. Chorar no chuveiro.

Seja numa situação atípica como a atual ou em dias comuns, que sempre estão carregados de possibilidades de desequilíbrio emocional, precisamos liberar algumas energias estranhas que ficam acumuladas dentro da gente.

Não precisa ter vergonha. Acontece com os melhores de nós. Precisamos tirar do nosso sistema. Bodear, se necessário. Ficar em posição fetal ouvindo uma banda emo dos anos 2000.

Por isso, jovem Padawan, “keep calm and embrace the surtadinha”! Pode dar uma reclamadona, chamar um amigo para desabafar sobre algo que está te atormentando ou buscar ajuda de um profissional.

Não estou dizendo pra sair por aí chutando tudo e todos. Espero que encontre algum adulto responsável para te ajudar antes que chegue a um ponto crítico.

Mas digo que é normal ter dias difíceis em que tá mesmo no modo zero paciência, surtando com qualquer caneta fora do lugar e querendo jogar todos os papéis para cima.

O negócio é como lidamos com todo isso. Aceitando que é uma parte natural da gente, é mais fácil de transformar tudo isso numa bolinha de energia negativa que vamos mandar para longe como um balão de gás hélio!

Cê não é o primeiro e não será o último a ter alguma crise de irritabilidade. E, saiba, sempre tem alguém pra dar aquele apoio moral. (Mas se sentir que está saindo do controle, não se sinta acanhado e peça ajuda!! Tudo pode ficar melhor!!)

A vida não é fácil, gente. Não precisamos fingir que tudo é um mar de rosas, né? É isso que torna a trajetória desafiadora e instigante!

Vamos aceitar que é complicado mesmo e seguir em frente. Uma surtadinha de cada vez!

Foto por Atul Choudhary em Pexels.com

Nerdice com orgulho

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(√) Óculos
(√) Timidez
(√) Tendência às boas notas (às vezes só dava sorte – não em Exatas)
(√) Apreço por livros, desenhos, mangás (mesmo sem ter lido tantos) e filmes de heróis e STAR WARS – que merece estar em caixa alta.
(√) Preferência por se manter em casa a ir pro rolê.

Issaê, gente. Não tinha como o famoso carimbo da nerdice não me marcar bem no MEIO DA TESTA.

Ainda que nerds sejam como as nuvens (e o resto das pessoas), cada um do seu jeitinho único e especial. E que, hoje em dia, a linha se embaralhou e o nerd e o geek morfaram de alguma maneira como um megazord de cultura pop. Ser taxada como parte dessa comunidade não é mais o que era antes.

Do pejorativo CDF ao isolamento social (mais visto em filmes americanos), os nerds tiveram a sua virada e conseguiram galgar seu espaço dentro do universo compartilhado que chamamos de vida real.

O que um dia foi vergonhoso: problemas de visão, aparelho odontológico, jogos de videogame e RPG, nos dias atuais, ganha espaço no cotidiano de muitos que nunca tiveram o pé na nerdice. Aliás, é tanto sucesso que tem um evento enorme dedicado a muita coisa que enche de quentura o coração dos nerds!

Mesmo que esse ano não seja possível fazer aquele seu cospobre do Jon Snow, foi maravilhoso ouvir o Gollum interpretando O Hobbit por horas numa live, né #nerdicemodeon.

Sempre querendo todos os tipos de poderes, sonhando com as maiores aventuras, desejando os finais mais épicos e (às vezes, discutindo como lunáticos por alguma especificidade de um mundo fictício – vamos manter a calma, ferinhas), os nerds podem curtir o fim de uma era de empurrões e subcategorização.

Seus conhecimentos, até os aleatórios, são valorizados. E, ainda que não tenham dominado o mundo, com certeza, algum mundo online eles já conquistaram.

Nunca me enxerguei como parte desse grupo, mas muita gente me enquadrou nele. E sabe o que eu acho? Tô é feliz. E orgulhosa. Eu e meus produtos licenciados de Star Wars saludamos todos os colegas que levam suas toalhas dentro da mochila, desbravando a galáxia.

Então, gente, sejam vocês mesmo. Orgulhem-se (na nerdice alta ou baixa). Nunca deixem que alguns rótulos sejam pejorativos e sejam felizes com as suas escolhas. (e se leram o livro, não deem spoiler para os amigos, por gentileza).

Para todos os meus nerds queridos, que essa semana comemorativa venha cheia de livros de fantasia, música, RPG, camisetas de personagens e jogos de tabuleiros e videogames e muito mais!

Abraço.zip

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Queria que estivesse aqui do meu lado.

A uns centímetros de distância, com os abraços abertos, esperando que eu me encaixasse nesse que é o melhor lugar do mundo.

Apoiada em seu peito eu choraria as pitagas sobre como o trabalho anda complicado ou aquele filmes que eu adorei. Ou somente te obrigaria a me dizer como foi o seu dia (mesmo que você insista que foi a mesma coisa do anterior, sem novidades).

