Telefone Fixo

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Telefones não são meus objetos favoritos. Definitivamente.

Ironicamente, houve um momento na infância em que um telefone de brinquedo era meu item preferido para horas de distração.

Ao longo dos anos, nossa relação se distanciou. O telefone fixo passou a ser um símbolo das necessidade de interação social ativa. Receber chamadas das amigas, ficar horas a fio falando sobre os acontecimentos do dia.

Algumas vezes isso até aconteceu, mas a pressão de manter toda essa socialização um dia foi pesada demais. Aos poucos, o telefone se tornou um objeto non grato na minha lista.

E assim segue, não gosto de ligar, nem ao menos atender.

Entre as duas opções, fazer a ligação ainda é o pior momento. A suadeira começa, palma da mão, testa e outras áreas críticas que exigem uma reposição de desodorante enquanto aperto os números.

Não me entendam mal, eu não sou anti-tecnologia. Ter o telefone à disposição é uma maravilha. Uma forma de conexão com pessoas que amamos que estão distantes (ou até pertinho, mas infelizmente não vivem embaixo do mesmo teto).

E o celular, minha nossa, é basicamente um membro do meu corpo, com tantas funcionalidades (seja para manter contato ou atividades variadas)! Sou viciada no smartphone. Só não me faça usar para uma das principais razões da sua existência: ligar para as pessoas.

Faço o possível com mensagens, e-mails e até algumas chamadas de vídeo. Admito que, às vezes, sou negligente e demoro mais do que devia, mas eu amo meus humanos e sempre prometo que isso vai mudar (e eles me amam também, porque fingem que acreditam.

Com o avanço da tecnologia, a linha fixa se tornou quase que obsoleta, com exceção das chamadas oferecendo produtos ou de membros mais “antigos” da família que ainda preferem esse meio de comunicação.

No entanto, nos últimos meses (com isolamento e vírus por aí), a linha fixa e seu toque alto tornou-se um alarme, um gatilho, um sinônimo de paúra extrema. E não tem nada relacionado ao contato, mas ao conteúdo.

Ligações na linha residencial, na minha cabeça levemente ansiosa, só pode significar uma coisa: NOTÍCIA RUIM.

Sério, cada vez que toca, o coração dispara, as mãos tremem. O medo de descobrir que alguma coisa terrível aconteceu me faz temer pelo som desse aparelhinho. Porque, convenhamos, que familiar ligaria só para falar que tá tudo bem?

É um pânico diário, passando as horas torcendo para que nenhum som ecoe pela casa.  Vivendo sobre a premissa de “notícia ruim chega rápido” e, para mim, só pode chegar pelo telefone fixo. Quem mandaria um ZAP tenso? (tá, sei que muita gente faz isso, mas entenda, não se trata de lógica…)

Faz bem para mim? Não.

Deveria sofrer tanto com isso? Também não.

Consigo controlar? Eventualmente.

Espero que as pessoas por aí não sofram com isso? COM CERTEZA.

Uma forma saudável de lidar é buscando pessoas (sejam profissionais ou pessoas de confiança) para ajudar a ressignificar isso? SIM SIM SIM!

Nossa cabeça funciona de formas bem diferenciadas às vezes, lidamos com situações e juntamos fatores para explicar alguns medos e ansiedade. Isolados, isso piora ainda mais.

MAAAAAAAAS, nem tudo está perdido, nem pra uma pessoa que tem um medo infinitos de telefones tocando (ou de ligar para os outros).

Se há problema, há solução. É nisso que acredito e essa convicção não vai mudar. Ainda que demore mais tempo do que  gostaria.

O jeito é respirar fundo, torcer pro telefone não tocar e tentar lidar com isso, um número por vez.

Foto por Pixabay em Pexels.com

 

O terrível fenômeno da autossabotagem

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Você cria centenas de listas, metas e desafios.

Pesquisa, sonha e sempre fala sobre tudo aquilo que deseja fazer.

