Papéis Invertidos

A vida é mesmo uma caixinha de surpresa, como já dizia aquela esquete de comédia.

Uma baita ironia, na verdade. E sabe porquê?

Antes eram eles que ficava preocupados o tempo inteiro.

Agora, sou eu quem não consegue deixar a mente se acalmar um só segundo.

Se não atendem o telefone, já estou prestes a chamar todos os socorristas e helicópteros de emissoras para encontrar os “véinhos’ perdidos.

Reclamo das desculpas por não terem carregado o celular, levado ao sair. Por terem gasto todos os dados móveis em vídeos do Zap ou vendo qualquer tranqueira na internet.

Quero saber se estão bem cobertos no frio, se não esqueceram de levar “o casaquinho” e nada de tomar FRIAGEM!

Se tomaram a vitamina C ou aproveitaram a vitamina D dos dias ensolarados…

Estão jantando ou só comendo qualquer besteira no café da tarde ou à noite. Insistindo que é necessário se alimentar direito. E

Quero saber aonde vão, com quem estão socializando, se estão sentindo algum sintoma esquisito, o que é aquela dor no dedão ou porque não me avisaram desse batimento que está descompassado? Os exames estão em dia? Foram ao médico?

Fecharam as portas, falaram com estranhos, deixaram a comida na geladeira, tomaram todos os remédios?

A distância dá saudade, aperta o coração, enche os olhos de lágrimas.

A proximidade enlouquece, traz conflitos de escolhas, teimosia, brigas com a tecnologia, risadas, comida em excesso e barulho na casa.

Depois de anos sendo a fonte principal fonte de cabelos brancos dos adultos, agora dividimos esse “fardo”, sofremos juntos, fazemos contas, discutimos e torcemos para ver, todo dia, aquele rosto da chamada de vídeo, ouvir a voz na ligação ou receber um bom dia e saber que tá tudo bem.

E que teremos mais tempo para nos preocuparmos uns com os outros, ainda mais agora que o jogo virou pra essa quadra aqui.

Experiências (teóricas) de vida

Sempre ouvi dizer que para contar boas histórias é preciso viver grandes aventuras.

Ter amores, viagens, vivências inusitadas…

Bom, também já soube de autores que criaram grandes tramas sem saírem do perímetro do suas residências.

E o que vale mais? A teoria ou a prática?

Na realidade, não acredito que seja uma competição, mas, para uma pessoas que não tem tantas milhas percorridas nesse mundão, quero asseguram a todos que tá tudo bem.

Diferente daquilo que pode nos causar pressão e nos bombardear a ansiedade, não temos que sofrem por, na realidade, não termos sofridos os grandes altos e baixos que vemos na vida dos coleguinhas.

Ter exemplos é ótimo, mas sejamos as nossas próprias bússolas.

É bom colocar a cara no mundo e tentas coisas diferentes, mas o dia a dia, até o mais rotineiro e Às vezes monótono, também é uma aventura. Acordar, enfrentar seus medos, ir à luta pelo que gosta, também é um desafio e uma experiência válida.

Todo dia é uma oportunidade de fazer algo novo, se você quiser. E pode ser dentro do seu próprio universo. Só não deixe de viver por medo de não ser o Mochileiro das Galáxias, o Desbravador do MAres Distantes.

Viva seu melhor. Aproveite cada momento e saiba que isso já é o suficiente.

Grandes ou pequenas, todos temos as nossas aventuras. Sejam elas vividas no mundo real ou ambientadas em páginas de livros e filmes.

Como nós absorvemos todas as informações e transpormos para a nossa vida e relacionamentos é o mais relevante.

Então, nessa prova da vida, vale ter o conhecimento prático ou teórico. O importante e não deixar de buscar por ele, nunca!

Foto por cottonbro em Pexels.com

Fazendo as pazes com o passado

Olá… cê tá bem?

Quanto tempo que não conversamos, né?

Como tem passado? Ou melhor, como tá aí no passado? Tá tudo meio parado, sempre na mesma?