Quero saber de tudo, manter a conversa, para ter a sua presença ao meu lado. Aproveitar todo o amor que cabe nesse pequeno gesto.

Aproveitar esse carinho sem pensar em inimigo invisível ou na máscara que eu vou ter que usar da próxima vez que a gente estiver junto.

Nem como a minha neurose vai me impedir de te abraçar por muitos segundos, E me fará correr para o banho.

Alguns dias eu choro de ansiedade pensando que por uma fatalidade da vida eu poderia nunca mais ter a chance de te abraçar. Isso acaba comigo. As lágrimas rolam enquanto escondo o meu medo embaixo do chuveiro.

Mas hoje, na semana em que comemoramos o dia do abraço, eu quero mandar uma versão.zip para você (ou melhor, vocês). As pessoas que eu amo e não posso me aproximar no momento.

Para quem eu convivo sempre ou aqueles que consigo ver a cada ano bissexto por causa das agendas complicadas, os relacionamentos que ocupam tempo ou qualquer outra questão logística.

Que o calor desse gesto tão simples, mas cheio de sentimentos, seja levado até a sua casa, pela transmissão de energia boa que voa pelo mundo como se fossem agraciados pelo pó mágico da Sininho.

Para quem eu não conheço, para quem está só (não importa a razão) ou os que não podem se aproximar dos entes queridos, mas que estão precisando de um afago, espero que também possam sentir o enlace zipado enviado com muito carinho

E espero que nunca mais nos privemos desse ato. Se sentir vontade de oferecer uma abraço a alguém, fale. Não passe vontade. Nunca se sabe o dia de amanhã.

Se puder, envolva nesse maravilhoso gesto quem está ao seu lado. Agradeça pela companhia. Aproveite a oportunidade de ter alguém com você.

Desejo que no próximo Dia do Abraço, todos possamos celebrar com muitos e muitos (sem ser zip). Apertado, afetuosos. De chegadas ou despedidas, de amigos, família ou apaixonados, que sejam sinceros e amorosos.

 

Foto por Pixabay em Pexels.com

Nostalgia à flor da pele

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Em tempos de isolamento, momentos em que estamos,muitas vezes sós com os nossos próprios pensamentos, a mente passeia, vaga e busca algum lugar para aterrissar.

Nesses dias de reclusão voluntária, não é difícil de notar uma onda nostálgica que nos leva no mar de lembranças durante esse período.

Me vi como a jovem que tinha grandes sonhos com sua escrita e produções audiovisuais. Além de uma viagem para conhecer a terra de sua maior “ídola”.

Encontrei com uma pessoa que não reconheci. Que tinha medo, mas não deixava que ele a paralisasse (tá, deixava, mas não com a frequência).

Os traços ainda são os mesmos, a altura também. O coração um pouco mais peludo. A mente um pouco mais embaralhada.

E um sentimento que sempre esteve lá. Um que cresceu ao longo do tempo. A nostalgia por aquilo que eu nunca vivi. Combinado com a sensação de tempo perdido. Como se fosse tarde demais para começar algo.

E a cada ano que passou, aceitei essa verdade. E agora vejo como isso minou a minha persona do passado.

Outras pessoas têm reações diferentes à situação. Lembram os tempos antigos como áureos. Os melhores. Sem defeitos.

Sentem falta de tudo e de todos, de cada rua que andaram, aos amigos que ficaram para trás ou os programas que não passam mais na TV.

Tem gente que prefere nem lembrar do que ficou lá longe. Mas não esquecem no “passado recente”, das socializações, dos amigos, amores e familiares que estão presentes somente através das frias telas de seus smartphones e computadores.

Estar somente com a nossa memória, presos 24 horas à saudade (do passado, passado semi-presente ou futuro), deixa qualquer nostalgia, como diziam os jovens, no talo! (tradução: no nível máximo).

Nossos quadradinhos de afastamento (bem privilegiados, inclusive) nos deixam com a vida passando em um loop da retrospectiva do final do ano. Separando episódios a cada dia.

Mas, se tivermos sorte, em um segundo de epifania gerada pela overdose de nostalgia (e depois de algumas sessões de choro e hiperventilação) vem a vontade de ser mais que isso. De mostrar para o passado que não estamos totalmente perdidos e, para o futuro, que ainda tem chão para percorrer.

Em um lampejo de coerência, vindo a partir de um vórtice nostálgico musical, lembrei de quem era (e de quem almeja ser). Dos medos que eu tinha (e os que eu não tinha) e alinhei tudo na “cama da mente”, tipo quando vamos arrumar a mala viajar.

Nesse momento, a única solução que me parece viável é selecionar aquilo que vai para a bagagem. O que será levado quando atravessar o portal dessa pandemia!

Ainda que o melhor de nós (ou da vida) pareça ter ficado em algum lugar no tempo, porque não podemos tentar de novo, criar novas oportunidades de ter as mesmas alegrias, os mesmo sonhos?

