Criatividade com prazo de validade

Tenho medo de um dia não conseguir escrever. De ter secado completamente completamente a suposta fonte de criatividade que me permite expressar sentimentos através de textos e sentenças por aí.

Em alguns momentos, encarar a página em branco sem ter uma frase sequer para inserir parece uma batalha. Como se houvesse um monstro a ser derrotado. E ele vive dentro de mim.

Causando ansiedade por, naqueles instantes, minha mente ser incapaz de encontrar os sinônimos, os verbos, os conectivos.

De lembrar qual era a conjugação correta e “será que um dia todas as ideias acabam, que nem um rolo de papel que em algum momento termina”.

E, quando chegar essa hora, a festa acaba. A bagunça na minha cabeça, que traz grande parte da inspiração, não será mais responsável pelo fluxo de linhas curtas e frases, muitas vezes, confusas e sarcásticos que se transformam em textos.

É uma aflição imensa de me perder numa eterna rouquidão da voz literária que, egocentricamente, imagino ter.

De que a capacidade de escrever seja como um produto perecível que um dia vai vencer.

Por isso, às vezes negligencio o precioso sono para escrever um rascunho de crônica. (Que pode ser essencial… ou não)

Encho papéis por aí com frases desconexas, opções de enredo, lampejos de iluminação.

Desejando que esse treino diário me impeça de perder a única ferramenta que alivia meus temores.

E uma palavra de cada vez, alivio a tensão e desejo viver num mundo em que nunca falte tinta na caneta, grafite na lapiseira, bateria no celular e novas ideias na cabeça .

Porque enquanto houver vida, a criatividade nunca perderá a validade.

Obrigada por não ser obrigad@

… a me aceitar do jeito que sou, mas fazer isso mesmo assim.

Dando apoio quando eu pareço completamente perdida, acolhendo a minha versão mais bodeada e não implicando com todas as neuras.

Obrigada por não ser obrigad@ a me ouvir reclamando, chorando, cantando ou espernenando…

Mas mesmo assim, não fugir quando aparece aquela música externamente suspeita no meio da playlist ou só assentir para as milhares de frases aleatórias sobre colegas desconhecidos que fizeram coisas avulsas.

Por sempre ter conselhos, sabedoria ou somente lencinhos de papel e um snack para acabar com o choro ou tristeza súbita.

E também por não compactuar com algumas versões extremamente críticas e tóxicas. Mantendo meu equilíbrio e minha melhor versão sempre atualizada.

Só gratidão por aqueles que não têm obrigação nenhuma em entender os surtos de ansiedade, as noites mal dormidas e as vontades esquisitas…

… mas seguem abraçando todas as partezinhas que juntas formam o nosso todo.

E que nunca se negam a oferecer amor, abraços e compreensão. (Às vezes debates, mas sempre para chegar a um novo consenso).

Sejam humanos, animais ou inanimados… só agradecimento e fofura por todos que nos mantém são.

Na alegria.

Na tristeza.

Na pandemia.

Online e offline.

A qualquer hora do dia, noite. Seja útil, fim de semana ou horário comercial.

Obrigada por não serem obrigad@, mas amarem meu melhor (e até o pior) mesmo assim.

Recomeço

Dar novamente os primeiros passos. Em direção ao desconhecido ou ao excessivamente conhecido.

Mas, como saber a hora de mudar de rota ou se é válido seguir na mesma?

Os caminhos se repetem, tudo no piloto automático. Para onde os pés, os pneus e mente estão familiarizados.

O que fazer quando o destino já não traz surpresas? Como lidar com a rotina causa tristeza e ansiedade?

Dá pra desligar a máquina que movimenta as nossas escolhas?

A boa notícia é que, sim. É possível. Você é o motor dessa geringonça! Deixar de ser levado e começar uma nova rota.

Existem formas mais simples ou as drásticas. Cada um no seu tempo. Respeitando seus resultados e as consequências, e, ainda assim, saindo da zona de conforto.

Vai dar um baita medo a todo momento? SIM

E virá a vontade de retornar aos braços conhecidos do acomodamento? CLARO.

Essa volta vai ser a escolha certa? Às vezes sim, nunca se sabe. E tá tudo bem!

E valerá a pena tentar? Óbvio!!

A vida é o que fazemos dela. A forma de lidar com as situações e as decisões tomadas. E tudo o que vem a partir de cada escolha.

