Fazendo as pazes com o passado

Olá… cê tá bem?

Quanto tempo que não conversamos, né?

Como tem passado? Ou melhor, como tá aí no passado? Tá tudo meio parado, sempre na mesma?

Desculpa se te abandonei. Não foi minha intenção. É que, por muito tempo, pensar em você doía muito.

Por quê? Ah, você não sabe o que aconteceu, né?

Não queria encarar o futuro e acabar te decepcionando. Sei que sempre se preocupou com o tempo passando e como já havia perdido tanta coisa só de pensar que estava perdendo algo.

Bom, se serve de consolo, isso aí não mudou.

Outras coisas sim.

Não somos nenhuma daquelas coisas que você imaginou. Estar plena, ser independente ou com uma carreira digna de um dos livros ou séries lidas.

Aliás, alguns sonhos se perderam nas intempéries do mundo real.

Mas quer saber? Algo não mudou: sua essência. Ainda é a mesma! De quem vive com a cabeça entre nuvens de imaginação, das mais mirabolantes histórias até a conversa com os seus personagens imaginários.

Aquelas músicas que você ouvia em seus cds gravados com windows media player ou comprados em mercados “diferenciados” por aí, cê ainda ouve e sente um quentinho na alma. Mas muitas outras chegaram. E você expandiu esse universo. E MUITO!

Dos grandes amigos, alguns ficaram pelo caminho…

Todos crescem, evoluem, vão embora. Não se preocupe, outros vieram.

Animais de estimação se foram, você chorou. Outros chegaram para ocupar todo o espaço da sua cama e do coração.

Seus personagens, por um tempo, ficaram quietos. A vida fez com que eles se calassem.

A escrita e leitura tiveram foco acadêmico ou laboral por um grande período. No entanto, tudo voltou ao eixo e essas paixões retornaram ao devido espaço de destaque na vida.

Demorou, mas criei coragem para encará-la novamente e dizer que te amo. E que tá tudo bem.

Nem sempre a vida segue os planos. Tem gente melhor do que as outras nessa questão de planejamento e execução. Mas quer saber a verdade? Não tem problema nenhum ser assim! Somos floquinhos de neve únicos e especiais, com as próprias dúvidas, medos e superações.

Infelizmente, realmente perdemos conexão e oportunidades importantes. Afinal, o que somos se não seres imperfeitos que buscam nos desenvolver a cada dia?

Peço perdão pelo “gelo” durante todos os anos. Prometo que comecei a derretê-lo. E a partir de hoje, espero que possamos seguir esse caminho lado a lado de novo.

Parei de me esconder. Admiti meus erros. Aceitei os problemas e vou me esforçar para superá-los. Aliás, para superarmos!

Tudo vai dar certo. Eu tenho fé.

Espero que entenda o meu medo de encarar essa conversa franca. Não queria desapontá-la como por muito tempo acreditei que faria.

Nunca deixarei que seja esquecida. O trajeto ainda é longo. Então, sebo na canelas.

Agora que estamos juntas novamente, nada vai nos impedir de conquistar novos sonhos. Acessar horizontes nunca antes vistos.

Que nunca mais nos afastemos. E que estejamos em paz, sempre. Saiba que, sem o que você começou, não seria o que sou hoje. Posso não ser o seu futuro perfeito, mas tenho certeza de que sente orgulho dessa jornada.

Obrigada pela paciência.

Foto por Jordan Benton em Pexels.com

Fechando ciclos

pexels-photo-1500610.jpeg
Foto por JTMultimidia em Pexels.com

Com toda essa onda nostálgica que tem acometido muita gente, tem sido quase que catártico pensar em tudo o que fizemos até esse momento de “isolamento (in)voluntário”

Sinto, depois de tantos dias só comigo mesma, que este é um fechamento de ciclo.

E a epifania não vem depois de meses estudando com os monges budistas, mas vendo uma novela que comecei há anos (um dos muitos itens entre filmes, novelas e outras produções que eu comecei e larguei ao longo dos anos). Quando meus sonhos eram grandes e a idade, em numeração, menor.

E o que sempre carreguei como a tristeza por ter deixado aquela menina decepcionada se tonou a constatação de que não foi tempo perdido, como diria Legião Urbana.

Alguns sonhos foram adiados, outros guardados em caixinhas de lembrança. O problema não foi o que deixei de fazer, foi não ter me adaptado à nova realidade para que pudesse criar outras oportunidades, um novo eu.

Pensando e matutando sozinha em minha mente, ao terminar coisas que há tento tempo comecei, percebo que estou encerrando um ciclo para aquela pessoa. Dando um final digno para uma série que teve sua temporada encurtada, por qualquer que tenha sido o motivo.

Percebo que nada foi em vão. E que não me arrependo de nenhuma decisão. Tudo o que eu escolhi, os passos que dados, foram importantes e me levaram até onde eu precisava chegar.

E a decepção que carregava, era obra da minha cabeça que ficou parada na mente daquela garota cheia de sonhos. Ela esqueceu de crescer junto comigo.

A evolução segue como a caminhada, no ritmo e na capacidade das nossas pernas. Os passos são dados e a agilidade depende do quanto conseguimos andar ou correr. Por isso, não podemos nos basear nos passos alheios. São as nossas pernas que dão o ritmo. E as minhas pernas, ainda que curtam, tem feito um excelente trabalho até aqui.

E nessa jornada, com pedras no caminho, ladeiras e tudo mais, só levo amor e aprendizado, com os erros e acertos, as pessoas que eu conheci, o que vivi e quem me tornei.

Nostalgicamente, vou encerrar esse ciclo, com todos os episódios que faltam e guardar no coração esses personagens da ficção e a personagem que um dia fui. Que agora não sou mais eu, mas que me sempre fará parte de mim.

Agradeço por me acompanhar e estou orgulhosa de quem fui e ansiosa para saber quem serei daqui para frente.