Mística da Eficiência

Por que eu preciso ser produtiva o tempo inteiro?? Constantemente ativa e atuante? A melhor.

Não dá para ser feliz parada, aproveitando as propriedades medicinais do ócio?

Esse não pode ser o único hábito da vida, mas, não tem nada de errado em ter um momento de bloqueio, sem ideias ou completamente estático.

Criando zero conteúdo considerado “útil” e rindo do looping de vídeos de gatos na rede social de sua preferência (sério, sempre tem MUITO vídeo de gato para ocupar o tempo e distrair a mente).

Desacelerar nem sempre é algo ruim. Muitas vezes, é a decisão mais coerente a se tomar.

Quando nos acostumamos a viver na velocidade máxima:

        …das informações, dos prazos, atividades e demandas…

deixamos de aproveitar as horas de descanso.  A mente se condiciona a ficar sempre no modo Fórmula 1.

E, a cada pit stop, a famosa parada, você está numa corrida contra o tempo, nunca com um momento para respirar fundo antes de voltar à disputa.

Tem gente que consegue viver assim, sempre correndo, como se a existência fosse um jogo online (que, como todos sabem, NÃO TEM PAUSA!).

Mas, acredite, isso é NÃO é obrigatório! Esse modelo é supervalorizado e, provavemente, a causa de muitos problemas relacionados à nossa saúde mental (e física).

Cê não precisa ser o modelo de eficiência, produtividade e criação 24 horas por dia, 7 dias por semana! Estar conectado e ligado todas as horas possíveis.

Não somos máquinas e a vida não é uma competição (ainda que, em muitas ocasiões, pareça).

Estamos nesse mundão por algum motivo, cada um com o seu propósito. Nesse “Jogo da Vida” da realidade, ninguém tem a mesma trajetória, mesmo indo por caminhos iguais  (podem até ser parecidos e se inteligarem, mas não são os idênticos).

Então, siga a sua missão, no seu próprio ritmo. Chega de se pressionar a chegar em certo ponto só porque já tem gente lá.

Somos mais eficientes ao entendermos os nossos pontos fortes e fracos. Quando respeitamos esses fatores e NOS respeitamos!

Nem todo ócio precisa ser criativo. Nem toda procrastinação é sinal de má vontade.

Nenhum excesso é bom. E , definitivamente, não dá para abraçar o mundo. Escolha fazer o seu melhor sem que isso te deixe sentindo como se fosse a pior pessoa por ter limitações.

O mais eficaz nem sempre é  quem produz mais, e, sim, quem providencia algo bem feito com suas habilidades disponíveis. Seja no trabalho, nos estudos, ao relaxar, com a família.

Então, vamos nos esforçar para mudar essa mentalidade de mundo da correria, da necessidade de “mostrar serviço”. Se precisar, vamos todos bem devagar, parando quando for necessário. E juntos, celebraremos ao chegar no destino de um jeito saudável!

Prova de Existência

Hoje eu tirei do armário aquele primeiro presente que você me deu.

Eu costumava deixá-lo escondido, longe de qualquer olhar que me exigisse alguma explicação de como tal item foi parar no meio das minhas coisas.

E sabe qual é a pior parte? É que ele não destoava nem um pouco da minha bagunça.

Entre os livros e quinquilharias que eu insisto em acumular, ainda que o espaço e o orçamento estejam sempre meio curtos.

No meio da confusão que é o meu gosto, o objeto não ficaria nem um pouco deslocado. Aliás, ele combinaria muito bem com os demais ocupantes das estantes  e … comigo.

Assim como você combinava.

Mas eu nunca admitiria isso. Nenhuma das afirmações anteriores, inclusive.  Não em voz alta.

Porque isso tornaria tudo real, Abriria espaço para você entrar no meu mundo. Com munição para derrubar os muros tão bem construídos.

Tornaria vulnerável um coração que sempre se orgulhou por nunca ter sido partido.

Deixaria alguém além de mim ocupar os espaços privados da minha mente. E me disporia a sofrer caso tudo desse errado.

Por isso, durante todo esse tempo, o presente e você ficaram guardados. No fundo da gaveta. A existência dos dois era algo que vivia num universo paralelo. Um em que somente acessar nas raras horas que compartilhamos.

Sinto muito por não ter aberto mais portas. Nunca soube receber visitas. Mas saiba que eu mostrei todos os cômodos possíveis à época.

