O ano da marmota

Lembro que, de súbito, tudo era novo e assustador. Ainda que as notícias já falassem sobre o assunto, era distante.

Havia a ideia MUITO equivocada de que estava distante da gente. Lá do outro lado do mundo.

Até que bateu à nossa porta.

E nós, os que puderam, trancaram essas portas. Mantiveram distância. E estamos assim, distantes, há mais de um ano.

Obrigados a deixar a convivência diária e nos afastar de muitos dos nossos humanos amados. Para certas pessoas, significando 365 sem abraços aguardando o dia de matar a saudade. Outros terão que conviver com a saudade para sempre.

Alguns de nós foram para a linha de frente para combater o inimigo invisivel. E nossa gratidão é eterna.

Outros ficaram em casa lutando da forma como podiam.

Tudo tão confuso, incerto e tenso.

Os espaços, pequenos ou grandes, nos aprisionaram de forma claustrofóbica.

O cotidiano foi virado de cabeça para baixo. Nos adaptamos, lidamos com as necessidades da nova realidade.

Choramos, sofremos, respiramos fundo e começamos novamente. Às vezes, tudo isso antes do almoço.

Isolados, lhados. Com pressão para seguir a produtividade ou para aumentá-la.

A saúde mental ficou em algum lugar entre março e ontem. Ainda está procurando as pecinhas por ai.

Alguns não estão mais entre nós. A ausência é sentida, dolorida. Com a despedida que nem todos conseguiram ter. Mas um amor que vai seguir sempre em nossos corações.

E, após um ciclo completo, as coisas parecem iguais, às vezes pior. Uma repetição daquele início. Medo, insegurança, incerteza.

A cada dia torcemos pelo melhor, desejamos uma cura e temos a esperança de não repetir os mesmos erros e problemas no que parece o ano da marmota.

Reflexo de uma pessoa

Em alguns momentos eu não sei se sou uma pessoa real ou só um reflexo de alguém que eu deveria ser.

Uma casca. Somente levada por aí pelo vento.

Sobrevivendo ao invés de desfrutando a vida.

Deixando passar grandes oportunidades na vida pelo simples medo de fracassar.

Mas, o que é o fracasso se não algo inventado pelo próprio humado para medir uns aos outros?

Uma forma maldosa de rotular a tentativa que não gerou o resultado que era esperado,

E por temer esse terrível fantasma que assola a alma da pessoa ansiosa, o melhor (pelo menos, na cabeça dessa mesma pessoa), é se manter escondida de tudo que passa um assustados e, potencialmente, dar muito errado.

Infelizmente, também significa barrar tudo aquilo que pode em MUITO bom. O sucesso vem da luta para que se arrisca.

Se arrisca exige dar um passo adiante, rumo ao desconhecido.

Mas quem disse que certa pessoa ansiosa consegue?

Presa às amarras invisíveis de sua procrastinação. Atordoado pelos gritos do sua mente que insiste em dizer que nada vai mudar e é melhor seguir assim.

Garantir o conforto acomodado. Muito mais vantajoso do que a derrota que pode acontecer, né?

No entanto, ainda que pareça uma feliz experiência segura, essa redoma aliena, afasta que tenta se aproximar.

Vendo o mundo e as pessoas como se fossem personagens de uma série. Torcendo e desejando o melhor, mas nunca se aproximando o suficiente para estar ao lado deles nessa batalha diária.

Nenhuma relação ou sentimento ultrapassa a fase superficial. E, eventualmente, ter mina bem tem nem começado.

Ou triste se torna a vida de um isolamento voluntário, de quem não tem coragem de se aprofundar no mar de vida por medo de se afogar.

Termina assim, com o coração doendo, encarando o nada, pintando em tudo que poderia ter lido um dia.

Mas sabendo que é, somente, um zumbi andando por aí. Só o reflexo de uma pessoa real.

Esperande o dia em que terá a coragem para se tornar alguém de verdade.

Zero Foco

Perdi o fio da meada… de novo.

Aliás, estou tão longe do fio que eu nem sei se ele esteve aqui algum dia.

Olho para todos os lados tentando lembrar o que eu estava fazendo. O que eu devia ter feito. Ou o que eu fiz.

Já nem sei mais.

Sou um saquinho de confusão e falta de organização.

Perdida em um mar de prioridades que eu nunca soube priorizar.

Escondida em uma ideia de abraça o mundo, ter diversos projetos, mas nunca conseguir manter o plano.

Se a minha capacidade de disciplina e planejamento fosse uma bússola, acho que teria um imã gigante colado nela, fazendo com que a sua seta girar descontroladamente!

Impedindo o encontro com o Norte.

O lugar desejado. O destino.

