Reflexo de uma pessoa

Em alguns momentos eu não sei se sou uma pessoa real ou só um reflexo de alguém que eu deveria ser.

Uma casca. Somente levada por aí pelo vento.

Sobrevivendo ao invés de desfrutando a vida.

Deixando passar grandes oportunidades na vida pelo simples medo de fracassar.

Mas, o que é o fracasso se não algo inventado pelo próprio humado para medir uns aos outros?

Uma forma maldosa de rotular a tentativa que não gerou o resultado que era esperado,

E por temer esse terrível fantasma que assola a alma da pessoa ansiosa, o melhor (pelo menos, na cabeça dessa mesma pessoa), é se manter escondida de tudo que passa um assustados e, potencialmente, dar muito errado.

Infelizmente, também significa barrar tudo aquilo que pode em MUITO bom. O sucesso vem da luta para que se arrisca.

Se arrisca exige dar um passo adiante, rumo ao desconhecido.

Mas quem disse que certa pessoa ansiosa consegue?

Presa às amarras invisíveis de sua procrastinação. Atordoado pelos gritos do sua mente que insiste em dizer que nada vai mudar e é melhor seguir assim.

Garantir o conforto acomodado. Muito mais vantajoso do que a derrota que pode acontecer, né?

No entanto, ainda que pareça uma feliz experiência segura, essa redoma aliena, afasta que tenta se aproximar.

Vendo o mundo e as pessoas como se fossem personagens de uma série. Torcendo e desejando o melhor, mas nunca se aproximando o suficiente para estar ao lado deles nessa batalha diária.

Nenhuma relação ou sentimento ultrapassa a fase superficial. E, eventualmente, ter mina bem tem nem começado.

Ou triste se torna a vida de um isolamento voluntário, de quem não tem coragem de se aprofundar no mar de vida por medo de se afogar.

Termina assim, com o coração doendo, encarando o nada, pintando em tudo que poderia ter lido um dia.

Mas sabendo que é, somente, um zumbi andando por aí. Só o reflexo de uma pessoa real.

Esperande o dia em que terá a coragem para se tornar alguém de verdade.

Criatividade com prazo de validade

Tenho medo de um dia não conseguir escrever. De ter secado completamente completamente a suposta fonte de criatividade que me permite expressar sentimentos através de textos e sentenças por aí.

Em alguns momentos, encarar a página em branco sem ter uma frase sequer para inserir parece uma batalha. Como se houvesse um monstro a ser derrotado. E ele vive dentro de mim.

Causando ansiedade por, naqueles instantes, minha mente ser incapaz de encontrar os sinônimos, os verbos, os conectivos.

De lembrar qual era a conjugação correta e “será que um dia todas as ideias acabam, que nem um rolo de papel que em algum momento termina”.

E, quando chegar essa hora, a festa acaba. A bagunça na minha cabeça, que traz grande parte da inspiração, não será mais responsável pelo fluxo de linhas curtas e frases, muitas vezes, confusas e sarcásticos que se transformam em textos.

É uma aflição imensa de me perder numa eterna rouquidão da voz literária que, egocentricamente, imagino ter.

De que a capacidade de escrever seja como um produto perecível que um dia vai vencer.

Por isso, às vezes negligencio o precioso sono para escrever um rascunho de crônica. (Que pode ser essencial… ou não)

Encho papéis por aí com frases desconexas, opções de enredo, lampejos de iluminação.

Desejando que esse treino diário me impeça de perder a única ferramenta que alivia meus temores.

E uma palavra de cada vez, alivio a tensão e desejo viver num mundo em que nunca falte tinta na caneta, grafite na lapiseira, bateria no celular e novas ideias na cabeça .

Porque enquanto houver vida, a criatividade nunca perderá a validade.

Eu, eu mesma e minhas neuras

Tem uns dias complicados. Que fazem a gente se esforçar pra manter o equilíbrio.

Pra não jogar tudo por alto. Ficar num cantinho chorando.

Umas horas em que os monstrinhos que vivem na nossa cabeça começam um Carnaval fora de época.

Fazem todo o barulho possível. Impossibilitam os pensamentos de seguirem uma trajetória linear.

E nos caminhos enrolados, as neuras aproveitam essa bagunça e invadem todos os espaços livres entre as curvas  descompensadas da mente.

Se aproveitam de um grão de areia de confusão e montam a praia inteira. Com banhistas falando, ambulantes vendendo.