Desculpa se te abandonei. Não foi minha intenção. É que, por muito tempo, pensar em você doía muito.

Por quê? Ah, você não sabe o que aconteceu, né?

Não queria encarar o futuro e acabar te decepcionando. Sei que sempre se preocupou com o tempo passando e como já havia perdido tanta coisa só de pensar que estava perdendo algo.

Bom, se serve de consolo, isso aí não mudou.

Outras coisas sim.

Não somos nenhuma daquelas coisas que você imaginou. Estar plena, ser independente ou com uma carreira digna de um dos livros ou séries lidas.

Aliás, alguns sonhos se perderam nas intempéries do mundo real.

Mas quer saber? Algo não mudou: sua essência. Ainda é a mesma! De quem vive com a cabeça entre nuvens de imaginação, das mais mirabolantes histórias até a conversa com os seus personagens imaginários.

Aquelas músicas que você ouvia em seus cds gravados com windows media player ou comprados em mercados “diferenciados” por aí, cê ainda ouve e sente um quentinho na alma. Mas muitas outras chegaram. E você expandiu esse universo. E MUITO!

Dos grandes amigos, alguns ficaram pelo caminho…

Todos crescem, evoluem, vão embora. Não se preocupe, outros vieram.

Animais de estimação se foram, você chorou. Outros chegaram para ocupar todo o espaço da sua cama e do coração.

Seus personagens, por um tempo, ficaram quietos. A vida fez com que eles se calassem.

A escrita e leitura tiveram foco acadêmico ou laboral por um grande período. No entanto, tudo voltou ao eixo e essas paixões retornaram ao devido espaço de destaque na vida.

Demorou, mas criei coragem para encará-la novamente e dizer que te amo. E que tá tudo bem.

Nem sempre a vida segue os planos. Tem gente melhor do que as outras nessa questão de planejamento e execução. Mas quer saber a verdade? Não tem problema nenhum ser assim! Somos floquinhos de neve únicos e especiais, com as próprias dúvidas, medos e superações.

Infelizmente, realmente perdemos conexão e oportunidades importantes. Afinal, o que somos se não seres imperfeitos que buscam nos desenvolver a cada dia?

Peço perdão pelo “gelo” durante todos os anos. Prometo que comecei a derretê-lo. E a partir de hoje, espero que possamos seguir esse caminho lado a lado de novo.

Parei de me esconder. Admiti meus erros. Aceitei os problemas e vou me esforçar para superá-los. Aliás, para superarmos!

Tudo vai dar certo. Eu tenho fé.

Espero que entenda o meu medo de encarar essa conversa franca. Não queria desapontá-la como por muito tempo acreditei que faria.

Nunca deixarei que seja esquecida. O trajeto ainda é longo. Então, sebo na canelas.

Agora que estamos juntas novamente, nada vai nos impedir de conquistar novos sonhos. Acessar horizontes nunca antes vistos.

Que nunca mais nos afastemos. E que estejamos em paz, sempre. Saiba que, sem o que você começou, não seria o que sou hoje. Posso não ser o seu futuro perfeito, mas tenho certeza de que sente orgulho dessa jornada.

Obrigada pela paciência.

Foto por Jordan Benton em Pexels.com

Como você quer ser lembrada(o)?

Temos vivido em um período em que lidamos, quase que diariamente, com o lembrete permanente de que a vida é um bem precioso e que tem uma duração que nenhum de nós sabe qual é.

Uma dádiva passageira. Que merece ser valorizada. E aproveitada da melhor forma possível.

Com essa questão em mente, não é possível deixar de pensar: como gostaria que as pessoas à minha volta lembrem da minha presença em suas vidas? Qual é o legado que desejo deixar nesse mundo compartilhado com tantas pessoas?

O que faria de diferente? Qual seria o caminho escolhido? Que mudanças faria para que o futuro trouxesse lembranças permanentemente boas?

Definitivamente, pensamentos de evolução pessoal surgem na mente. Poderia ser um ser vivo melhor, com mais amor distribuído, mais proatividade e empatia.

