Contato de Emergência

Naquele momento de necessidade, tensão e perigo (pode ser um risco baixo ou altíssimo).

Quando tá tudo desmoronando, uma bagunça sem precedentes e não dá pra saber como resolver problema. O caminho está travado, cheio de pedras em empecilhos (sejam eles reais ou frutos da cabeça de quem o sofre).

E é nessa hora de desespero que vem À mente a alma boa que pode colaborar com as coisas. A primeira ligação, quem salva a pátria.

O indivíduo que terá a solução ou, pelo menos, vai deixar os amigos chorem em seu ombro caso tudo dê errado.

Se você é essa pessoa, sabe o que eu tô falando .

Cê é o famoso contato de emergência.  O adulto responsável. 

Mas não é todo mundo que pode ser assim.

Com a plenitude de quem mantém a calma mesmo com a desinteligência mais preocupante.

É triste descobrir que nunca será você esse ser iluminado. 

Dá a impressão de que algo faltou na sua organização interna. Como se um dos componentes de humanidade estivesse em falta na hora de te fabricar.

Queria tanto, mas nunca serei o contato de emergência de alguém.

Não tenho o tempo de resposta necessário, provavelmente, nem a parcimônia.

É #chateante saber que nunca poderão depender de mim para ajudar (ou atrapalhar) em um momento problemático.

Não sou responsável, disponível. Acessível.

Ainda que tenha tantas possibilidades de contato, sou como um telefone fixo.

Sabe quem tá lá, mas não vale tentar. 

Sinto muito por todos que me conhecem. Por não poder ser a pronta ajuda.  A pessoa que vocês merecem

Mas, se precisarem de um retorno em até 72h, talvez (TALVEZ), eu consiga.

Vou trabalhar isso aqui dentro.

Enquanto isso. Agradeço a todos os meus contatos de emergência.

Vocês são seres iluminados que me impedem de cair no buraco da vida.

Pessoa em Caquinhos

Sou uma pessoa remontada

… quebrada, desconjuntada.

Colada com os pedacinhos das minhas inúmeras desconstrução e destruições.

Minhas partes já se esptiifaram. Terminaram completamente espalhadas pelas quinas, vãos e valas desse mundão.

Foram tantas vezes que nem sei qual a ordem original das peças desse meu quebra-cabeça interno.

Cada nova montagem deixa suas marcas, seus vazios, ocos. Sombras e lembranças daquilo que esteve lá um dia. Onde, agora, tem só um vácuo. Espaço perigoso para ser atingido, deixando partes sensíveis desprotegidas.

Como um espelho, mesmo retornando a forma, todas as suas rachaduras são visíveis.

Nessas brechas, as vulnerabilidades estão à mostra. Disponíveis para quem quiser invadir, ferir. As barreiras ficam fracasso nesses lugares. Faltam muros e proteção.

Que trabalho de manter tudo inteiro, nem que seja por um tempo. Já é uma vitória não sair por aí soltando umas pecinhas a cada passo.

Algumas áreas são mais complicadas de manter em ordem, ou melhor, em algum tipo de ordenação.

A cabeça está com os parafusos espanados, o coração coração não tem mais chave…

Todo o sistema se mantém em alerta, o tempo todo.

Um sinal de perigo e já tem cola, fita crepe e durepoxi na bancada. 

Vassoura pra cá, a pazinha para lá. 

Num furacão de emoções, tudo retoma o lugar aos poucos. (Com alguns danos. Nada fatal, eu acho).


Quebrada, mas não inutilizável. 

Recomeça, recolhe e respira.

Distrai, redefine e foca.

Ajeita. Organiza. Segue.

Junta os caquinhos. Sai correndo para encontrar aquele que fugiu para trás da estante. Lembrando de nunca correr nenhum para baixo do tapete!

Alguns remendos serão eternamente aparentes, mas me tornam única.

Em pedaços, mas viva.  Em uns dias, realmente vivendo. Em outros, só sobrevivendo. O importante é não parar, certo?

Lutando para não perder nenhuma parte, mas sempre com a caixa de ferramentas na bolsa. (Principalmente a fita crepe!!)

Mesmo Caminho, Destinos Diferentes

Você me disse que aquele parecia o fim da estrada. Não havia mais como seguir.

Eu te disse que entendi, mas não precisávamos separar a equipe. Bastava tentar uma rota alternativa.

Você aceitou a premissa de um caminho que não terminasse como o plano original. Valia a tentativa.

Seguimos em frente, sabendo que chegaríamos a última parada eventualmente.