Reclama da mesmice, afirma que em breve vai colocar em prática as milhares de ideias que estão anotadinhas naqueles cadernos e papéis jogados pelas caixas do quarto.

São recortes brilhantes de algo que nunca vai sair do universo idílico.

E sabe por quê?

É o fenômeno da autossabotagem. Desistir antes mesmo de tentar já que não há derrota se não houver jogo.

A necessidade que tem de colocar barreiras intransponíveis em tudo o que quer fazer. De encontrar detalhes que impossibilitem aquela viagem, a mudança de visual ou o novo emprego.

É a sua voz interior que diz que tudo vai dar errado, que é melhor seguir naquilo que está indo relativamente bem, ainda que isso destrua pouco a pouco a sua alma.

Vale a pena viver assim? Ou melhor, só sobreviver? Cortando as asas da imaginação, deixando os sonhos de lado, desistindo antes mesmo de começar?

Já existe tanta pressão no mundo para que sejamos um sucesso, alguns com fama, dinheiro e posses, outros com a pintura perfeita de família e educação conquistadas com bases em sei lá o quê.

Tentamos nos espelhar nos outros, viver através dos fragmentos da existência alheia, colocando as pessoas em outros patamares. Pódios… em lugares que imaginamos serem impossíveis de chegar.

Como se fosse um caminho longo demais. E nossas frágeis pernas não aguentar. Nunca chegará até aquele ponto.

Sabe qual a pior parte? É verdade. Se não tentar, não chega mesmo. E se a voz irritante, que achamos que é a consciência sendo racional, mas é só a nossa autossabotagem falando bobagem for a única coisa que ouvimos, o futuro é ficar estancado.

Em situações incômodas, em vidas monótonas ou tristes. Não importa o quanto planeja, se não colocar algo em prática, nada vai sair do papel.

Não precisa ser algo enorme. Basta dar um passinho. Escolher um sonho simples e tentar. Porque a vida só vale a pena quando é realmente vivida.

Autossabotagem é um sistema de proteção, para evitar o “fracasso”. Mas nunca chegaremos ao sucesso se não tentarmos alguma coisa, né?

É difícil? CLARO

Vai ser trabalhoso mudar? SIM

Demora? TAMBÉM

Mas vale a pena? COM CERTEZA

Todo mundo é especial de alguma forma e o mundo é um lugar melhor quando acreditamos no nosso potencial. Se nós não formos os primeiros torcedores, como esse time vai vencer?

Se algo é bom e faz bem, bora tentar! Não deixe o medo interno te dizer que não pode ir atrás daquilo que deixará seu coração quentinho (e, quem sabe, ajudar outras pessoas no caminho?)

Foto por Ankush Rathi em Pexels.com

 

Se não fossem vocês…

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Hoje não tem crônica. Mas não necessariamente estaremos sem texto.

Porque hoje tem uma carta aberta de agradecimento. Um enorme obrigada que vem na sequência de um dia em que celebramos pessoas muito importantes.

Aquelas que sempre nos indicam os buracos pelo caminho. E dão risada e falam “eu avisei” quando nós, fatalmente, caímos em alguns deles.

São os irmãos selecionados fora da árvore genealógica, que nos acompanham por esse caminho maluco que carinhosamente chamamos de vida.

Sério, o que seria de cada um de nós se não existissem esses seres iluminados que insistem em ficar ao nosso lado mesmo nos piores dias, seja o mal humor de um estômago vazio até o choro compulsivo de uma perda terrível.

Nesse período de isolamento, não são somente humanos que nos acompanham e aconselham, mas também servem como a base para aqueles momentos de surto, quando precisamos de uma consulta psicológica gratuita ou somente uma companhia para assistir a um filme e esquecer por algumas horas toda essa situação assustadora que vivemos.