Agora pode ser um pouco tarde, mas eu vou deixar, finalmente, seu presente à vista. Vou admitir que você existiu.

E, se algum dia passar por essas bandas, pode entrar para tomar um café. Alguns sentimentos não vão voltar, mas a porta estará aberta para visitas.

Eu lembrei

Como eu tinha esquecido disso?

Estava aqui o tempo todo, meio escondido embaixo de tantas camadas.

Mas era exatamente da forma como eu havia deixado.

Tava lá, esperando que eu encontrasse.

E como fui nó-cega durante todo esse tempo.

Nem sabia que tava perdido até reencontrar. Sabe aquela famosa frase: Cê vai achar quando não estiver procurando’?

Então, é isso mesmo.

E eu lembrei.

Mas não foi tudo de uma vez não, tipo uma epifania.

Foi aos poucos, gradativo como um sonho que a gente vai recordando logo após acordar. E que precisa se esforçar para não despertar o suficiente até esquecer.

Ai eu lembrei.

Juntando os pedaços como se fosse um pequeno quebra-cabeças

Primeiro as peças mais fáceis no canto. As que a gente distingue sem problemas entre as outras.

Depois vieram as partes complicadas, aquele céu tudo igual, os pedacinhos de grama.

E tudo se formou novamente.

Foi uma foto primeiro, uma pequena recordação de tempos”antigos”.

Depois alguns textos, mensagens salvas.
O coração ficou quentinho, inundado com a nostalgia.
Até que, por fim, a onda me atingiu.
Uma música, Sentimentos poderosos.

E o retorno a mim. O encontro com o meu eu.

Porque ficar sem isso me tornou uma estranha durante certo tempo.

Mas agora. Eu LEMBREI.

De quem eu era, de quem eu sou. A minha essência. Que foi sugada pelo dementador da vida adulta em algum momento.

Daquilo que eu amo, o que me deixa animada, o que me inspira a levantar todo dia e fazer o melhor que eu posso.

A pessoa que eu sempre tive orgulho de ser e quem eu deveria cuidar e evoluir ao longo dos anos.

Mas ela ficou guardada tanto tempo. Tá empoeirada e meio tristonha.

Ela é ótima, e vai adorar conhecer esse novo mundo. E virar o Megazord da minha própria existência.

Só que agora eu lembrei, gente. E jamais esquecerei.

O ano da marmota

Lembro que, de súbito, tudo era novo e assustador. Ainda que as notícias já falassem sobre o assunto, era distante.

Havia a ideia MUITO equivocada de que estava distante da gente. Lá do outro lado do mundo.

Até que bateu à nossa porta.

E nós, os que puderam, trancaram essas portas. Mantiveram distância. E estamos assim, distantes, há mais de um ano.

Obrigados a deixar a convivência diária e nos afastar de muitos dos nossos humanos amados. Para certas pessoas, significando 365 sem abraços aguardando o dia de matar a saudade. Outros terão que conviver com a saudade para sempre.

Alguns de nós foram para a linha de frente para combater o inimigo invisivel. E nossa gratidão é eterna.

Outros ficaram em casa lutando da forma como podiam.

Tudo tão confuso, incerto e tenso.

Os espaços, pequenos ou grandes, nos aprisionaram de forma claustrofóbica.

O cotidiano foi virado de cabeça para baixo. Nos adaptamos, lidamos com as necessidades da nova realidade.

Choramos, sofremos, respiramos fundo e começamos novamente. Às vezes, tudo isso antes do almoço.

Isolados, lhados. Com pressão para seguir a produtividade ou para aumentá-la.

A saúde mental ficou em algum lugar entre março e ontem. Ainda está procurando as pecinhas por ai.

Alguns não estão mais entre nós. A ausência é sentida, dolorida. Com a despedida que nem todos conseguiram ter. Mas um amor que vai seguir sempre em nossos corações.

E, após um ciclo completo, as coisas parecem iguais, às vezes pior. Uma repetição daquele início. Medo, insegurança, incerteza.

A cada dia torcemos pelo melhor, desejamos uma cura e temos a esperança de não repetir os mesmos erros e problemas no que parece o ano da marmota.

Zero Foco

Perdi o fio da meada… de novo.

Aliás, estou tão longe do fio que eu nem sei se ele esteve aqui algum dia.

Olho para todos os lados tentando lembrar o que eu estava fazendo. O que eu devia ter feito. Ou o que eu fiz.

