40 Pequenos Desabafos #ResenhaDeQuinta

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Título/Autora: 40 Pequenos Desabafos de quem não nasceu para a quarentena, Ruth Manus.

Avaliação: Desabafando com os gatos sobre o isolamento.

Nada como poder ler alguns textos de pessoas que, assim como nós, estão tentando lidar com toda essa situação estranha da melhor maneira possível, né?

Não tem sido um momento fácil e muitas vezes achamos que todas as coisas vão nos afundar dentro das nossas próprias emoções. Por isso, é muito bom saber que não estamos sozinhos nessa e que tem gente que também anda numa montanha russa de sentimentos.

Esse livro curtinho é mais uma daquelas ótimas indicações para esse momento. É algo que dá pra ler rapidinho e ter a sensação de “dever literário cumprido”, além de ter o quentinho no coração ao se encontrar em momentos da narrativa.

A autora faz pequenos desabafos ao longo de 40 dias do isolamento que a grande parte das pessoas foi submetida. Entre as páginas, vemos aspectos familiares, sobre a convivência, o dia a dia juntando trabalho e organização da casa, risos, lembranças, novas receitas.

Aborda a nostalgia de dia em que estar com os amigos era possível, o nervoso de não conseguir fazer o que gostaria, um pouco do psicológico abalado, a relação com a janela, o mundo e a vida lá fora.

Os desabafos convergem com o que muitos têm passado e é ótimo ter a oportunidade de ler algo que permite a que gente se “encontre” dentro dessa literatura tão atual. Sabendo que tá tudo meio estranho, mas estamos lidando com isso em conjunto e tentado fazer o melhor.

Em alguns momentos eu chorei de rir lendo alguns itens que me representam muito, seja na limpeza, na procrastinação ou só nas emoções abaladas pelo isolamento. Já em outras partes, deu aquele apertozinho no coração. Vemos o papel da tecnologia nas reuniões (familiares, de trabalho ou com amigos) e percebemos que tá todo mundo no mesmo barco.

Se alguém já leu esse livro, conta o que achou nos comentários.

Até a próxima.

Abraço.zip

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Queria que estivesse aqui do meu lado.

A uns centímetros de distância, com os abraços abertos, esperando que eu me encaixasse nesse que é o melhor lugar do mundo.

Apoiada em seu peito eu choraria as pitagas sobre como o trabalho anda complicado ou aquele filmes que eu adorei. Ou somente te obrigaria a me dizer como foi o seu dia (mesmo que você insista que foi a mesma coisa do anterior, sem novidades).

Quero saber de tudo, manter a conversa, para ter a sua presença ao meu lado. Aproveitar todo o amor que cabe nesse pequeno gesto.

Aproveitar esse carinho sem pensar em inimigo invisível ou na máscara que eu vou ter que usar da próxima vez que a gente estiver junto.

Nem como a minha neurose vai me impedir de te abraçar por muitos segundos, E me fará correr para o banho.

Alguns dias eu choro de ansiedade pensando que por uma fatalidade da vida eu poderia nunca mais ter a chance de te abraçar. Isso acaba comigo. As lágrimas rolam enquanto escondo o meu medo embaixo do chuveiro.

Mas hoje, na semana em que comemoramos o dia do abraço, eu quero mandar uma versão.zip para você (ou melhor, vocês). As pessoas que eu amo e não posso me aproximar no momento.

Para quem eu convivo sempre ou aqueles que consigo ver a cada ano bissexto por causa das agendas complicadas, os relacionamentos que ocupam tempo ou qualquer outra questão logística.

Que o calor desse gesto tão simples, mas cheio de sentimentos, seja levado até a sua casa, pela transmissão de energia boa que voa pelo mundo como se fossem agraciados pelo pó mágico da Sininho.

Para quem eu não conheço, para quem está só (não importa a razão) ou os que não podem se aproximar dos entes queridos, mas que estão precisando de um afago, espero que também possam sentir o enlace zipado enviado com muito carinho

E espero que nunca mais nos privemos desse ato. Se sentir vontade de oferecer uma abraço a alguém, fale. Não passe vontade. Nunca se sabe o dia de amanhã.

Se puder, envolva nesse maravilhoso gesto quem está ao seu lado. Agradeça pela companhia. Aproveite a oportunidade de ter alguém com você.