Decidir ir em frente ou se manter no lugar não é fácil. A qualquer opção é certa contanto que seja algo que alivie a infelicidade e a insatisfação.

E se mudar for necessário, não se acanhe em reiniciar tudo! Pedir ajuda, abraçar a vulnerabilidade e compartilhar a necessidade de novas trajetórias. Quem te ama vai acompanhar as aventuras, torcer e apoiar.

Também não há vergonha em desistir de algo para tentar a sorte em outra coisa. Sonhos podem se transformar. Triste seria não tentar novamente por medo.

Então, saiba, é normal recomeçar, ajeitar as peças no tabuleiro e começar um novo jogo!

Bora respirar fundo, erguer a cabeça e buscar o que deseja!

2020 se despede

2020 foi aquele ano em que tudo parou. Nada do que foi planejado para muita gente deu certo. Aliás, muita coisa deu errado.

E NUNCA pensamos que algo assim fosse possível.

O ano teve as suas questões, problemas (e ainda tá com bastante coisa por aí). Só que o ponto é: 2020 tá terminando e o que conseguimos aprender com ele?

Numa crise mundial, pandemia, nos vimos isolados dentro das casas, em nossas mentes. Com medo, confusos.

Aqueles que puderam, tornaram o home office uma realidade. Já outros, foram pra linha de frente.

Muitos heróis sem capa foram à luta para manter a roda girando, o mundo acontecendo. Cuidando das vidas.

Para eles, só gratidão. Aos que deram suas vidas pelos outros, que essa bondade seja emanada para sempre, como símbolo de amor e exemplo a todos.

Àqueles que desacreditaram, que desrespeitaram. Torço para uma súbita consciência. Que entendam o que muitos sacrificaram.

Desejo que 2020, com suas dificuldades, perdas terríveis, sofrimento e dor deixe também um legado de empatia e esperança pelo melhor. Que a gente possa ser grato pelo que temos, as pessoas que estiveram ao nosso lado. Aos que não puderam estar fisicamente juntos, mas estiveram presentes nos corações e nas infinitas videochamadas.

Agradeço a cada um que lutou e segue na batalha para vencermos o mal invisível, seja na forma de doença ou na falta de humanidade e compaixão que às vezes nos ataca.

Esse ano, muitas coisas ficaram em stand by, outras foram completamente perdidas, mas teve tanta vitória também. Desejo um 2021 de novas oportunidades e reconstrução. De força e coragem pra seguir em frente.

Não foi fácil, segue sendo um caminho complicado de lágrimas e derrotas, mas também de superação e reinvenções.

E juntos, podemos vencer. Pensando no bem do próximo, ajudando uns aos outros.

Com amor e sabedoria. Respeito e união. Parece utópico, mas só assim passaremos por isso.

2020 se foi. Nunca mais seremos os mesmos. E o que vamos levar dele?

Já guardei meus aprendizados. As cicatrizes estão aqui também. Cada parte, boa ou ruim, vai acompanhar a trajetória daqui pra frente.

Cada um decide o que cabe na bagagem. Já fiz a minha mala pro próximo ano.

E você, o que vai levar?

Eu, eu mesma e minhas neuras

Tem uns dias complicados. Que fazem a gente se esforçar pra manter o equilíbrio.

Pra não jogar tudo por alto. Ficar num cantinho chorando.

Umas horas em que os monstrinhos que vivem na nossa cabeça começam um Carnaval fora de época.

Fazem todo o barulho possível. Impossibilitam os pensamentos de seguirem uma trajetória linear.

E nos caminhos enrolados, as neuras aproveitam essa bagunça e invadem todos os espaços livres entre as curvas  descompensadas da mente.

Se aproveitam de um grão de areia de confusão e montam a praia inteira. Com banhistas falando, ambulantes vendendo.

Toda aquela aglomeração mental. Que, na verdade, só tem uma pessoa envolvida. Mas são tantos personagens que parece que a casa tá cheia.

Abandonada à deriva da mente, com as neuroses falantes. O que se sente é medo. Um frio na nuca. Arrepios.

De um lado ouço julgamentos sobre todas as escolhas. De outro medos e tensões sobre qualquer erro cometido ou possibilidade de erro futuro.

Medos irracionais. Coisas que fazem sentido, mas que não deveriam passar na timeline mental. Outras que só servem pra ruminação nada saudável.