Já nem sei mais.

Sou um saquinho de confusão e falta de organização.

Perdida em um mar de prioridades que eu nunca soube priorizar.

Escondida em uma ideia de abraça o mundo, ter diversos projetos, mas nunca conseguir manter o plano.

Se a minha capacidade de disciplina e planejamento fosse uma bússola, acho que teria um imã gigante colado nela, fazendo com que a sua seta girar descontroladamente!

Impedindo o encontro com o Norte.

O lugar desejado. O destino.

Comecei se parei tantas vezes que estou incerta sobre o que coloquei no GPS mental.

Eram tantos sonhos, vontades e possibilidades.

Mas elas se perderam nos minutos preciosos encarando a parede. No vórtice de vídeos inúteis e tudo o que eu vi no lugar de minha tarefa inicial.

Minha Dory interior tá sempre esquecendo das coisas. Algum dia são mais fácies que os outros, mas é uma batalha constante.

Inclusive, eu tenha outro texto não hoje, lá que perdi o foco de comecei outro.

Frustrações

Não sou a primeira e nem serei a última a ter uma expectativa frustrada.

Mas como dói ter sonhos e esperanças em algo que termina de uma forma que não é a desejada.

Primeiro chega a indignação, o sentimento de injustiça. Como se o mundo nos deveser aquela vitória.

Buscamos os culpados externos antes mesmo de entender qual a nossa parcela nessa equação.

Depois vem a tristeza que nos assola. Como se nada nunca desse certo e a nossa única solução forte aceitar a vida de derrota.

Em seguida vem a raiva de tudo e de todos. Se não querem ajudar, que se acabem sozinhos.

Nesse entremeio, somos acometidos por lampejos de consiciência. Pensamos na possibilidade da vida não ser uma série de desventuras. Buscamos uma luz..

Até cair no estágio de choro ao lembrar do “fracasso”. Como bovinos, ruminandos e remoemos a situação. (Nessa etapa existe o consumo de substâncias à base de cacau ou alimentos gordurosos que acabam com o fígado para dar pequenos alívios à mente. ( Pelo menos no meu caso).

Choro, raiva, angústia. Pensar em tudo o que poderia ser feito de outra forma.

Se culpar, trancar- se nos pensamentos…

Acreditar que nunca haverá uma nova chance para
conquistar o que deseja.

Truques do cérebro frustrado para evitar dores de novas tentativas.

Às vezes as coisas vão dar errado. Você vai precisar mudar de planos.

Ainda que sinta-se triste e desmotivado. Com vontade de desistir e esquecer algum sonho. Não se sabote! O medo da falha não pode ser maior do que a vontade de alcançar os seus objetivos.

Todo mundo que venceu, um dia teve perdas. Isso ajuda a crescer, evoluir.

Não ache que a galera bem sucedida nunca chorou largada. (Salvo exceções, sempre tem…)

As frustações são parte do aprendizado. Vai ser dolorido?

SIM.

Vamos gostar da sensação?

NÃO!

Envolverá lágrimas?

De vez em quando…

Mas toda experiência é válida.

Então, respira fundo and embrace the frustação. xD

Eventualmente, vamos entender cada uma delas.

Silêncio Ensurdecedor

Todos se calaram.

Não consigo mais encontrar nada dentro dessa mente que parece mais um buraco negro que engoliu todos os meus pensamentos.

Eles estavam aqui até agora. Onde foram parar?

Será que encontraram alguma lembrança e decidiram ir embora?

Ou perceberam que aqui não valia mais a pena ficar?

Não importa qual tenha sido a razão. Não tem nada mais aqui. Não há uma só voz falando nesse lugar.

E é impossível lidar com isso.

Queria só que aquela bagunça organizada retornasse.

Quando tudo fazia mais sentido, ainda que as coisas estivessem todas fora do lugar.

Aqule caos era o meu espaço seguro.

Agora, esse silêncio me angustia.

Encolhe a minha alma.

Só consigo aceitar a solidão e me esconder de mim mesma nesse vazio.

Esperando que um dia, alguém volte para me acompanhar.

Enquanto isso, vou convivendo com o som das minhas lágrimas molhando o chão.

Ecoando os soluços tristes de uma mente num vazio total.

Não aquele da meditação, do espaço zen.

Mas a da neurose e da ansiedade.

Quando esses momentos chegam, podem durar um minuto ou uma hora.