Só agradecimentos a todos os humanos que estão sempre dispostos a fazer uma piada para tirar um sorriso e iluminar um dia cinzento, aos que têm os melhores (ou piores) conselhos do mundo), aos que ficam cheios de orgulho quando dividimos as nossas alegrias e nos ajudam a buscar os caquinhos quando o nosso coração se parte. Seja para ir a um rolê que é furada, um cinema numa sessão cedo demais, um show que dá preguiça de ir, mas que vai só para constar, um aniversário que nunca esquece. A disposição dos amigos é algo incomparável. (e as desculpas para não sair também)

Ao longo da vida, muito passam pela gente. Alguns ficam, outros infelizmente se perder, mas cada um deles é especial da sua própria maneira. E se não fosse pela ilustre presença em nossa caminhada, tudo seria muito diferente.

Obrigada a quem não desistiu quando tudo ficou mais complicado, que entendeu a distância eventual e lutou para que os laços nunca se rompessem.

Amizade verdadeira é uma parceria que nunca tem fim, um companheirismo que transpõe as barreiras do tempo!

Hoje e sempre, ter pessoas assim faz com que o fardo do dia a dia seja menos pesado. Sinto uma gratidão enorme por todo mundo que eu tenho a honra de chamar de amigo.

Presencial ou à distância, sua existência é motivo de alegria eterna. Se não fossem vocês, estaria perdida.

Foto por Rhiannon Stone em Pexels.com

Piloto Automático

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Vivendo de forma medíocre.

Nunca saindo do raso nos relacionamentos, nas interações, nos estudos, nas tentativas.

O que eu vou fazer quando não der mais tempo de tentar?

Quando as oportunidades forem embora e eu perceber que realmente eu esgotei todas as possibilidades?

Alienei as pessoas.

Afastei quem tentou se aproximar.

Não plantei as sementes e agora estou em um jardim solitário e inabitado?

O que eu faço? Para onde eu corro se as pernas já não tem mais forças, os olhos não enxergam, a voz não sai?

Presa. Isolada.

Sentenciada pelas minhas próprias ações (ou a falta delas)

Deixei esse veículo no piloto automático, mas não escolhi o destino.

Estou fadada a rodar por esse mundo. Até a gasolina acabar.

Indo por uma estrada que não sei onde termina, mas os mapas parecem já estar pré-selecionados, o caminho todo alinhado.

Sem paradas, sem novidades, sem companhia.

E nada vai mudar. A não ser que eu assuma o controle. Entenda a rota.

Por quantos quilômetros eu me deixei levar? Em que lugar desconhecido eu parei?

A partir de agora, eu comando. O caminho adiante é um mistério, mas que será desvendado aos poucos. Vivido. Aproveitado.

Olhos abertos às maravilhas que posso encontrar no caminho. Levando lembranças de cada parada, não deixando as pessoas para trás, mas trazendo todos dentro da cabeça e do coração.

Não será mais uma fuga desenfreada, agora é uma viagem em busca do autoconhecimento.

Assumindo a direção. Pilotando a própria vida.

Foto por Matheus Bertelli em Pexels.com

Fechando ciclos

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Foto por JTMultimidia em Pexels.com

Com toda essa onda nostálgica que tem acometido muita gente, tem sido quase que catártico pensar em tudo o que fizemos até esse momento de “isolamento (in)voluntário”

Sinto, depois de tantos dias só comigo mesma, que este é um fechamento de ciclo.

E a epifania não vem depois de meses estudando com os monges budistas, mas vendo uma novela que comecei há anos (um dos muitos itens entre filmes, novelas e outras produções que eu comecei e larguei ao longo dos anos). Quando meus sonhos eram grandes e a idade, em numeração, menor.

E o que sempre carreguei como a tristeza por ter deixado aquela menina decepcionada se tonou a constatação de que não foi tempo perdido, como diria Legião Urbana.

Alguns sonhos foram adiados, outros guardados em caixinhas de lembrança. O problema não foi o que deixei de fazer, foi não ter me adaptado à nova realidade para que pudesse criar outras oportunidades, um novo eu.

Pensando e matutando sozinha em minha mente, ao terminar coisas que há tento tempo comecei, percebo que estou encerrando um ciclo para aquela pessoa. Dando um final digno para uma série que teve sua temporada encurtada, por qualquer que tenha sido o motivo.