Se pudesse, gostaria de deixar como marca uma vida que trouxe sorrisos. Corações quentinhos de alegria.

Lembrada pelo amor semeado, os momentos compartilhados. As risadas, as amizades e relações de afeto.

Mas será que sempre conseguimos esse pensamento positivo? Todo dia é uma batalha. É complicado. E é uma tarefa que, com satisfação, aceito. Ser mais amável, menos egoísta e mais empática.

Para que, assim, possa deixar a trajetória de uma pessoa que viveu, errou, mas aprendeu com cada situação. Que já teve atitudes das quais não se orgulha, mas pôde crescer e evoluir. Tirar ideias antigas da sua vida e espalhar mensagens de um mundo melhor, amoroso.

E esse é o meu objetivo. Poder usar a minha experiência nesse mundo como algo que pode impactar positivamente, nem que seja uma só formiga dessa Terra. Não sei o quanto dessa tarefa será cumprida, mas vale a tentativa.

E você, como quer sem lembrada(a)?

Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com

Será?

 

A vida imita a arte. E vice versa.

E, às vezes,  uma música é a única forma de explicar o que estamos sentindo.

Como o mundo nos trata.

Esses dias, bateu uma identificação com uma certa canção nacional… será que deu para descobrir qual é?

A torrente de pensamentos aconteceu como uma releitura/emoções.

Que seguiu assim: Ainda que tentemos fugir das garras daquilo que nos faz mal. Não pertencemos a el(x).

Dominar a gente não vai trazer compreensão, não importa o quanto o elemento tóxico tente te convencer.

Não precisamos estar rodeados de pessoas para saber qual o caminho, onde estamos. Estar só não é estar solitário.

Ainda que duvidem. Essa pressão não é correta. Isso não é sinal de amor.

Geram confusão, nos fazem acreditar que tudo está em nossa cabeça, que imaginamos. E que nada vai mudar, nunca. E a batalha já está perdida, nossos esforços em vão.

Todos os monstros que inventamos ou que inventam para a gente nos engolem, nos deixam perdidos.

Noites e noites gastas por medo dessa escuridão que chega.

Isolados, sozinhos. Achando que nada mais importa no mundo.

Perdemos o sono buscando a saída. Para chegarmos ao fim são e salvos. Tentando não deixar egoísmo acabe com o coração e alma.

Conseguiremos superar isso? (Ainda mais em tempos tão difíceis!)

E tudo aquilo que não está na nossa alçada. Os erros externos, as escolhas ruins. Vamos ter que viver com as consequências disso.

Pra sempre. Nós responderemos por eles? Talvez. Mas que saibamos a nossa real parte em tudo o que acontece. E que não deixemos de lutar pelo melhor.

Será que venceremos? (se serve de consolo, eu acho que sim)

Hoje o texto tá um pouquinho diferente. Se curtiram essa “inspiração”, comentem que tó curiosa para fazer mais umas.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Vício em procrastinar

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Olha aí as horas passando

As listas de demandas se amontoando.

Oportunidades sumindo por entre os dedos das mãos que deviam produzir algo.

Mas estão ocupadas digitando grandes nadas.

Palavras e pesquisas a esmo.

Horas e horas perdidas, sem razão.

Desculpas e desculpas empilhadas junto aos planos que nem podem ser chamados de mal sucedidos.

Porque nunca saíram do papel.

Então não há como perder um jogo que nem começou.

Todas as vezes que prometeu que iria mudar.

Melhorar.

Correr atrás dos sonhos. Parar de se acomodar com aquilo que incomoda há tempos.

Onde está o momento em que gasta as pernas indo até esse objetivo?

Foi engolido pelas cobertas. Os cinco minutinhos, que se tornaram 10… 20… 30… 60…

E não houve mudança… aquele estalo. A criação de alguma coisa.

A saída para fazer algo que motiva. Dá orgulho.

Cadê as tentativas?

Ficam só presas a frases inspiradoras e bonitas, em mensagens, sempre atrasadas, para aqueles que insistem em não desistir de quem não dá a devida atenção.