Eu aceitei e preferi acreditei que a companhia seria o bastante para suportar a longa viagem porque, depois de tanto tempo, a caminhada solitária era algo assustador para lidar.

Reconectamos o GPS e retornamos à estrada. Rimos, mudamos as estações de rádio, observamos os outros veículos.

Você falou que aquela era uma experiência única e que gostava de compartilhá-la comigo.

Eu sorri e deixei que conhecesse um pouco mais de mim, coisas que não havia  dividido antes pelo medo de não ser uma boa passageira na aventura.

Todas as curvas, os problemas em potencial, estresses que eu costumava ter ao ver alguém tomando o volante se aquietavam enquanto você ria e tirava o meu nervosismo com histórias engraçadas e ideias de novas jornadas.

Te deixei seguir as rotas traçadas em mapas que nunca soube ler.

Você se cansou e quis um tempo de silêncio.

Eu deixei a música tocar ao fundo e me embalei com o ritmo que parecia certo.

Você decidiu parar para abastecer enquanto eu comprava salgadinhos na loja de conveniência.

Demorei para escolher e percebi que, na verdade, eu não sabia do que você realmente gostava. Nem lembrava mais do que eu queria.

Vocẽ me olhou e entendeu a dúvida. Naqueles segundos, eu percebi, tinha acabado.

Fiquei para pagar e já sabia o cenário do lado de fora. Tinha certeza do que ia encontrar… ou não encontrar…

você.

Que seguiu viagem sem mim.

Nunca mais te vi. Você não voltou. Nem olhou para trás (ou se certificou de que eu ficaria bem).

Fiquei parada, sozinha. Pensando porquê não sai do carro antes? Se tinha valido a tentativa.

Foi arriscado, mas cheguei intacta ao destino. Pena que não era o mesmo que planejamos. Espero que tenha encontrado o seu também.

Não me arrependo da jornada, somente de como acabou.

Ainda busco a minha rota oficial, mas, enquanto isso, tô tentando aprender a ler os mapas sozinha.

Universo Paralelo

Você se distanciou tanto que agora já não consegue voltar.

Criou um espaço seguro no qual seu coração nunca seria partido e suas esperanças teriam combustível eterno.

Um local perfeito, nas condições ideais para sobreviver.

Só tem um problema pequeno.

… miudinho.

Quase invisível.

Aquilo que ficou na entrelinha. O asterisco no contrato (o rodapé que ninguém lê. Ou o Termo de Uso que todo mundo só aceita)

NADA DISSO É REAL!

Todo sofrimento, dor e rejeição. Medo…

…de falhar, de não ser o suficiente. Isso fez com que inventasse um muundo imaginário. Lá nada te atinge.

Mas, em alguns momentos, você se prende na cela da sua segurança. Cria expectativas absurdas, uma realidade diferente, amores impossíveis e platônicos. Porque, assim, nunca vai se decepcionar.

E agora, você está perdida dentro do universo paralelo onde tudo parece maravilhoso.

Só que o mundo original tá aqui te esperando. Com todas as imperfeições problemas e derrotas. E também as belezas, alegrias e vitórias.

Sentimentos verdadeiros. Nem sempre bom, mas reais!

Sei que é agradável e muito mais confortável viver nas histórias em sua mente, isolada do que te assusta.

No entanto, no fim, o que levamos da vida são as experiências, sejam boas ou ruins.

Então, sobe de volta pelo buraco, Alice. Deixa o coelho correr atrás do tempo. Foge dessa continente fantasioso e viva de verdade.

Eu lembrei

Como eu tinha esquecido disso?

Estava aqui o tempo todo, meio escondido embaixo de tantas camadas.

Mas era exatamente da forma como eu havia deixado.

Tava lá, esperando que eu encontrasse.

E como fui nó-cega durante todo esse tempo.

Nem sabia que tava perdido até reencontrar. Sabe aquela famosa frase: Cê vai achar quando não estiver procurando’?

Então, é isso mesmo.

E eu lembrei.

Mas não foi tudo de uma vez não, tipo uma epifania.

Foi aos poucos, gradativo como um sonho que a gente vai recordando logo após acordar. E que precisa se esforçar para não despertar o suficiente até esquecer.

Ai eu lembrei.

Juntando os pedaços como se fosse um pequeno quebra-cabeças

Primeiro as peças mais fáceis no canto. As que a gente distingue sem problemas entre as outras.

Depois vieram as partes complicadas, aquele céu tudo igual, os pedacinhos de grama.

E tudo se formou novamente.