Ai surge a vontade de virar uma bolinha chorona na ponta da cama e, se possível, desaparecer do mundo até que tudo se resolva.

Mas não há como fugir de si. E de todos os inquilinos da terra da ansiedade.

Sem fórmula mágica, o jeito é tentar silenciar, nem que seja um minuto, todas as bobagens ditas.

Não é fácil travar uma batalha quando o oponente conhece todas as suas estratégias, mas não dá pra desistir.

Uma pequena vitória por dia já vale muito. Lutando pra um dia, só ter “eu” dando pitaco na minha cabeça.

Ideia relâmpago

Quem aí também sofre com esse problema? Aquele inspiração que chega sem avisar e nos pega desprevenidos.

Sem um pedaço de papel ou celular próximos o suficiente para anotarmos a ideia brilhante.

Aquele sonho que poderia facilmente se transfrmar em um filme.

Um pensamento altamente criativo, uma solução a resposta para a pergunta universal.

Ou a epifania no chuveiro daquela resposta que você poderia dar para a pessoa inconveniente.

Talvez somente, um sprint de boas opções para mudar a sua vida e evoluir que chega assim que você coloca a cabeça no travesseiro e não sabes se é melhor colocar tudo em algum lugar ou dormir. Aí cê perde o sono e não anota nada.

Pior ainda, quando só vem às vezes e cê passa metade do tempo zumbi e a outra metade super criativa…

Como equilibrar?

Do que se alimenta?

Aonde vive?

Onde vivem?

Não faço a menor ideia.

Seria tão prático organizar o dia com “a hora de produzir muito, com todos os materiais disponíveis para que nenhuma ideia genial seja perdida”.

Mas, como não vivemos em um mundo perfeito e hipotético, algumas coisas fatalmente vão ficar para trás.

Devemos seguir a mesma premissa dos amores. Se for para dar certo, deixe-o ir. Caso volte, é porque estava predestinado.

Deixe as ideias passaram. Não se martirize por perder o momento.

Só que, para garantir, não esqueça de ter sempre um bloquinho, um lápis, celular carregado. Aí as chances de perda são menores.

E, se mesmo assim sumirem algumas, pense que poderia ser algo ruim e esse foi o seu livramento da ideia zuada.

De qualquer forma, aproveite os surtos criativos. Deixe a imaginação rolar e desapegue do que ficar por aí

Aconchego sonolento

Às vezes eu gosto de ficar só observando você dormir.

O subir e descer da sua respiração traz uma paz. Ao saber que está tranquilamente descansando. Reativando as energias.

Em segurança. No aconchego do mundo dos sonhos.

Sinto-me flutuando em uma nuvem de serenidade. Sua presença ao meu lado traz o reforço do amor. O entendimento de que não estamos sós.

É a companhia que preciso para afastar os pesadelos que atacam mesmo quando estou acordada.

Amor incondicional mesmo inconsciente. Confia em mim até pra dividir o espaço desse colchão.

Aliás, espaço que fica cada vez mais restrito com as suas esticadas. Mas não se preocupa. A gente se ajeita e cabe todo mundo.

Tipo um coração enorme!

E agora, eu que vou dar oi para o Mr. Sandman. Que está pronto pra me levar. Ou o Morfeu.

Tudo pronto pra adentrar o mundos dos sonhos, por fim. E descansar da ansiedade do dia, com a calma das respirações cadenciadas.

A grama do vizinho

Sempre parece mais verde, né?

Mas que mania besta que a gente tem de ficar comparando TUDO.

Como se a vida fosse uma competição e todo mundo estivesse lutando para conseguir o prêmio final.

Desencana, galera. Cada um vive o seu da melhor maneira possível. Tentando ajudar o próximo e, de preferência, sem derrubar o coleguinha.

Viver conforme a expectativa de conquista comparada aos outros é estressante. Desgasta corpo e mente.

E, no fim, nos torna ranzinzas e resignados.

Precisamos aprender a cultivar o nosso jardim da melhor forma. E, com ele, ser feliz. Porque é algo feito com dedicação e carinho.

Todo esforço vale a pena. E muitas vezes esquecemos de celebrar essas conquistas, nem que seja manter um cacto vivo no meio de um monte de mato seco.

Se tudo o que conseguiu foi essa plantinha espinhosa e resistente, comemore. É o seu jardim tomando forma.