Mesmo que nem sempre mereça o esforço, já que não faz valer aquilo que te oferecem.

A vergonha da procrastinação que persegue como uma sombra. Um carrapato que não larga.

A tristeza que a acomodação traz. A sensação de que nada nunca vai mudar.

Os litros de lágrimas salgadas que escorreram e o peso no peito por seguir vivendo assim.

Uma reabilitação que se inicia, termina, parece funcionar e termina em recaída.

E com os caquinhos da sua existência espalhados, recolhidos com cuidado. Alguns perdidos, outros inutilizados.

Tenta recomeçar. Esquecer as vozes que gritam. A necessidade de tomar as mesmas decisões. Cometer os erros de sempre.

A batalha é diária. A reação química tá rolando no organismo.

O vício é uma doença que precisa de cuidado…

Engole o choro, respira fundo. Todo dia é nova oportunidade para não (se) enrolar mais uma vez.

Foto por Lina Kivaka em Pexels.com

Casa Cheia

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Consigo ouvir os primeiros sons vindos do quintal. O bom dia para os cachorros junto com algum tipo de resmungo sobre qualquer coisa simples.

Copos, itens para o café da manhã, a louça sendo lavada… começaram as atividades da casa.

Cada um tem seu horário, sua rotina. Nem sempre conseguem se ver.

Uns já precisam correr para trabalhar, jornada cedo. Café corrido. Uma bronca por não sentar para comer.

Portas abrem e fecham, assim como as torneiras. É um ecossistema que vive e funciona À sua maneira.

Tem bom dia longo, abraços, reclamações matinais. É o prelúdio para o novo dia.

Depois a programação segue normalmente. Trabalho, correria. Vida.

Longe por um tempo. Depois juntos. Depois longe. É a rotina. Ou era a rotina.

Quando unidos, risadas, falas altas.  Brigas, irritação.

Cantoria, piadas. Discussões.

Os milhares de animais fazendo a sinfonia, pedindo carinho, comida. atenção.

Resumindo: FAMÍLIA.

Panelas, máquinas, carros e televisão. Aquela série que um vê sempre. O jornal tenso que todos querem evitar. A rádio nossa de cada dia.

Já não é mais assim. A casa foi esvaziando. O distanciamento se tornou a nova realidade.

O endereço é o mesmo, mas os moradores, não.

Foi pensando em cuidados, em cuidar.

Separados, mas não isolados. Juntos, mas sem barulheira.

Não tem colher batendo na panela tão alto. Ou alguém chamando na escada.

A presença e o som fazem falta e a saudade ecoa no coração apertado. E o olho enche de lágrima.

Mas com uma chamada de vídeo aqui, uma visita segura ali (com altas doses de neurose). Tudo se alivia.

Depois volta ao novo normal.

E todo dia a gente pensa em como era quando a casa tava cheia.

Foto por Kelly Lacy em Pexels.com

Telefone Fixo

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Telefones não são meus objetos favoritos. Definitivamente.

Ironicamente, houve um momento na infância em que um telefone de brinquedo era meu item preferido para horas de distração.

Ao longo dos anos, nossa relação se distanciou. O telefone fixo passou a ser um símbolo das necessidade de interação social ativa. Receber chamadas das amigas, ficar horas a fio falando sobre os acontecimentos do dia.

Algumas vezes isso até aconteceu, mas a pressão de manter toda essa socialização um dia foi pesada demais. Aos poucos, o telefone se tornou um objeto non grato na minha lista.

E assim segue, não gosto de ligar, nem ao menos atender.

Entre as duas opções, fazer a ligação ainda é o pior momento. A suadeira começa, palma da mão, testa e outras áreas críticas que exigem uma reposição de desodorante enquanto aperto os números.

Não me entendam mal, eu não sou anti-tecnologia. Ter o telefone à disposição é uma maravilha. Uma forma de conexão com pessoas que amamos que estão distantes (ou até pertinho, mas infelizmente não vivem embaixo do mesmo teto).