Percebo que nada foi em vão. E que não me arrependo de nenhuma decisão. Tudo o que eu escolhi, os passos que dados, foram importantes e me levaram até onde eu precisava chegar.

E a decepção que carregava, era obra da minha cabeça que ficou parada na mente daquela garota cheia de sonhos. Ela esqueceu de crescer junto comigo.

A evolução segue como a caminhada, no ritmo e na capacidade das nossas pernas. Os passos são dados e a agilidade depende do quanto conseguimos andar ou correr. Por isso, não podemos nos basear nos passos alheios. São as nossas pernas que dão o ritmo. E as minhas pernas, ainda que curtam, tem feito um excelente trabalho até aqui.

E nessa jornada, com pedras no caminho, ladeiras e tudo mais, só levo amor e aprendizado, com os erros e acertos, as pessoas que eu conheci, o que vivi e quem me tornei.

Nostalgicamente, vou encerrar esse ciclo, com todos os episódios que faltam e guardar no coração esses personagens da ficção e a personagem que um dia fui. Que agora não sou mais eu, mas que me sempre fará parte de mim.

Agradeço por me acompanhar e estou orgulhosa de quem fui e ansiosa para saber quem serei daqui para frente.

Amizades pelo caminho

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Foto por Belle Co em Pexels.com

A vida segue.

Isso é fato. Quando menos esperamos, percebemos que ela passou correndo pela gente. Tipo o Sonic. Nem deu tempo de perceber, tamanha agilidade de suas perninhas de dias, horas e segundos contados no grande relógio da nossa existência.

São tantas fases, emoções, vivências… e, é claro, pessoas! Aqueles que encontramos no meio do caminho tortuoso de desenvolvimento e evolução. Gente que nos ajuda a superar desafios, que acompanha na dor e na alegria.

Tantas  pessoas especiais que nem cabem nas poucas linhas desse texto, mas sempre terão espaço dentro do coração! Porque foram importantes à época e serão para sempre.

Infelizmente, alguns grandes amigos, melhores até (como dizíamos na infância e adolescência, principalmente), acabam não seguindo conosco. Escolhas, necessidades ou quaisquer outros fatores são responsáveis pelo distanciamento.

Ainda que vivamos em um mundo de contatos ágeis, conexão e internet, muitas coisas mudam. Os laços se transformam. Mas não retornam como antes. Amigos inseparáveis se tornam somente conhecidos dentro daquela rede social.

Mas também existem casos daqueles que se reencontram e vivem novamente a glória da amizade como se nenhum segundo tivesse passado. Não podemos descartar esses casos! E, se um dia quiser retornar o contato, por que não tentar/? Pode se surpreender.

De qualquer maneira, é saudável entender que o fim de relações, amor ou amizade, pode ser doloroso, mas é natural entre os ciclos da vida. E, ao invés de pensar naquilo que não temos mais, que tal agradecermos pelos momentos compartilhados?

Gratidão pelas risadas, pelo companheirismo. Os abraços, os sorrisos, as conversas.

Da experiência que tivemos, devemos levar o melhor. Fechar cada etapa com chave de ouro. Se houve alguma briga que não faz mais sentido, desapegue. Perdoe. Não leve para frente um sentimento ruim.

Faça as pazes com a pressão de ter um milhão de amigos e que eles sejam da infância à velhice. Algumas pessoas têm isso. Outras não. Paremos de embasar a sua existência a partir do outro.

Adoramos manter nossos humanos amados por perto. Mas, na eventualidade da separação, não se preocupe, as boas lembranças nunca vão embora.

Se tem algum arrependimento que possa ser corrigido, não deixe para amanhã. Mas entenda que nem tudo é sua responsabilidade e o fim de algo pode ser só o caminho correto a se seguir.

Seja feliz e emane felicidade a quem um dia esteve com você. Porque foi especial e nada vai mudar isso.