Foi uma foto primeiro, uma pequena recordação de tempos”antigos”.

Depois alguns textos, mensagens salvas.
O coração ficou quentinho, inundado com a nostalgia.
Até que, por fim, a onda me atingiu.
Uma música, Sentimentos poderosos.

E o retorno a mim. O encontro com o meu eu.

Porque ficar sem isso me tornou uma estranha durante certo tempo.

Mas agora. Eu LEMBREI.

De quem eu era, de quem eu sou. A minha essência. Que foi sugada pelo dementador da vida adulta em algum momento.

Daquilo que eu amo, o que me deixa animada, o que me inspira a levantar todo dia e fazer o melhor que eu posso.

A pessoa que eu sempre tive orgulho de ser e quem eu deveria cuidar e evoluir ao longo dos anos.

Mas ela ficou guardada tanto tempo. Tá empoeirada e meio tristonha.

Ela é ótima, e vai adorar conhecer esse novo mundo. E virar o Megazord da minha própria existência.

Só que agora eu lembrei, gente. E jamais esquecerei.

Sinal de vida

Que uma coisa fique bem clara: eu sou péssima mantendo contato. (É um processo em andamento,vou conseguir melhorar. É uma meta a longo prazo!!

Não é falta de amor ou preocupação pelos humanos que moram no meu coração.

Eu tenho muito apreço por tantas pessoas, mas nem sempre consigo conversar, ver como as coisas estão, ligar, sair e socializar.

Meus amigos, neste dia em que celebramos este laço importante, queria agradecer por toda paciência e dizer que deveríamos funcionar no modo banco/aposentado ⇒ com prova de vida. HAHAHA.

Porque ainda que eu seja um serzinho terrivelmente isolado, com tendência a me afundar num mindinho paralelo,  eu realmente gostaria de saber como as pessoas estão.

Mas com que moral a gente chega numa pessoa três anos depois e pergunta se tá tudo bem? Não tem, né?

Ironicamente, qualquer pessoa que vier falar comigo, seja depois de 5654346 anos de conversas atrasadas ou só algumas horas, vou gostar. (E nem sempre responder na hora, mas vou ficar feliz. Entendem a problemática da coisa?)

Queria ser melhor nesse quesito, nunca deixar as pessoas sem respostas, demorar menos de 24 horas para retornar, dar o sinal de vida que tanto desejo que meus amigos e amigas deem.

Só que, enquanto eu sigo sendo essa pessoa terrível, só têm uma coisa a fazer neste Dia do Amigo: mandar um muito obrigada a todos os humanos, felinos e seres ou objetos aleatórios que eu considero parceiros essa jornada maluca gentilmente apelidada de vida! Sem a companhia, apoio, risadas, conselhos e abraços de vocês, eu não seria nada.

E mesmo quando eu tomo chá de sumiço, leio e não respondo ou deixo as mensagens pela metade, ainda assim amo muito cêis tudo. Desculpa os vacilos, os esquecimentos e a demora. Saibam que cêis nunca saem do meu coração.

Valeu por me aguentarem, impedirem que eu desista… por serem inspiração, orgulho e porto seguro.

Amo cada um de vocês especialmente espero que sempre deem sinal de vida. 🙃💛

Reflexo de uma pessoa

Em alguns momentos eu não sei se sou uma pessoa real ou só um reflexo de alguém que eu deveria ser.

Uma casca. Somente levada por aí pelo vento.

Sobrevivendo ao invés de desfrutando a vida.

Deixando passar grandes oportunidades na vida pelo simples medo de fracassar.

Mas, o que é o fracasso se não algo inventado pelo próprio humado para medir uns aos outros?

Uma forma maldosa de rotular a tentativa que não gerou o resultado que era esperado,

E por temer esse terrível fantasma que assola a alma da pessoa ansiosa, o melhor (pelo menos, na cabeça dessa mesma pessoa), é se manter escondida de tudo que passa um assustados e, potencialmente, dar muito errado.

Infelizmente, também significa barrar tudo aquilo que pode em MUITO bom. O sucesso vem da luta para que se arrisca.

Se arrisca exige dar um passo adiante, rumo ao desconhecido.

Mas quem disse que certa pessoa ansiosa consegue?

Presa às amarras invisíveis de sua procrastinação. Atordoado pelos gritos do sua mente que insiste em dizer que nada vai mudar e é melhor seguir assim.

Garantir o conforto acomodado. Muito mais vantajoso do que a derrota que pode acontecer, né?

No entanto, ainda que pareça uma feliz experiência segura, essa redoma aliena, afasta que tenta se aproximar.

