Criatividade com prazo de validade

Tenho medo de um dia não conseguir escrever. De ter secado completamente completamente a suposta fonte de criatividade que me permite expressar sentimentos através de textos e sentenças por aí.

Em alguns momentos, encarar a página em branco sem ter uma frase sequer para inserir parece uma batalha. Como se houvesse um monstro a ser derrotado. E ele vive dentro de mim.

Causando ansiedade por, naqueles instantes, minha mente ser incapaz de encontrar os sinônimos, os verbos, os conectivos.

De lembrar qual era a conjugação correta e “será que um dia todas as ideias acabam, que nem um rolo de papel que em algum momento termina”.

E, quando chegar essa hora, a festa acaba. A bagunça na minha cabeça, que traz grande parte da inspiração, não será mais responsável pelo fluxo de linhas curtas e frases, muitas vezes, confusas e sarcásticos que se transformam em textos.

É uma aflição imensa de me perder numa eterna rouquidão da voz literária que, egocentricamente, imagino ter.

De que a capacidade de escrever seja como um produto perecível que um dia vai vencer.

Por isso, às vezes negligencio o precioso sono para escrever um rascunho de crônica. (Que pode ser essencial… ou não)

Encho papéis por aí com frases desconexas, opções de enredo, lampejos de iluminação.

Desejando que esse treino diário me impeça de perder a única ferramenta que alivia meus temores.

E uma palavra de cada vez, alivio a tensão e desejo viver num mundo em que nunca falte tinta na caneta, grafite na lapiseira, bateria no celular e novas ideias na cabeça .

Porque enquanto houver vida, a criatividade nunca perderá a validade.

Ideia relâmpago

Quem aí também sofre com esse problema? Aquele inspiração que chega sem avisar e nos pega desprevenidos.

Sem um pedaço de papel ou celular próximos o suficiente para anotarmos a ideia brilhante.

Aquele sonho que poderia facilmente se transfrmar em um filme.

Um pensamento altamente criativo, uma solução a resposta para a pergunta universal.

Ou a epifania no chuveiro daquela resposta que você poderia dar para a pessoa inconveniente.

Talvez somente, um sprint de boas opções para mudar a sua vida e evoluir que chega assim que você coloca a cabeça no travesseiro e não sabes se é melhor colocar tudo em algum lugar ou dormir. Aí cê perde o sono e não anota nada.

Pior ainda, quando só vem às vezes e cê passa metade do tempo zumbi e a outra metade super criativa…

Como equilibrar?

Do que se alimenta?

Aonde vive?

Onde vivem?

Não faço a menor ideia.

Seria tão prático organizar o dia com “a hora de produzir muito, com todos os materiais disponíveis para que nenhuma ideia genial seja perdida”.

Mas, como não vivemos em um mundo perfeito e hipotético, algumas coisas fatalmente vão ficar para trás.

Devemos seguir a mesma premissa dos amores. Se for para dar certo, deixe-o ir. Caso volte, é porque estava predestinado.

Deixe as ideias passaram. Não se martirize por perder o momento.

Só que, para garantir, não esqueça de ter sempre um bloquinho, um lápis, celular carregado. Aí as chances de perda são menores.

E, se mesmo assim sumirem algumas, pense que poderia ser algo ruim e esse foi o seu livramento da ideia zuada.

De qualquer forma, aproveite os surtos criativos. Deixe a imaginação rolar e desapegue do que ficar por aí

Página Vazia

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Encaro a tela.

Busco as letras tentado formar palavras, frases, parágrafos.

Entre vogais e consoantes, procuro um som que ecoe na minha cabeça e se transforme em algo que faça sentido.

Sílabas não se conectam, expressões não se formam.

Um bloqueio que invade o corpo todo, trava as minhas mãos.

A falta de foco que me impede de transformar qualquer pensamento em uma linha de texto.

Buscando entre os nós da minha própria mente um caminho que me leve de volta até a fonte de inspiração. Que me ajude a retornar às raízes da criação.

Mas a tela em branco está vazia e cheia ao mesmo tempo.

Sem nada escrito, mas com tanta coisa subentendida.

Meus medos, minhas frustrações, minhas angústias.

Não conseguir me expressar é o mesmo que estar presa em minha própria existência.

A página vazia traz um silêncio ensurdecedor das minhas próprias ideias, amuadas, encolhidas em um canto sem saber quando poderão ver a luz do dia.

Em dias bons, ela é um mar de infinitas possibilidades.

Hoje é uma ilha de isolamento, que não me deixa encontrar a saída no fim de um horizonte infinito de água e solidão.

E, ainda que enfrentá-la me cause pavor. O melhor a fazer é seguir, escrever, lutar contra ela.

Tentar vencê-la pelo cansaço. E é isso que eu vou fazer.

Digitar até que a tela em branco se torne uma quadro com a pintura de caracteres da minha escrita.

Até que as vozes gritando sejam ecos de comemoração de todos as histórias que enxergam, pelo buraco  da fechadura, a chave chegando.

Sim, tem dias em que não dá nem pra formar uma frase com facilidade. Que é preciso arrancar cada letra pela ponta dos dedos.

Mas, mesmo assim, chego até o fim da página. E pronto.

E ponto final.