Toda aquela aglomeração mental. Que, na verdade, só tem uma pessoa envolvida. Mas são tantos personagens que parece que a casa tá cheia.

Abandonada à deriva da mente, com as neuroses falantes. O que se sente é medo. Um frio na nuca. Arrepios.

De um lado ouço julgamentos sobre todas as escolhas. De outro medos e tensões sobre qualquer erro cometido ou possibilidade de erro futuro.

Medos irracionais. Coisas que fazem sentido, mas que não deveriam passar na timeline mental. Outras que só servem pra ruminação nada saudável.

Ai surge a vontade de virar uma bolinha chorona na ponta da cama e, se possível, desaparecer do mundo até que tudo se resolva.

Mas não há como fugir de si. E de todos os inquilinos da terra da ansiedade.

Sem fórmula mágica, o jeito é tentar silenciar, nem que seja um minuto, todas as bobagens ditas.

Não é fácil travar uma batalha quando o oponente conhece todas as suas estratégias, mas não dá pra desistir.

Uma pequena vitória por dia já vale muito. Lutando pra um dia, só ter “eu” dando pitaco na minha cabeça.

Telefone Fixo

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Telefones não são meus objetos favoritos. Definitivamente.

Ironicamente, houve um momento na infância em que um telefone de brinquedo era meu item preferido para horas de distração.

Ao longo dos anos, nossa relação se distanciou. O telefone fixo passou a ser um símbolo das necessidade de interação social ativa. Receber chamadas das amigas, ficar horas a fio falando sobre os acontecimentos do dia.

Algumas vezes isso até aconteceu, mas a pressão de manter toda essa socialização um dia foi pesada demais. Aos poucos, o telefone se tornou um objeto non grato na minha lista.

E assim segue, não gosto de ligar, nem ao menos atender.

Entre as duas opções, fazer a ligação ainda é o pior momento. A suadeira começa, palma da mão, testa e outras áreas críticas que exigem uma reposição de desodorante enquanto aperto os números.

Não me entendam mal, eu não sou anti-tecnologia. Ter o telefone à disposição é uma maravilha. Uma forma de conexão com pessoas que amamos que estão distantes (ou até pertinho, mas infelizmente não vivem embaixo do mesmo teto).

E o celular, minha nossa, é basicamente um membro do meu corpo, com tantas funcionalidades (seja para manter contato ou atividades variadas)! Sou viciada no smartphone. Só não me faça usar para uma das principais razões da sua existência: ligar para as pessoas.

Faço o possível com mensagens, e-mails e até algumas chamadas de vídeo. Admito que, às vezes, sou negligente e demoro mais do que devia, mas eu amo meus humanos e sempre prometo que isso vai mudar (e eles me amam também, porque fingem que acreditam.

Com o avanço da tecnologia, a linha fixa se tornou quase que obsoleta, com exceção das chamadas oferecendo produtos ou de membros mais “antigos” da família que ainda preferem esse meio de comunicação.

No entanto, nos últimos meses (com isolamento e vírus por aí), a linha fixa e seu toque alto tornou-se um alarme, um gatilho, um sinônimo de paúra extrema. E não tem nada relacionado ao contato, mas ao conteúdo.

Ligações na linha residencial, na minha cabeça levemente ansiosa, só pode significar uma coisa: NOTÍCIA RUIM.

Sério, cada vez que toca, o coração dispara, as mãos tremem. O medo de descobrir que alguma coisa terrível aconteceu me faz temer pelo som desse aparelhinho. Porque, convenhamos, que familiar ligaria só para falar que tá tudo bem?

É um pânico diário, passando as horas torcendo para que nenhum som ecoe pela casa.  Vivendo sobre a premissa de “notícia ruim chega rápido” e, para mim, só pode chegar pelo telefone fixo. Quem mandaria um ZAP tenso? (tá, sei que muita gente faz isso, mas entenda, não se trata de lógica…)

Faz bem para mim? Não.

Deveria sofrer tanto com isso? Também não.

Consigo controlar? Eventualmente.

Espero que as pessoas por aí não sofram com isso? COM CERTEZA.

Uma forma saudável de lidar é buscando pessoas (sejam profissionais ou pessoas de confiança) para ajudar a ressignificar isso? SIM SIM SIM!

Nossa cabeça funciona de formas bem diferenciadas às vezes, lidamos com situações e juntamos fatores para explicar alguns medos e ansiedade. Isolados, isso piora ainda mais.