E o celular, minha nossa, é basicamente um membro do meu corpo, com tantas funcionalidades (seja para manter contato ou atividades variadas)! Sou viciada no smartphone. Só não me faça usar para uma das principais razões da sua existência: ligar para as pessoas.

Faço o possível com mensagens, e-mails e até algumas chamadas de vídeo. Admito que, às vezes, sou negligente e demoro mais do que devia, mas eu amo meus humanos e sempre prometo que isso vai mudar (e eles me amam também, porque fingem que acreditam.

Com o avanço da tecnologia, a linha fixa se tornou quase que obsoleta, com exceção das chamadas oferecendo produtos ou de membros mais “antigos” da família que ainda preferem esse meio de comunicação.

No entanto, nos últimos meses (com isolamento e vírus por aí), a linha fixa e seu toque alto tornou-se um alarme, um gatilho, um sinônimo de paúra extrema. E não tem nada relacionado ao contato, mas ao conteúdo.

Ligações na linha residencial, na minha cabeça levemente ansiosa, só pode significar uma coisa: NOTÍCIA RUIM.

Sério, cada vez que toca, o coração dispara, as mãos tremem. O medo de descobrir que alguma coisa terrível aconteceu me faz temer pelo som desse aparelhinho. Porque, convenhamos, que familiar ligaria só para falar que tá tudo bem?

É um pânico diário, passando as horas torcendo para que nenhum som ecoe pela casa.  Vivendo sobre a premissa de “notícia ruim chega rápido” e, para mim, só pode chegar pelo telefone fixo. Quem mandaria um ZAP tenso? (tá, sei que muita gente faz isso, mas entenda, não se trata de lógica…)

Faz bem para mim? Não.

Deveria sofrer tanto com isso? Também não.

Consigo controlar? Eventualmente.

Espero que as pessoas por aí não sofram com isso? COM CERTEZA.

Uma forma saudável de lidar é buscando pessoas (sejam profissionais ou pessoas de confiança) para ajudar a ressignificar isso? SIM SIM SIM!

Nossa cabeça funciona de formas bem diferenciadas às vezes, lidamos com situações e juntamos fatores para explicar alguns medos e ansiedade. Isolados, isso piora ainda mais.

MAAAAAAAAS, nem tudo está perdido, nem pra uma pessoa que tem um medo infinitos de telefones tocando (ou de ligar para os outros).

Se há problema, há solução. É nisso que acredito e essa convicção não vai mudar. Ainda que demore mais tempo do que  gostaria.

O jeito é respirar fundo, torcer pro telefone não tocar e tentar lidar com isso, um número por vez.

Foto por Pixabay em Pexels.com

 

O terrível fenômeno da autossabotagem

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Você cria centenas de listas, metas e desafios.

Pesquisa, sonha e sempre fala sobre tudo aquilo que deseja fazer.

Reclama da mesmice, afirma que em breve vai colocar em prática as milhares de ideias que estão anotadinhas naqueles cadernos e papéis jogados pelas caixas do quarto.

São recortes brilhantes de algo que nunca vai sair do universo idílico.

E sabe por quê?

É o fenômeno da autossabotagem. Desistir antes mesmo de tentar já que não há derrota se não houver jogo.

A necessidade que tem de colocar barreiras intransponíveis em tudo o que quer fazer. De encontrar detalhes que impossibilitem aquela viagem, a mudança de visual ou o novo emprego.

É a sua voz interior que diz que tudo vai dar errado, que é melhor seguir naquilo que está indo relativamente bem, ainda que isso destrua pouco a pouco a sua alma.

Vale a pena viver assim? Ou melhor, só sobreviver? Cortando as asas da imaginação, deixando os sonhos de lado, desistindo antes mesmo de começar?

Já existe tanta pressão no mundo para que sejamos um sucesso, alguns com fama, dinheiro e posses, outros com a pintura perfeita de família e educação conquistadas com bases em sei lá o quê.