Desejo que no próximo Dia do Abraço, todos possamos celebrar com muitos e muitos (sem ser zip). Apertado, afetuosos. De chegadas ou despedidas, de amigos, família ou apaixonados, que sejam sinceros e amorosos.

 

Foto por Pixabay em Pexels.com

Nostalgia à flor da pele

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Em tempos de isolamento, momentos em que estamos,muitas vezes sós com os nossos próprios pensamentos, a mente passeia, vaga e busca algum lugar para aterrissar.

Nesses dias de reclusão voluntária, não é difícil de notar uma onda nostálgica que nos leva no mar de lembranças durante esse período.

Me vi como a jovem que tinha grandes sonhos com sua escrita e produções audiovisuais. Além de uma viagem para conhecer a terra de sua maior “ídola”.

Encontrei com uma pessoa que não reconheci. Que tinha medo, mas não deixava que ele a paralisasse (tá, deixava, mas não com a frequência).

Os traços ainda são os mesmos, a altura também. O coração um pouco mais peludo. A mente um pouco mais embaralhada.

E um sentimento que sempre esteve lá. Um que cresceu ao longo do tempo. A nostalgia por aquilo que eu nunca vivi. Combinado com a sensação de tempo perdido. Como se fosse tarde demais para começar algo.

E a cada ano que passou, aceitei essa verdade. E agora vejo como isso minou a minha persona do passado.

Outras pessoas têm reações diferentes à situação. Lembram os tempos antigos como áureos. Os melhores. Sem defeitos.

Sentem falta de tudo e de todos, de cada rua que andaram, aos amigos que ficaram para trás ou os programas que não passam mais na TV.

Tem gente que prefere nem lembrar do que ficou lá longe. Mas não esquecem no “passado recente”, das socializações, dos amigos, amores e familiares que estão presentes somente através das frias telas de seus smartphones e computadores.

Estar somente com a nossa memória, presos 24 horas à saudade (do passado, passado semi-presente ou futuro), deixa qualquer nostalgia, como diziam os jovens, no talo! (tradução: no nível máximo).

Nossos quadradinhos de afastamento (bem privilegiados, inclusive) nos deixam com a vida passando em um loop da retrospectiva do final do ano. Separando episódios a cada dia.

Mas, se tivermos sorte, em um segundo de epifania gerada pela overdose de nostalgia (e depois de algumas sessões de choro e hiperventilação) vem a vontade de ser mais que isso. De mostrar para o passado que não estamos totalmente perdidos e, para o futuro, que ainda tem chão para percorrer.

Em um lampejo de coerência, vindo a partir de um vórtice nostálgico musical, lembrei de quem era (e de quem almeja ser). Dos medos que eu tinha (e os que eu não tinha) e alinhei tudo na “cama da mente”, tipo quando vamos arrumar a mala viajar.

Nesse momento, a única solução que me parece viável é selecionar aquilo que vai para a bagagem. O que será levado quando atravessar o portal dessa pandemia!

Ainda que o melhor de nós (ou da vida) pareça ter ficado em algum lugar no tempo, porque não podemos tentar de novo, criar novas oportunidades de ter as mesmas alegrias, os mesmo sonhos?

Não dá para ser completamente igual. (E tá tudo bem, lembre-se que o véu da lembrança deixa a realidade embaçada). Mas podemos erguer a cabeça e fazer um esforço para ter mais momentos como aqueles que tanto recordamos e sentimos falta.

Se não tem o desenho da infância, que bom que você pode ver as reprises. Se algumas pessoas já se foram, ainda bem que pudemos ter a chance de conviver com elas pela tempo que foi possível. Se perdemos algumas chances, porque não aprender com o que errados e tentar de novo assim que pudermos?

Enquanto houver casa pra andar no Jogo da Vida, a gente vai jogar esses dados. Algumas escolhas serão eternas pedras no nosso sapato. Decisões erradas acabam voltando para nos atormentar. Alguns monstros são mais difíceis mesmo de mandar embora.

Como a Katia já cantou, não está sendo fácil. Mas vamos conseguir superar.

A nostalgia pode ser a nossa âncora, mas não para nos afundar no meio do mar! Ela tem a enorme capacidade de nos manter seguros no porto enquanto aproveitamos ciclos de retiros para reorganização das ideias.Vamos utilizá-la da melhor maneira que encontrarmos! Que ela nos alce e não nos submerja!

Foto por Leah Kelley em Pexels.com