MAAAAAAAAS, nem tudo está perdido, nem pra uma pessoa que tem um medo infinitos de telefones tocando (ou de ligar para os outros).

Se há problema, há solução. É nisso que acredito e essa convicção não vai mudar. Ainda que demore mais tempo do que  gostaria.

O jeito é respirar fundo, torcer pro telefone não tocar e tentar lidar com isso, um número por vez.

Foto por Pixabay em Pexels.com

 

Não tenha medo de mudar de rumo. Você até vai achar algumas vezes que sua hora passou. Tempo perdido. Bobagem! Você não se sentirá velha tão cedo… Aliás, por favor: erre bastante. Quem sabe assim você perde esse medo que bloqueou tantos caminhos. E se perdoe quando isso acontecer.

“Se não fosse por você, eu não estaria aqui: Cartas para quando eu era adolescente”, Vários autores.

Mar de Emoções

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Tem horas que a gente precisa mesmo só aceitar aquela onda de ansiedade que vem. Que bate como se fosse uma rocha sendo atacada na encosta do mar.

Ainda que o nosso equilíbrio mental se torne a areia que nos cerca, assim como uma bela praia, não deve servir como pequenos pedaços de tristeza, mas como um bloco de material no qual pode-se construir lindos castelos.

A areia da nossa mente se junta para criar a base onde vamos nos sentar e apreciar o mar das nossas emoções.

Com o seu ecossistema próprio. E tem tanta coisa pode ser encontrada lá no fundo do mar.

Igual a nossa mente…

Tem tanta coisa lá dentro que precisamos conhecer, desafundar, estudar.

Mas, assim como na água, devemos ir com calma. Para não nos afogarmos nas mágoas ou ficar sem ar somente confiando no quanto podemos aguentar sem ar.

Devemos respeitar esse ambiente, entender que muitas coisas não podem ser decifradas. Aprender a amar mesmo assim.

Porque não importa se estiver revolto ou calmo. Sempre será um lugar lindo. Cheio de possibilidades, recordações maravilhosas e muito amor.

Por isso, não desmereça os seus maremotos, nem subestime o seu mar de emoções. Somente aceite. Mantenha a distância quando necessário.

E, se possível, aprenda a surfar naquelas em que tiver mais confiança.

Se não souber nadar, encontre um profissional que te ajudará a entrar nessas águas sem se afogar. Nunca é tarde para aprender!

Somos 70% água, né? Então, bora colocar o nosso barquinho para navegar e descobrir novos horizontes que ainda estão escondidos nesse mundo líquido.

Foto por Ricardo Esquivel em Pexels.com

Página Vazia

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Encaro a tela.

Busco as letras tentado formar palavras, frases, parágrafos.

Entre vogais e consoantes, procuro um som que ecoe na minha cabeça e se transforme em algo que faça sentido.

Sílabas não se conectam, expressões não se formam.

Um bloqueio que invade o corpo todo, trava as minhas mãos.

A falta de foco que me impede de transformar qualquer pensamento em uma linha de texto.

Buscando entre os nós da minha própria mente um caminho que me leve de volta até a fonte de inspiração. Que me ajude a retornar às raízes da criação.

Mas a tela em branco está vazia e cheia ao mesmo tempo.

Sem nada escrito, mas com tanta coisa subentendida.

Meus medos, minhas frustrações, minhas angústias.

Não conseguir me expressar é o mesmo que estar presa em minha própria existência.

A página vazia traz um silêncio ensurdecedor das minhas próprias ideias, amuadas, encolhidas em um canto sem saber quando poderão ver a luz do dia.

Em dias bons, ela é um mar de infinitas possibilidades.

Hoje é uma ilha de isolamento, que não me deixa encontrar a saída no fim de um horizonte infinito de água e solidão.

E, ainda que enfrentá-la me cause pavor. O melhor a fazer é seguir, escrever, lutar contra ela.

Tentar vencê-la pelo cansaço. E é isso que eu vou fazer.

Digitar até que a tela em branco se torne uma quadro com a pintura de caracteres da minha escrita.

Até que as vozes gritando sejam ecos de comemoração de todos as histórias que enxergam, pelo buraco  da fechadura, a chave chegando.

Sim, tem dias em que não dá nem pra formar uma frase com facilidade. Que é preciso arrancar cada letra pela ponta dos dedos.

Mas, mesmo assim, chego até o fim da página. E pronto.

E ponto final.