Comecei se parei tantas vezes que estou incerta sobre o que coloquei no GPS mental.

Eram tantos sonhos, vontades e possibilidades.

Mas elas se perderam nos minutos preciosos encarando a parede. No vórtice de vídeos inúteis e tudo o que eu vi no lugar de minha tarefa inicial.

Minha Dory interior tá sempre esquecendo das coisas. Algum dia são mais fácies que os outros, mas é uma batalha constante.

Inclusive, eu tenha outro texto não hoje, lá que perdi o foco de comecei outro.

Frustrações

Não sou a primeira e nem serei a última a ter uma expectativa frustrada.

Mas como dói ter sonhos e esperanças em algo que termina de uma forma que não é a desejada.

Primeiro chega a indignação, o sentimento de injustiça. Como se o mundo nos deveser aquela vitória.

Buscamos os culpados externos antes mesmo de entender qual a nossa parcela nessa equação.

Depois vem a tristeza que nos assola. Como se nada nunca desse certo e a nossa única solução forte aceitar a vida de derrota.

Em seguida vem a raiva de tudo e de todos. Se não querem ajudar, que se acabem sozinhos.

Nesse entremeio, somos acometidos por lampejos de consiciência. Pensamos na possibilidade da vida não ser uma série de desventuras. Buscamos uma luz..

Até cair no estágio de choro ao lembrar do “fracasso”. Como bovinos, ruminandos e remoemos a situação. (Nessa etapa existe o consumo de substâncias à base de cacau ou alimentos gordurosos que acabam com o fígado para dar pequenos alívios à mente. ( Pelo menos no meu caso).

Choro, raiva, angústia. Pensar em tudo o que poderia ser feito de outra forma.

Se culpar, trancar- se nos pensamentos…

Acreditar que nunca haverá uma nova chance para
conquistar o que deseja.

Truques do cérebro frustrado para evitar dores de novas tentativas.

Às vezes as coisas vão dar errado. Você vai precisar mudar de planos.

Ainda que sinta-se triste e desmotivado. Com vontade de desistir e esquecer algum sonho. Não se sabote! O medo da falha não pode ser maior do que a vontade de alcançar os seus objetivos.

Todo mundo que venceu, um dia teve perdas. Isso ajuda a crescer, evoluir.

Não ache que a galera bem sucedida nunca chorou largada. (Salvo exceções, sempre tem…)

As frustações são parte do aprendizado. Vai ser dolorido?

SIM.

Vamos gostar da sensação?

NÃO!

Envolverá lágrimas?

De vez em quando…

Mas toda experiência é válida.

Então, respira fundo and embrace the frustação. xD

Eventualmente, vamos entender cada uma delas.

Silêncio Ensurdecedor

Todos se calaram.

Não consigo mais encontrar nada dentro dessa mente que parece mais um buraco negro que engoliu todos os meus pensamentos.

Eles estavam aqui até agora. Onde foram parar?

Será que encontraram alguma lembrança e decidiram ir embora?

Ou perceberam que aqui não valia mais a pena ficar?

Não importa qual tenha sido a razão. Não tem nada mais aqui. Não há uma só voz falando nesse lugar.

E é impossível lidar com isso.

Queria só que aquela bagunça organizada retornasse.

Quando tudo fazia mais sentido, ainda que as coisas estivessem todas fora do lugar.

Aqule caos era o meu espaço seguro.

Agora, esse silêncio me angustia.

Encolhe a minha alma.

Só consigo aceitar a solidão e me esconder de mim mesma nesse vazio.

Esperando que um dia, alguém volte para me acompanhar.

Enquanto isso, vou convivendo com o som das minhas lágrimas molhando o chão.

Ecoando os soluços tristes de uma mente num vazio total.

Não aquele da meditação, do espaço zen.

Mas a da neurose e da ansiedade.

Quando esses momentos chegam, podem durar um minuto ou uma hora.

Como uma queda de energia. Um apagão solitário.

Uma pessoa procurando o caminho de volta dentro de si.

Buscando o botão do volume para, mais uma vez, acabar com o silêncio e voltar às atividades.

As definições de tempo foram atualizadas

Paro para pensar em algo que aconteceu. Quando foi? Semana passada?

Puxar na memória a sensação de que já havia ocorrido há muitos dias me envolve.

Com algumas pesquisas e verificações mentais, noto, com surpresa, que já perdi a conta. 

Tudo passou num instante, ainda que tenha sido horas e horas.

Mas, se for parar para refletir, não é tão estranho assim, não é mesmo?

Quem pode dizer que o tempo não está passando de um jeito esquisito, que os dias não são compridos demais, pesados,só que, mesmo assim, rápidos como um piscar de olhos.

