A gente é levado a se mover sempre para frente, cada vez mais adiante, mesmo que não saibamos para onde.

Bobagens Imperdíveis para atravessar o isolamento: Crônicas fantásticas”, Aline Valek.

40 Pequenos Desabafos #ResenhaDeQuinta

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Título/Autora: 40 Pequenos Desabafos de quem não nasceu para a quarentena, Ruth Manus.

Avaliação: Desabafando com os gatos sobre o isolamento.

Nada como poder ler alguns textos de pessoas que, assim como nós, estão tentando lidar com toda essa situação estranha da melhor maneira possível, né?

Não tem sido um momento fácil e muitas vezes achamos que todas as coisas vão nos afundar dentro das nossas próprias emoções. Por isso, é muito bom saber que não estamos sozinhos nessa e que tem gente que também anda numa montanha russa de sentimentos.

Esse livro curtinho é mais uma daquelas ótimas indicações para esse momento. É algo que dá pra ler rapidinho e ter a sensação de “dever literário cumprido”, além de ter o quentinho no coração ao se encontrar em momentos da narrativa.

A autora faz pequenos desabafos ao longo de 40 dias do isolamento que a grande parte das pessoas foi submetida. Entre as páginas, vemos aspectos familiares, sobre a convivência, o dia a dia juntando trabalho e organização da casa, risos, lembranças, novas receitas.

Aborda a nostalgia de dia em que estar com os amigos era possível, o nervoso de não conseguir fazer o que gostaria, um pouco do psicológico abalado, a relação com a janela, o mundo e a vida lá fora.

Os desabafos convergem com o que muitos têm passado e é ótimo ter a oportunidade de ler algo que permite a que gente se “encontre” dentro dessa literatura tão atual. Sabendo que tá tudo meio estranho, mas estamos lidando com isso em conjunto e tentado fazer o melhor.

Em alguns momentos eu chorei de rir lendo alguns itens que me representam muito, seja na limpeza, na procrastinação ou só nas emoções abaladas pelo isolamento. Já em outras partes, deu aquele apertozinho no coração. Vemos o papel da tecnologia nas reuniões (familiares, de trabalho ou com amigos) e percebemos que tá todo mundo no mesmo barco.

Se alguém já leu esse livro, conta o que achou nos comentários.

Até a próxima.

O terrível fenômeno da autossabotagem

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Você cria centenas de listas, metas e desafios.

Pesquisa, sonha e sempre fala sobre tudo aquilo que deseja fazer.

Reclama da mesmice, afirma que em breve vai colocar em prática as milhares de ideias que estão anotadinhas naqueles cadernos e papéis jogados pelas caixas do quarto.

São recortes brilhantes de algo que nunca vai sair do universo idílico.

E sabe por quê?

É o fenômeno da autossabotagem. Desistir antes mesmo de tentar já que não há derrota se não houver jogo.

A necessidade que tem de colocar barreiras intransponíveis em tudo o que quer fazer. De encontrar detalhes que impossibilitem aquela viagem, a mudança de visual ou o novo emprego.

É a sua voz interior que diz que tudo vai dar errado, que é melhor seguir naquilo que está indo relativamente bem, ainda que isso destrua pouco a pouco a sua alma.

Vale a pena viver assim? Ou melhor, só sobreviver? Cortando as asas da imaginação, deixando os sonhos de lado, desistindo antes mesmo de começar?

Já existe tanta pressão no mundo para que sejamos um sucesso, alguns com fama, dinheiro e posses, outros com a pintura perfeita de família e educação conquistadas com bases em sei lá o quê.

Tentamos nos espelhar nos outros, viver através dos fragmentos da existência alheia, colocando as pessoas em outros patamares. Pódios… em lugares que imaginamos serem impossíveis de chegar.

Como se fosse um caminho longo demais. E nossas frágeis pernas não aguentar. Nunca chegará até aquele ponto.

Sabe qual a pior parte? É verdade. Se não tentar, não chega mesmo. E se a voz irritante, que achamos que é a consciência sendo racional, mas é só a nossa autossabotagem falando bobagem for a única coisa que ouvimos, o futuro é ficar estancado.

Em situações incômodas, em vidas monótonas ou tristes. Não importa o quanto planeja, se não colocar algo em prática, nada vai sair do papel.

Não precisa ser algo enorme. Basta dar um passinho. Escolher um sonho simples e tentar. Porque a vida só vale a pena quando é realmente vivida.

Autossabotagem é um sistema de proteção, para evitar o “fracasso”. Mas nunca chegaremos ao sucesso se não tentarmos alguma coisa, né?

É difícil? CLARO

Vai ser trabalhoso mudar? SIM

Demora? TAMBÉM

Mas vale a pena? COM CERTEZA

Todo mundo é especial de alguma forma e o mundo é um lugar melhor quando acreditamos no nosso potencial. Se nós não formos os primeiros torcedores, como esse time vai vencer?

Se algo é bom e faz bem, bora tentar! Não deixe o medo interno te dizer que não pode ir atrás daquilo que deixará seu coração quentinho (e, quem sabe, ajudar outras pessoas no caminho?)

Foto por Ankush Rathi em Pexels.com

 

Piloto Automático

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Vivendo de forma medíocre.

Nunca saindo do raso nos relacionamentos, nas interações, nos estudos, nas tentativas.

O que eu vou fazer quando não der mais tempo de tentar?

Quando as oportunidades forem embora e eu perceber que realmente eu esgotei todas as possibilidades?

Alienei as pessoas.

Afastei quem tentou se aproximar.

Não plantei as sementes e agora estou em um jardim solitário e inabitado?

O que eu faço? Para onde eu corro se as pernas já não tem mais forças, os olhos não enxergam, a voz não sai?

Presa. Isolada.

Sentenciada pelas minhas próprias ações (ou a falta delas)

Deixei esse veículo no piloto automático, mas não escolhi o destino.

Estou fadada a rodar por esse mundo. Até a gasolina acabar.

Indo por uma estrada que não sei onde termina, mas os mapas parecem já estar pré-selecionados, o caminho todo alinhado.

Sem paradas, sem novidades, sem companhia.

E nada vai mudar. A não ser que eu assuma o controle. Entenda a rota.

Por quantos quilômetros eu me deixei levar? Em que lugar desconhecido eu parei?

A partir de agora, eu comando. O caminho adiante é um mistério, mas que será desvendado aos poucos. Vivido. Aproveitado.

Olhos abertos às maravilhas que posso encontrar no caminho. Levando lembranças de cada parada, não deixando as pessoas para trás, mas trazendo todos dentro da cabeça e do coração.

Não será mais uma fuga desenfreada, agora é uma viagem em busca do autoconhecimento.

Assumindo a direção. Pilotando a própria vida.

Foto por Matheus Bertelli em Pexels.com

Concordavam sobre tudo que era importante e discutiam sobre o restante. E isso era bom também, porque, quando discutiam, Eleanor sempre fazia Park morrer de rir.

 

Eleanor & Park, Rainbow Rowell

Não tenha medo de mudar de rumo. Você até vai achar algumas vezes que sua hora passou. Tempo perdido. Bobagem! Você não se sentirá velha tão cedo… Aliás, por favor: erre bastante. Quem sabe assim você perde esse medo que bloqueou tantos caminhos. E se perdoe quando isso acontecer.

“Se não fosse por você, eu não estaria aqui: Cartas para quando eu era adolescente”, Vários autores.