Aos amigos que não tenho mais. Pela distância, pelos mudanças de sentido, pelo crescimento destoante ou só perda de contato pelo tempo: obrigada. Nenhum será esquecido e ficarei contente se reencontrá-los em algum momento da trajetória.

Peço desculpas a todos aqueles cujo contato foi perdido por negligência, por não dispor tempo ou atenção para cuidar desse vínculo. Espero que possam conservar o mesmo afeto que eu pela fase em que estivemos unidos.

Sou grata por colaborarem para que eu me tornasse quem eu sou.

Quem ainda está por aqui. Agradeço imensamente pela parceria e que os bons ventos nos levem até onde precisamos ir!

Como diz a música, cêis tão guardados no lado esquerdo do peito. TODOS VOCÊS.

Pela milésima vez…

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… começo uma postagem do blog.

Que um dia já foi tumblr (e ele ainda tá aí, compartilhando tudo o que é publicado nessa plataforma).

Foram mil vezes que uma frase foi iniciada, uma citação inserida (e provavelmente repetida, porque a memória não é das melhores, né?), uma resenha publicada, umas lista produzida.

Se colocasse em uma timeline as postagens, daria um pouco mais de dois anos e meio.

Mas não foi bem assim que a banda tocou nos últimos tempos. Inclusive, já teria batido essa marca.

São 5 anos de idade, com data de nascimento indicando que o Sol é em Peixes (por pouco ele não nasce ariano, mas não combinaria com o jeitinho avoado dele).

Alguns dias não tiveram suas citações. Algumas resenhas nunca ganharam seu espaço ao sol.

Por um tempo, ficou num cantinho do coração, juntando pó e pedindo para retornar, quanto os livros seguiam julgando essa que vos escreve para que tivessem seu espaço de destaque no mundo virtual.

Como blog, ganhou vida novamente depois de uma lampejo de inspiração no Dia do Livro de 2019.

A aspirante a escritora sacudiu a leitora e deu um choque com desfibrilador nessas postagens que estavam há anos largadas. (E foram alguns anos, tipo, metade do tempo de vida do Notas da Leitora…)

As crônicas começaram, essa sessão de terapia virtual e coletiva que todas as terças aparece por aqui.

Basicamente elas puxaram a corda da pipoca (muito carnavalesca eu…) das publicações e foram a chama que trouxe de volta o movimento aqui. E, desde então, com altos e baixos, correrias, revisões suspeitas, pedidos de leitura de última hora para as pessoas próximas e muitos livros curtos que têm sido a minha salvação, quase todos os segmentos originais voltaram.

A milésima postagem é como o gol mil. Partindo daquele pressuposto de que todas elas foram certeiras. (sei que sempre tem aquela resenha particularmente de quinta ou uma nota que não deu tão certo).

Mas cada uma delas foi um degrauzinho que trouxe a gente até aqui. E eu não mudaria uma vírgula (tá, se reler e estiver errado, até mudo. HAHAHAHA).

Em 5 anos, mil publicações. Que venham muitas mais. E que não demorem a chegar. Porque tem coisa nova no caminho, muitos rascunhos e ideias esperando pelos olhos atentos de quem lê.

Seja uma pessoa ou milhares, agradeço a cada um. A leitura de vocês faz com que seja muito mais legal toda essa experiência de blogueira. (até parece a famosinha, aguardando os recebidos).

Por muito tempo, achei (e tinha quase certeza) de que estava falando sozinha com as paredes do meu próprio mundo fantasioso e literário, uma Alice perdida em seu País das Maravilhas.

Aí vejo uma visualização nova (que não é minha clicando sem querer no link que eu tô copiando pro instagram – aliás, segue lá notasdaleitora) e sinto que há alguém em algum lugar lendo e, eu espero, se sentindo cativado por essas linhas confusas que eu escrevo, ouvindo uma das músicas da playlist ou lendo um livro que resenhei…

Então, pela milésima vez, humanos, espero que tenha curtido. A crônica de hoje é mais uma carta aberta e comemorativa por todos esses anos de existência semi-escondida nos cafundós dos blogs literários, mas que tem sido muito maravilhosos. (principalmente agora que voltaram com a regularidade que merecem).