Foi como um intervalo entre um cochilo, aquela siesta no meio da tarde que senti esse ano começar e já chegar no segundo mês.

SEGUNDO.

Como se a chegada do primeiro já não tivesse sido mais rápida do que poderia imaginar. Ainda mais se pararmos para refletir sobre como o ano que antecedeu este se passou.

Não sei mais o que fazer sobre isso. O tempo já corria de mim, fugia por entre meus dedos e escorria dos meus braços que tentava abraçá-lo para conseguir enganchar em suas dobras mais algumas atividades.

Aquelas que sempre queria fazer, mas o trabalho ou as obrigações impediam.

Tentei enrolar numa toalha, prender num potinho, enganar a ampulheta.

E não importou nada.

Minhas tentativas, súplicas, pedidos com a melhor cara de gatinho fofo.

Ele seguiu seu curso, sem esperar por nada e nem ninguém.

E agora, me parece que adiantou a marcha.

entrou no modo turbo, mas com a potência de um trator.

Se fosse uma propaganda, seria daquelas 4×4 que atravessam todos sos lugares, dos mais áridos aos mais tranquilos.

E ele nos olha, com o carinho de uma mãe que deseja que o futuro seja brilhante, mas impassível como um mestre que deseja que seu estudante não faça as coisas pela metade, que se esforce e tenha a melhor experiência (mesmo não entendendo isso na hora).

Definitivamente, as definições de tempo foram atualizadas, e muito.

Quando chega esse momento, que entendemos a importância dele, notamos ainda mais seu caráter fugaz.

Sofremos pelo fim de sua presença para alguns e pelo pouco que resta a outros.

Deixaram de ser aquilo que a gente guardava no relógio.

Ou o que era comumente “morto”, em intervalos ociosos da juventude.

Agora, essas paradas estratégicas estão cada vez mais escassas. Porque queremos aproveitar cada segundo disponível.

Segundos seguem indo embora, enquanto trocamos seus dígitos por experiências, por valores, por descanso.

Trocas justas, às vezes, nem tanto.

Aos poucos vamos aprendendo a valorizar aquilo que nos parece simplesmente dado, mas é, na verdade, uma dádiva.

E tentamos não perdê-lo, ainda que nem sempre dê certo.

Ele anda ligeiro. Um passo digno dos corredores mais ágeis do mundo.

Todo dia, um pouco menos dele pra fora, disponível à nossa frente e muito guardado dentro de nós.

Criatividade com prazo de validade

Tenho medo de um dia não conseguir escrever. De ter secado completamente completamente a suposta fonte de criatividade que me permite expressar sentimentos através de textos e sentenças por aí.

Em alguns momentos, encarar a página em branco sem ter uma frase sequer para inserir parece uma batalha. Como se houvesse um monstro a ser derrotado. E ele vive dentro de mim.

Causando ansiedade por, naqueles instantes, minha mente ser incapaz de encontrar os sinônimos, os verbos, os conectivos.

De lembrar qual era a conjugação correta e “será que um dia todas as ideias acabam, que nem um rolo de papel que em algum momento termina”.

E, quando chegar essa hora, a festa acaba. A bagunça na minha cabeça, que traz grande parte da inspiração, não será mais responsável pelo fluxo de linhas curtas e frases, muitas vezes, confusas e sarcásticos que se transformam em textos.

É uma aflição imensa de me perder numa eterna rouquidão da voz literária que, egocentricamente, imagino ter.

De que a capacidade de escrever seja como um produto perecível que um dia vai vencer.

Por isso, às vezes negligencio o precioso sono para escrever um rascunho de crônica. (Que pode ser essencial… ou não)

Encho papéis por aí com frases desconexas, opções de enredo, lampejos de iluminação.

Desejando que esse treino diário me impeça de perder a única ferramenta que alivia meus temores.

E uma palavra de cada vez, alivio a tensão e desejo viver num mundo em que nunca falte tinta na caneta, grafite na lapiseira, bateria no celular e novas ideias na cabeça .

Porque enquanto houver vida, a criatividade nunca perderá a validade.

Obrigada por não ser obrigad@

… a me aceitar do jeito que sou, mas fazer isso mesmo assim.

Dando apoio quando eu pareço completamente perdida, acolhendo a minha versão mais bodeada e não implicando com todas as neuras.

Obrigada por não ser obrigad@ a me ouvir reclamando, chorando, cantando ou espernenando…

Mas mesmo assim, não fugir quando aparece aquela música externamente suspeita no meio da playlist ou só assentir para as milhares de frases aleatórias sobre colegas desconhecidos que fizeram coisas avulsas.