Nós perdemos tanto tempo preocupados com a vida alheia. Horas e horas que nunca vão voltar.

Então, pegue o seu regador, escolha a sua planta e bora cultivar coisas boas. Fazendo a árvore da alegria, da felicidade e do amor próprio crescer no seu pedacinho de grama!

Aqueles que não serão nomeados

Existem alguns monstros que a gente insiste em dar nome.

Abrir espaço em nosso corpo e mente.

Mas descobri recentemente que isso aí é uma baita de uma furada. E que esse “apelido” só fez com que a situação se mantivesse ativa por mais tempo do que deverua.

Tá, parece óbvio, você diz. Maaas, sempre pensei que se colocamos uma cara ou uma nomenclatura em algo parece menos assustador.

Dá a falsa impressão de que conseguiremos enfrentar mais facilmente. Ou, que se gritar MUITO alto , vai embora.

No entanto, foi o reverso. Nomear tornou o monstro confortável, deu a impressão de que era bem-vindo aqui dentro. De que podia se manter no meu corpo, engolir a minha saúde de dentro pra fora.

Ele quis se apossar de um espaço que eu mesma liberei. E não devia.

Se ajeitou confortavelmente, fez a caminha. Cochilou, comeu, refestelou sobre a minha bondade e nem pagou o aluguel do local onde esteve.

Agora, cabô issaê. As coisas serão enfrentadas de outra forma, com a distância que precisam ter e a seriedade necessária.

Não vai ganhar alcunha nenhuma. Não nomearei nada que não faça bem e que não deva permanecer comigo.

Ainda que seja algo que me deixe confusa ou com medo, vou encarar de frente. Com as nomenclaturas oficiais, dos especialistas que conhecem a fundo e sabem como se livrar disso.

Não vai ter nem um cantinho para se abrigar em cima das minhas inseguranças.

Terá a condição de intruso, como já deveria ter sido desde o começo.

Não ganha casa, comida e cabeça desarrumada para bagunçar ainda mais. Ganha só o tratamento de “chá de sumiço” e cuidados específicos para ir embora. Que é a única coisa que merece.

Meus monstros não terão nome, sobrenome e RG. Eles serão ilustres desconhecidos. Como merecem ser!

E sairão daqui, assim que não houver mais com o que se sentirem confortáveis e acolhidos dentro de mim.

Contagens Diárias

Hoje eu me estressei pelo menos 1 vez. (Se fizer a conta real, vai ser preocupante demais)

Atendi a porta 2 vezes. (Não querendo, mas só assim para receber produtos e não ter que sair de casa…)

3 lavadas de cabelo, entra e saí pela porta da sala. Álcool gel.

Foram feitas 4 refeições (Sem contar os lanchinhos aleatórios, né?)

Uns 5 e-mails foram direto para o spam.

Tão perdidos quanto os 6 recados que acabaram sem resposta

Pensei nos 7 dias na semana e não consegui lembrar em qual estava.

8 tentativas de começar um texto. Recomeço. Apago, começo, apago de novo. (O que será que tem de bom nos rascunho, naqueles papéis perdidos na cabeceira, na mesa…?)

São 9 livros em meu campo de visão (os que eu conto, porque se for contabilizar todos, esse número estoura o ábaco mental). Todos lidos. Será que eu saberia contar a história deles se alguém me perguntasse. Mas, o que eu estava fazendo mesmo?

Mais de 10 perdas de foco em menos de 20 minutos. (eu tava fazendo o que mesmo?)

30 dias de um mês que acabou de começar e, quando menos percebemos, já se passaram alguns (e os boletos, as contas, o que eu preciso pagar?)

Mais de 40 rascunhos deixados para trás com ideias que se perderam com o tempo.

Minha nossa! Os 50 livros da meta de leitura que decidi aumentar agora… (por que eu faço isso?)

Foram só 60 segundos desde a minha última vontade súbita de chorar

E 70 (cê tenta/trocadilho fail [1]) parar , mas quem disse que dá certo?

A vibe dos anos 80 da música que não saí da minha playlist do dia.

“90 dias para casar”, um novo vício por uma série/reality que não entendo como surgiu ou se vai embora tão cedo…

100 condições (trocadilho #fail [2]) de contabilizar mais nada sem precisar respirar fundo, secar as lágrimas e começar tudo de novo.

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