Sinto-me contemplada pelo que pude compartilhar e criar a cada nova página ou post em branco que eu abri. E por ter esse marco histórico do blog.

Um dia vou poder olhar pra trás e pensar, com orgulho, que deixei uma marquinha no mundo digital (redes sociais antigas e aquele fotologs da adolescência que já foram devidamente apagados não contam. HAHAHAHAHA)

Esses mil, que foram, para mim, um milênio da minha vida de escrita online são só o começo. Bora que, agora que abriu a portinha da digitação criativa, não vai mais parar!

Até a próxima!

Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com

 

 

Embrace the surtadinha

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Vamos admitir aqui.

Na frente de todos. Sem ter constrangimento.

Tem horas que precisamos dar uma surtadinha, né? Xingar aquela quina. Reclamar cas paredes. Chorar no chuveiro.

Seja numa situação atípica como a atual ou em dias comuns, que sempre estão carregados de possibilidades de desequilíbrio emocional, precisamos liberar algumas energias estranhas que ficam acumuladas dentro da gente.

Não precisa ter vergonha. Acontece com os melhores de nós. Precisamos tirar do nosso sistema. Bodear, se necessário. Ficar em posição fetal ouvindo uma banda emo dos anos 2000.

Por isso, jovem Padawan, “keep calm and embrace the surtadinha”! Pode dar uma reclamadona, chamar um amigo para desabafar sobre algo que está te atormentando ou buscar ajuda de um profissional.

Não estou dizendo pra sair por aí chutando tudo e todos. Espero que encontre algum adulto responsável para te ajudar antes que chegue a um ponto crítico.

Mas digo que é normal ter dias difíceis em que tá mesmo no modo zero paciência, surtando com qualquer caneta fora do lugar e querendo jogar todos os papéis para cima.

O negócio é como lidamos com todo isso. Aceitando que é uma parte natural da gente, é mais fácil de transformar tudo isso numa bolinha de energia negativa que vamos mandar para longe como um balão de gás hélio!

Cê não é o primeiro e não será o último a ter alguma crise de irritabilidade. E, saiba, sempre tem alguém pra dar aquele apoio moral. (Mas se sentir que está saindo do controle, não se sinta acanhado e peça ajuda!! Tudo pode ficar melhor!!)

A vida não é fácil, gente. Não precisamos fingir que tudo é um mar de rosas, né? É isso que torna a trajetória desafiadora e instigante!

Vamos aceitar que é complicado mesmo e seguir em frente. Uma surtadinha de cada vez!

Foto por Atul Choudhary em Pexels.com

Nerdice com orgulho

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(√) Óculos
(√) Timidez
(√) Tendência às boas notas (às vezes só dava sorte – não em Exatas)
(√) Apreço por livros, desenhos, mangás (mesmo sem ter lido tantos) e filmes de heróis e STAR WARS – que merece estar em caixa alta.
(√) Preferência por se manter em casa a ir pro rolê.

Issaê, gente. Não tinha como o famoso carimbo da nerdice não me marcar bem no MEIO DA TESTA.

Ainda que nerds sejam como as nuvens (e o resto das pessoas), cada um do seu jeitinho único e especial. E que, hoje em dia, a linha se embaralhou e o nerd e o geek morfaram de alguma maneira como um megazord de cultura pop. Ser taxada como parte dessa comunidade não é mais o que era antes.

Do pejorativo CDF ao isolamento social (mais visto em filmes americanos), os nerds tiveram a sua virada e conseguiram galgar seu espaço dentro do universo compartilhado que chamamos de vida real.

O que um dia foi vergonhoso: problemas de visão, aparelho odontológico, jogos de videogame e RPG, nos dias atuais, ganha espaço no cotidiano de muitos que nunca tiveram o pé na nerdice. Aliás, é tanto sucesso que tem um evento enorme dedicado a muita coisa que enche de quentura o coração dos nerds!