Vendo o mundo e as pessoas como se fossem personagens de uma série. Torcendo e desejando o melhor, mas nunca se aproximando o suficiente para estar ao lado deles nessa batalha diária.

Nenhuma relação ou sentimento ultrapassa a fase superficial. E, eventualmente, ter mina bem tem nem começado.

Ou triste se torna a vida de um isolamento voluntário, de quem não tem coragem de se aprofundar no mar de vida por medo de se afogar.

Termina assim, com o coração doendo, encarando o nada, pintando em tudo que poderia ter lido um dia.

Mas sabendo que é, somente, um zumbi andando por aí. Só o reflexo de uma pessoa real.

Esperande o dia em que terá a coragem para se tornar alguém de verdade.

É preciso ter força…

é preciso ter raça… gana sempre!

Como bem expressa a música, tem que vir com uns adicionais de instinto, força e sobrevivência para ser mulher!

Dotadas de talentos multifuncionais, nesta semana em que celebramos o Dia Internacional de Mulher, penso em todas aquelas que que inspiram, apoiam e dão o incentivo para que as outras não desistam.

As que não soltaram as mãos umas das outras, as que abriram caminho para que tivéssemos direitos, as que perderam a vida pela nossa existência atual. Todas as que seguem em seus campos de batalha particulares ou coletivos, ameaçadas, feridas ou derrubadas…

São exemplos, inspirações. Guerreiras pela liberdade e um mundo melhor. Mais justo.

São mães, irmãs, amigas, parceiras. Munidas de palavras de afeto, mantém a chama de sororidade acesa. Impulsionam aquelas que estão ao seu lado, acompanham a caminhada

Não é fácil. Cada uma conhece a sua luta, suas dificuldades. Nesta semana de celebração, vamos olhar para todas as desbravadoras do dia-a-dia. Nossas grandes mulheres, as que estão perto ou longe.

Jornadas duplas, tarefas acumuladas. Nosso Norte, nossas broncas e conselhos. Nosso orgulho.

Gratidão eterna para as “mulheres-maravilha” desse mundo. As que estão sob holofotes ou as que levam a mudança nos bastidores da vida.

Obrigada por tudo. Por irem à luta, mesmo com medo e sem perspectiva de vitória.

Ainda falta muito. Quantas de nós sofrem diariamente? Perdem suas vidas, suas luzes.

Por isso, sejamos hoje e sempre, as chamas que acendem na luz na escuridão. Emanando amor e lutando por todos. Que ninguém fique para trás!

Que a semana traga debates, conversas e diálogos, É potencial para evolução positivas.

Enquanto seria, que não falte força para transformar o mundo em um lugar seguro e cheio de amor!

Página Vazia

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Encaro a tela.

Busco as letras tentado formar palavras, frases, parágrafos.

Entre vogais e consoantes, procuro um som que ecoe na minha cabeça e se transforme em algo que faça sentido.

Sílabas não se conectam, expressões não se formam.

Um bloqueio que invade o corpo todo, trava as minhas mãos.

A falta de foco que me impede de transformar qualquer pensamento em uma linha de texto.

Buscando entre os nós da minha própria mente um caminho que me leve de volta até a fonte de inspiração. Que me ajude a retornar às raízes da criação.

Mas a tela em branco está vazia e cheia ao mesmo tempo.

Sem nada escrito, mas com tanta coisa subentendida.

Meus medos, minhas frustrações, minhas angústias.

Não conseguir me expressar é o mesmo que estar presa em minha própria existência.

A página vazia traz um silêncio ensurdecedor das minhas próprias ideias, amuadas, encolhidas em um canto sem saber quando poderão ver a luz do dia.

Em dias bons, ela é um mar de infinitas possibilidades.

Hoje é uma ilha de isolamento, que não me deixa encontrar a saída no fim de um horizonte infinito de água e solidão.

E, ainda que enfrentá-la me cause pavor. O melhor a fazer é seguir, escrever, lutar contra ela.

Tentar vencê-la pelo cansaço. E é isso que eu vou fazer.

Digitar até que a tela em branco se torne uma quadro com a pintura de caracteres da minha escrita.

Até que as vozes gritando sejam ecos de comemoração de todos as histórias que enxergam, pelo buraco  da fechadura, a chave chegando.

Sim, tem dias em que não dá nem pra formar uma frase com facilidade. Que é preciso arrancar cada letra pela ponta dos dedos.

Mas, mesmo assim, chego até o fim da página. E pronto.

E ponto final.