Tentamos nos espelhar nos outros, viver através dos fragmentos da existência alheia, colocando as pessoas em outros patamares. Pódios… em lugares que imaginamos serem impossíveis de chegar.

Como se fosse um caminho longo demais. E nossas frágeis pernas não aguentar. Nunca chegará até aquele ponto.

Sabe qual a pior parte? É verdade. Se não tentar, não chega mesmo. E se a voz irritante, que achamos que é a consciência sendo racional, mas é só a nossa autossabotagem falando bobagem for a única coisa que ouvimos, o futuro é ficar estancado.

Em situações incômodas, em vidas monótonas ou tristes. Não importa o quanto planeja, se não colocar algo em prática, nada vai sair do papel.

Não precisa ser algo enorme. Basta dar um passinho. Escolher um sonho simples e tentar. Porque a vida só vale a pena quando é realmente vivida.

Autossabotagem é um sistema de proteção, para evitar o “fracasso”. Mas nunca chegaremos ao sucesso se não tentarmos alguma coisa, né?

É difícil? CLARO

Vai ser trabalhoso mudar? SIM

Demora? TAMBÉM

Mas vale a pena? COM CERTEZA

Todo mundo é especial de alguma forma e o mundo é um lugar melhor quando acreditamos no nosso potencial. Se nós não formos os primeiros torcedores, como esse time vai vencer?

Se algo é bom e faz bem, bora tentar! Não deixe o medo interno te dizer que não pode ir atrás daquilo que deixará seu coração quentinho (e, quem sabe, ajudar outras pessoas no caminho?)

Foto por Ankush Rathi em Pexels.com

 

Se não fossem vocês…

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Hoje não tem crônica. Mas não necessariamente estaremos sem texto.

Porque hoje tem uma carta aberta de agradecimento. Um enorme obrigada que vem na sequência de um dia em que celebramos pessoas muito importantes.

Aquelas que sempre nos indicam os buracos pelo caminho. E dão risada e falam “eu avisei” quando nós, fatalmente, caímos em alguns deles.

São os irmãos selecionados fora da árvore genealógica, que nos acompanham por esse caminho maluco que carinhosamente chamamos de vida.

Sério, o que seria de cada um de nós se não existissem esses seres iluminados que insistem em ficar ao nosso lado mesmo nos piores dias, seja o mal humor de um estômago vazio até o choro compulsivo de uma perda terrível.

Nesse período de isolamento, não são somente humanos que nos acompanham e aconselham, mas também servem como a base para aqueles momentos de surto, quando precisamos de uma consulta psicológica gratuita ou somente uma companhia para assistir a um filme e esquecer por algumas horas toda essa situação assustadora que vivemos.

Só agradecimentos a todos os humanos que estão sempre dispostos a fazer uma piada para tirar um sorriso e iluminar um dia cinzento, aos que têm os melhores (ou piores) conselhos do mundo), aos que ficam cheios de orgulho quando dividimos as nossas alegrias e nos ajudam a buscar os caquinhos quando o nosso coração se parte. Seja para ir a um rolê que é furada, um cinema numa sessão cedo demais, um show que dá preguiça de ir, mas que vai só para constar, um aniversário que nunca esquece. A disposição dos amigos é algo incomparável. (e as desculpas para não sair também)

Ao longo da vida, muito passam pela gente. Alguns ficam, outros infelizmente se perder, mas cada um deles é especial da sua própria maneira. E se não fosse pela ilustre presença em nossa caminhada, tudo seria muito diferente.

Obrigada a quem não desistiu quando tudo ficou mais complicado, que entendeu a distância eventual e lutou para que os laços nunca se rompessem.

Amizade verdadeira é uma parceria que nunca tem fim, um companheirismo que transpõe as barreiras do tempo!

Hoje e sempre, ter pessoas assim faz com que o fardo do dia a dia seja menos pesado. Sinto uma gratidão enorme por todo mundo que eu tenho a honra de chamar de amigo.

Presencial ou à distância, sua existência é motivo de alegria eterna. Se não fossem vocês, estaria perdida.

Foto por Rhiannon Stone em Pexels.com