Não dá para ser completamente igual. (E tá tudo bem, lembre-se que o véu da lembrança deixa a realidade embaçada). Mas podemos erguer a cabeça e fazer um esforço para ter mais momentos como aqueles que tanto recordamos e sentimos falta.

Se não tem o desenho da infância, que bom que você pode ver as reprises. Se algumas pessoas já se foram, ainda bem que pudemos ter a chance de conviver com elas pela tempo que foi possível. Se perdemos algumas chances, porque não aprender com o que errados e tentar de novo assim que pudermos?

Enquanto houver casa pra andar no Jogo da Vida, a gente vai jogar esses dados. Algumas escolhas serão eternas pedras no nosso sapato. Decisões erradas acabam voltando para nos atormentar. Alguns monstros são mais difíceis mesmo de mandar embora.

Como a Katia já cantou, não está sendo fácil. Mas vamos conseguir superar.

A nostalgia pode ser a nossa âncora, mas não para nos afundar no meio do mar! Ela tem a enorme capacidade de nos manter seguros no porto enquanto aproveitamos ciclos de retiros para reorganização das ideias.Vamos utilizá-la da melhor maneira que encontrarmos! Que ela nos alce e não nos submerja!

Foto por Leah Kelley em Pexels.com

 

O fantasma do fracasso

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Existem dias em que somos acometidos por um abraço triste do fracasso.

E parece uma assombração que fica nos perseguindo o tempo todo. Ainda que tentemos pensar em outras coisas, nos distrair.

É só dar uma bobeada e lá está ele novamente: o fantasma do fracasso.

Como se o nosso corpo tivesse uma nova aura bodeada jogando peso nos ombros e lembranças na cabeça.

Trazendo a pressão de tudo aquilo que você devia ter feito. E não fez.

As escolhas realizadas, decisões que tomou. E errou.

Como se fosse a retrospectiva de final de ano, só com os vacilos. Tudo vem à tona.

Nem sempre como um filme em sua mente, as vezes só com o peso de um sentimento terrível.

De ver o que poderia ter feito. A nostalgia por tudo aquilo que não viveu.

A vontade de chorar por todo o tempo que perdeu. (Enquanto perde mais tempo chorando por isso…)

Sua mente termina num vórtice, numa eterna competição entre as suas “realizações” e  as de outras pessoas. Comparando os feitos de gente da sua idade, familiares, amigos.

Sentindo como se a derrota iminente finalmente chegou. O prazo esgotou.  A prova acabou e a folha tá toda em branco.

Então surge a vontade de se esconder, ficar enrolado em posição fetal bate forte. Tira as forças. Impede que os pensamentos seja coerentes.

Você perde a vontade de tentar, de seguir em frente. Como se o jogo tivesse terminado.

…………………………………………………………………………………………………………….     será o fim da linha?

Não, jovem padawan! Não é o fim de nada não!

Mas que bobagem, Sr. Fracasso. Vá carpir um lote e largue das pessoas.

Isso aqui não é uma competição, é a vida.

Você pode conquistar o sonho hoje, amanhã. Ou talvez nunca, pode ser que o sonho mude, se adapte ou se recrie a cada segundo!

Somos seres mutáveis e nos transformamos todos os dias. Porque raios devemos nos prender a algo tão vazio como expectativas?

Cada um tem a sua jornada, o seu processo. Alguns levam mais tempo, outros chegam mais rápido a certos pontos.

Mas a linha final é a mesma!

Infelizmente, não sabemos o tempo da corrida. Então, vamos aproveitar cada centímetro conquistado.

Todo suor, lágrimas e luta serão válidos. Porque nos levará até onde devemos ir. (ainda que a gente não saiba aonde isso é!)

Não vamos desperdiçar momentos preciosos porque queremos desistir, achando que perdermos a oportunidade.

Como diz a música: Ninguém é igual a ninguém.

E como diz a sua matriarca, provavelmente:  VOCÊ NÃO É TODO MUNDO.

Se a pessoa ao lado chegou a um ponto que você gostaria, tente pensar naquilo que você precisa fazer para conquistar o que deseja.

Veja se não está se autossabotando. Será que está negligenciando seus sonhos?

Está correndo atrás do que ama? Ou está esperando que tudo caia no seu colo?

Aceitou o fantasma do fracasso como companheiro e se manteve plantado como um árvore? (Aí cê não colabora também, né?)

A assombração da derrota engole a nossa mente a partir do momento em que achamos que nosso esforço não vale a pena, que não temos capacidade.

Não deixa ele te agarrar e te afundar na areia movediça do medo!

O sentimento é terrível e cê merece mais do que isso. Todo mundo merece!

Caça-fantasma nele e #VamoQueVamo

Tira o lençol dessa aparição do Scooby Doo que e sua cabeça deixou entrar aí!

Ajuda o universo a te ajudar!. Nada vai acontecer se não der o primeiro (e o segundo e o terceiro passo). Vamos conservar as forças para as batalhas reais.

Deixa o fracasso fracassar na tentativa de te rebaixar.

Foto por Dương Nhân em Pexels.com