Por sempre ter conselhos, sabedoria ou somente lencinhos de papel e um snack para acabar com o choro ou tristeza súbita.

E também por não compactuar com algumas versões extremamente críticas e tóxicas. Mantendo meu equilíbrio e minha melhor versão sempre atualizada.

Só gratidão por aqueles que não têm obrigação nenhuma em entender os surtos de ansiedade, as noites mal dormidas e as vontades esquisitas…

… mas seguem abraçando todas as partezinhas que juntas formam o nosso todo.

E que nunca se negam a oferecer amor, abraços e compreensão. (Às vezes debates, mas sempre para chegar a um novo consenso).

Sejam humanos, animais ou inanimados… só agradecimento e fofura por todos que nos mantém são.

Na alegria.

Na tristeza.

Na pandemia.

Online e offline.

A qualquer hora do dia, noite. Seja útil, fim de semana ou horário comercial.

Obrigada por não serem obrigad@, mas amarem meu melhor (e até o pior) mesmo assim.

Recomeço

Dar novamente os primeiros passos. Em direção ao desconhecido ou ao excessivamente conhecido.

Mas, como saber a hora de mudar de rota ou se é válido seguir na mesma?

Os caminhos se repetem, tudo no piloto automático. Para onde os pés, os pneus e mente estão familiarizados.

O que fazer quando o destino já não traz surpresas? Como lidar com a rotina causa tristeza e ansiedade?

Dá pra desligar a máquina que movimenta as nossas escolhas?

A boa notícia é que, sim. É possível. Você é o motor dessa geringonça! Deixar de ser levado e começar uma nova rota.

Existem formas mais simples ou as drásticas. Cada um no seu tempo. Respeitando seus resultados e as consequências, e, ainda assim, saindo da zona de conforto.

Vai dar um baita medo a todo momento? SIM

E virá a vontade de retornar aos braços conhecidos do acomodamento? CLARO.

Essa volta vai ser a escolha certa? Às vezes sim, nunca se sabe. E tá tudo bem!

E valerá a pena tentar? Óbvio!!

A vida é o que fazemos dela. A forma de lidar com as situações e as decisões tomadas. E tudo o que vem a partir de cada escolha.

Decidir ir em frente ou se manter no lugar não é fácil. A qualquer opção é certa contanto que seja algo que alivie a infelicidade e a insatisfação.

E se mudar for necessário, não se acanhe em reiniciar tudo! Pedir ajuda, abraçar a vulnerabilidade e compartilhar a necessidade de novas trajetórias. Quem te ama vai acompanhar as aventuras, torcer e apoiar.

Também não há vergonha em desistir de algo para tentar a sorte em outra coisa. Sonhos podem se transformar. Triste seria não tentar novamente por medo.

Então, saiba, é normal recomeçar, ajeitar as peças no tabuleiro e começar um novo jogo!

Bora respirar fundo, erguer a cabeça e buscar o que deseja!

Eu, eu mesma e minhas neuras

Tem uns dias complicados. Que fazem a gente se esforçar pra manter o equilíbrio.

Pra não jogar tudo por alto. Ficar num cantinho chorando.

Umas horas em que os monstrinhos que vivem na nossa cabeça começam um Carnaval fora de época.

Fazem todo o barulho possível. Impossibilitam os pensamentos de seguirem uma trajetória linear.

E nos caminhos enrolados, as neuras aproveitam essa bagunça e invadem todos os espaços livres entre as curvas  descompensadas da mente.

Se aproveitam de um grão de areia de confusão e montam a praia inteira. Com banhistas falando, ambulantes vendendo.

Toda aquela aglomeração mental. Que, na verdade, só tem uma pessoa envolvida. Mas são tantos personagens que parece que a casa tá cheia.

Abandonada à deriva da mente, com as neuroses falantes. O que se sente é medo. Um frio na nuca. Arrepios.

De um lado ouço julgamentos sobre todas as escolhas. De outro medos e tensões sobre qualquer erro cometido ou possibilidade de erro futuro.

Medos irracionais. Coisas que fazem sentido, mas que não deveriam passar na timeline mental. Outras que só servem pra ruminação nada saudável.

Ai surge a vontade de virar uma bolinha chorona na ponta da cama e, se possível, desaparecer do mundo até que tudo se resolva.

Mas não há como fugir de si. E de todos os inquilinos da terra da ansiedade.

Sem fórmula mágica, o jeito é tentar silenciar, nem que seja um minuto, todas as bobagens ditas.

Não é fácil travar uma batalha quando o oponente conhece todas as suas estratégias, mas não dá pra desistir.

Uma pequena vitória por dia já vale muito. Lutando pra um dia, só ter “eu” dando pitaco na minha cabeça.