Mesmo que esse ano não seja possível fazer aquele seu cospobre do Jon Snow, foi maravilhoso ouvir o Gollum interpretando O Hobbit por horas numa live, né #nerdicemodeon.

Sempre querendo todos os tipos de poderes, sonhando com as maiores aventuras, desejando os finais mais épicos e (às vezes, discutindo como lunáticos por alguma especificidade de um mundo fictício – vamos manter a calma, ferinhas), os nerds podem curtir o fim de uma era de empurrões e subcategorização.

Seus conhecimentos, até os aleatórios, são valorizados. E, ainda que não tenham dominado o mundo, com certeza, algum mundo online eles já conquistaram.

Nunca me enxerguei como parte desse grupo, mas muita gente me enquadrou nele. E sabe o que eu acho? Tô é feliz. E orgulhosa. Eu e meus produtos licenciados de Star Wars saludamos todos os colegas que levam suas toalhas dentro da mochila, desbravando a galáxia.

Então, gente, sejam vocês mesmo. Orgulhem-se (na nerdice alta ou baixa). Nunca deixem que alguns rótulos sejam pejorativos e sejam felizes com as suas escolhas. (e se leram o livro, não deem spoiler para os amigos, por gentileza).

Para todos os meus nerds queridos, que essa semana comemorativa venha cheia de livros de fantasia, música, RPG, camisetas de personagens e jogos de tabuleiros e videogames e muito mais!

Abraço.zip

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Queria que estivesse aqui do meu lado.

A uns centímetros de distância, com os abraços abertos, esperando que eu me encaixasse nesse que é o melhor lugar do mundo.

Apoiada em seu peito eu choraria as pitagas sobre como o trabalho anda complicado ou aquele filmes que eu adorei. Ou somente te obrigaria a me dizer como foi o seu dia (mesmo que você insista que foi a mesma coisa do anterior, sem novidades).

Quero saber de tudo, manter a conversa, para ter a sua presença ao meu lado. Aproveitar todo o amor que cabe nesse pequeno gesto.

Aproveitar esse carinho sem pensar em inimigo invisível ou na máscara que eu vou ter que usar da próxima vez que a gente estiver junto.

Nem como a minha neurose vai me impedir de te abraçar por muitos segundos, E me fará correr para o banho.

Alguns dias eu choro de ansiedade pensando que por uma fatalidade da vida eu poderia nunca mais ter a chance de te abraçar. Isso acaba comigo. As lágrimas rolam enquanto escondo o meu medo embaixo do chuveiro.

Mas hoje, na semana em que comemoramos o dia do abraço, eu quero mandar uma versão.zip para você (ou melhor, vocês). As pessoas que eu amo e não posso me aproximar no momento.

Para quem eu convivo sempre ou aqueles que consigo ver a cada ano bissexto por causa das agendas complicadas, os relacionamentos que ocupam tempo ou qualquer outra questão logística.

Que o calor desse gesto tão simples, mas cheio de sentimentos, seja levado até a sua casa, pela transmissão de energia boa que voa pelo mundo como se fossem agraciados pelo pó mágico da Sininho.

Para quem eu não conheço, para quem está só (não importa a razão) ou os que não podem se aproximar dos entes queridos, mas que estão precisando de um afago, espero que também possam sentir o enlace zipado enviado com muito carinho

E espero que nunca mais nos privemos desse ato. Se sentir vontade de oferecer uma abraço a alguém, fale. Não passe vontade. Nunca se sabe o dia de amanhã.

Se puder, envolva nesse maravilhoso gesto quem está ao seu lado. Agradeça pela companhia. Aproveite a oportunidade de ter alguém com você.

Desejo que no próximo Dia do Abraço, todos possamos celebrar com muitos e muitos (sem ser zip). Apertado, afetuosos. De chegadas ou despedidas, de amigos, família ou apaixonados, que sejam sinceros e amorosos.

 

Foto por Pixabay em Pexels.com