Novos Truques

Quem disse que cachorro velho não aprende novos truques?

Ainda que acredite que já passou tempo demais e não dá mais para fazer nada, a famosa premissa do “é o que tá tendo”, sempre há possibilidade de evoluir, ter aprimoramento pessoal, aprender algo.

E essa quarentena de mais de 40 dias tem ensinado tanta coisa.

Acreditem, pode parecer pequena, mas toda mini-vitória deve ser celebrada. Todo novo aprendizado deve ser comemorado! Porque não tem sido um período fácil.

Eu que nunca tinha feito café, aprendi, fiz a primeira, a segunda, a centésima xícara.

Quebrei a cafeteira, aprendi a usar o filtro. Troquei o papel pelo pano.

Para quem nunca tinha feito um prato além de arroz e preparo de itens no micro-ondas, fiz meu primeiro macarrão com molho que ficou aceitável ao ponto de não matar ninguém que o consumiu.

A pessoa com zero foco para ouvir audiobooks já terminou 3 e tá indo em direção a mais um final!

Se a responsabilidade parental de felinos parecia complicada, uma casa cheia de animais é um desafio. Mas, nenhum fica sem água, alimentos e remédios sob a visão atenta de que foi deixado cuidando de um mini-zoo.

E, se não havia possibilidade de começar um novo curso a longo prazo depois de “velha”, essa que vos fala riu na cara do perigo e começou mais uma graduação.

Todas essas mini atividades não parecem nada mais do que a obrigação de uma ser humana vivente, pagador de impostos e dito morador da Terra que deve buscar pela constante evolução.

Mas não é assim que funciona, não tá dando pra vencer todo dia. Se há um minuto de equilíbrio, já tô no lucro.

Por isso, largando a mania de grandeza do aprimoramento individual, aprendi a celebrar cada um dos pódios dessa vida. Seja aquele cafezinho ou o próximo bacharelado.

Sabe por quê? Porque não estamos num sistema de pontuação (desculpa, The Good Place), e devemos só aproveitar cada momento, sem querer colocar um valor maior ou menor. Toda conquista é válida.

E todo aprendizado é valorizado!

Então, chamando todos os doguinhos-humanos do mundo. Bora aprender todos os truques que quisermos! Sejam eles grandões ou pequenininhos. São todos válidos!

Foto por Peggy Anke em Pexels.com

Fechando ciclos

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Foto por JTMultimidia em Pexels.com

Com toda essa onda nostálgica que tem acometido muita gente, tem sido quase que catártico pensar em tudo o que fizemos até esse momento de “isolamento (in)voluntário”

Sinto, depois de tantos dias só comigo mesma, que este é um fechamento de ciclo.

E a epifania não vem depois de meses estudando com os monges budistas, mas vendo uma novela que comecei há anos (um dos muitos itens entre filmes, novelas e outras produções que eu comecei e larguei ao longo dos anos). Quando meus sonhos eram grandes e a idade, em numeração, menor.

E o que sempre carreguei como a tristeza por ter deixado aquela menina decepcionada se tonou a constatação de que não foi tempo perdido, como diria Legião Urbana.

Alguns sonhos foram adiados, outros guardados em caixinhas de lembrança. O problema não foi o que deixei de fazer, foi não ter me adaptado à nova realidade para que pudesse criar outras oportunidades, um novo eu.

Pensando e matutando sozinha em minha mente, ao terminar coisas que há tento tempo comecei, percebo que estou encerrando um ciclo para aquela pessoa. Dando um final digno para uma série que teve sua temporada encurtada, por qualquer que tenha sido o motivo.

Percebo que nada foi em vão. E que não me arrependo de nenhuma decisão. Tudo o que eu escolhi, os passos que dados, foram importantes e me levaram até onde eu precisava chegar.

E a decepção que carregava, era obra da minha cabeça que ficou parada na mente daquela garota cheia de sonhos. Ela esqueceu de crescer junto comigo.

A evolução segue como a caminhada, no ritmo e na capacidade das nossas pernas. Os passos são dados e a agilidade depende do quanto conseguimos andar ou correr. Por isso, não podemos nos basear nos passos alheios. São as nossas pernas que dão o ritmo. E as minhas pernas, ainda que curtam, tem feito um excelente trabalho até aqui.

E nessa jornada, com pedras no caminho, ladeiras e tudo mais, só levo amor e aprendizado, com os erros e acertos, as pessoas que eu conheci, o que vivi e quem me tornei.

Nostalgicamente, vou encerrar esse ciclo, com todos os episódios que faltam e guardar no coração esses personagens da ficção e a personagem que um dia fui. Que agora não sou mais eu, mas que me sempre fará parte de mim.

Agradeço por me acompanhar e estou orgulhosa de quem fui e ansiosa para saber quem serei daqui para frente.

Amizades pelo caminho

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Foto por Belle Co em Pexels.com

A vida segue.

Isso é fato. Quando menos esperamos, percebemos que ela passou correndo pela gente. Tipo o Sonic. Nem deu tempo de perceber, tamanha agilidade de suas perninhas de dias, horas e segundos contados no grande relógio da nossa existência.

São tantas fases, emoções, vivências… e, é claro, pessoas! Aqueles que encontramos no meio do caminho tortuoso de desenvolvimento e evolução. Gente que nos ajuda a superar desafios, que acompanha na dor e na alegria.

Tantas  pessoas especiais que nem cabem nas poucas linhas desse texto, mas sempre terão espaço dentro do coração! Porque foram importantes à época e serão para sempre.

Infelizmente, alguns grandes amigos, melhores até (como dizíamos na infância e adolescência, principalmente), acabam não seguindo conosco. Escolhas, necessidades ou quaisquer outros fatores são responsáveis pelo distanciamento.

Ainda que vivamos em um mundo de contatos ágeis, conexão e internet, muitas coisas mudam. Os laços se transformam. Mas não retornam como antes. Amigos inseparáveis se tornam somente conhecidos dentro daquela rede social.

Mas também existem casos daqueles que se reencontram e vivem novamente a glória da amizade como se nenhum segundo tivesse passado. Não podemos descartar esses casos! E, se um dia quiser retornar o contato, por que não tentar/? Pode se surpreender.

De qualquer maneira, é saudável entender que o fim de relações, amor ou amizade, pode ser doloroso, mas é natural entre os ciclos da vida. E, ao invés de pensar naquilo que não temos mais, que tal agradecermos pelos momentos compartilhados?

Gratidão pelas risadas, pelo companheirismo. Os abraços, os sorrisos, as conversas.

Da experiência que tivemos, devemos levar o melhor. Fechar cada etapa com chave de ouro. Se houve alguma briga que não faz mais sentido, desapegue. Perdoe. Não leve para frente um sentimento ruim.

Faça as pazes com a pressão de ter um milhão de amigos e que eles sejam da infância à velhice. Algumas pessoas têm isso. Outras não. Paremos de embasar a sua existência a partir do outro.

Adoramos manter nossos humanos amados por perto. Mas, na eventualidade da separação, não se preocupe, as boas lembranças nunca vão embora.

Se tem algum arrependimento que possa ser corrigido, não deixe para amanhã. Mas entenda que nem tudo é sua responsabilidade e o fim de algo pode ser só o caminho correto a se seguir.

Seja feliz e emane felicidade a quem um dia esteve com você. Porque foi especial e nada vai mudar isso.

Aos amigos que não tenho mais. Pela distância, pelos mudanças de sentido, pelo crescimento destoante ou só perda de contato pelo tempo: obrigada. Nenhum será esquecido e ficarei contente se reencontrá-los em algum momento da trajetória.

Peço desculpas a todos aqueles cujo contato foi perdido por negligência, por não dispor tempo ou atenção para cuidar desse vínculo. Espero que possam conservar o mesmo afeto que eu pela fase em que estivemos unidos.

Sou grata por colaborarem para que eu me tornasse quem eu sou.

Quem ainda está por aqui. Agradeço imensamente pela parceria e que os bons ventos nos levem até onde precisamos ir!

Como diz a música, cêis tão guardados no lado esquerdo do peito. TODOS VOCÊS.