Como uma queda de energia. Um apagão solitário.

Uma pessoa procurando o caminho de volta dentro de si.

Buscando o botão do volume para, mais uma vez, acabar com o silêncio e voltar às atividades.

Criatividade com prazo de validade

Tenho medo de um dia não conseguir escrever. De ter secado completamente completamente a suposta fonte de criatividade que me permite expressar sentimentos através de textos e sentenças por aí.

Em alguns momentos, encarar a página em branco sem ter uma frase sequer para inserir parece uma batalha. Como se houvesse um monstro a ser derrotado. E ele vive dentro de mim.

Causando ansiedade por, naqueles instantes, minha mente ser incapaz de encontrar os sinônimos, os verbos, os conectivos.

De lembrar qual era a conjugação correta e “será que um dia todas as ideias acabam, que nem um rolo de papel que em algum momento termina”.

E, quando chegar essa hora, a festa acaba. A bagunça na minha cabeça, que traz grande parte da inspiração, não será mais responsável pelo fluxo de linhas curtas e frases, muitas vezes, confusas e sarcásticos que se transformam em textos.

É uma aflição imensa de me perder numa eterna rouquidão da voz literária que, egocentricamente, imagino ter.

De que a capacidade de escrever seja como um produto perecível que um dia vai vencer.

Por isso, às vezes negligencio o precioso sono para escrever um rascunho de crônica. (Que pode ser essencial… ou não)

Encho papéis por aí com frases desconexas, opções de enredo, lampejos de iluminação.

Desejando que esse treino diário me impeça de perder a única ferramenta que alivia meus temores.

E uma palavra de cada vez, alivio a tensão e desejo viver num mundo em que nunca falte tinta na caneta, grafite na lapiseira, bateria no celular e novas ideias na cabeça .

Porque enquanto houver vida, a criatividade nunca perderá a validade.

Obrigada por não ser obrigad@

… a me aceitar do jeito que sou, mas fazer isso mesmo assim.

Dando apoio quando eu pareço completamente perdida, acolhendo a minha versão mais bodeada e não implicando com todas as neuras.

Obrigada por não ser obrigad@ a me ouvir reclamando, chorando, cantando ou espernenando…

Mas mesmo assim, não fugir quando aparece aquela música externamente suspeita no meio da playlist ou só assentir para as milhares de frases aleatórias sobre colegas desconhecidos que fizeram coisas avulsas.

Por sempre ter conselhos, sabedoria ou somente lencinhos de papel e um snack para acabar com o choro ou tristeza súbita.

E também por não compactuar com algumas versões extremamente críticas e tóxicas. Mantendo meu equilíbrio e minha melhor versão sempre atualizada.

Só gratidão por aqueles que não têm obrigação nenhuma em entender os surtos de ansiedade, as noites mal dormidas e as vontades esquisitas…

… mas seguem abraçando todas as partezinhas que juntas formam o nosso todo.

E que nunca se negam a oferecer amor, abraços e compreensão. (Às vezes debates, mas sempre para chegar a um novo consenso).

Sejam humanos, animais ou inanimados… só agradecimento e fofura por todos que nos mantém são.

Na alegria.

Na tristeza.

Na pandemia.

Online e offline.

A qualquer hora do dia, noite. Seja útil, fim de semana ou horário comercial.

Obrigada por não serem obrigad@, mas amarem meu melhor (e até o pior) mesmo assim.

Aconchego sonolento

Às vezes eu gosto de ficar só observando você dormir.

O subir e descer da sua respiração traz uma paz. Ao saber que está tranquilamente descansando. Reativando as energias.

Em segurança. No aconchego do mundo dos sonhos.

Sinto-me flutuando em uma nuvem de serenidade. Sua presença ao meu lado traz o reforço do amor. O entendimento de que não estamos sós.

É a companhia que preciso para afastar os pesadelos que atacam mesmo quando estou acordada.

Amor incondicional mesmo inconsciente. Confia em mim até pra dividir o espaço desse colchão.

Aliás, espaço que fica cada vez mais restrito com as suas esticadas. Mas não se preocupa. A gente se ajeita e cabe todo mundo.

Tipo um coração enorme!

E agora, eu que vou dar oi para o Mr. Sandman. Que está pronto pra me levar. Ou o Morfeu.

Tudo pronto pra adentrar o mundos dos sonhos, por fim. E descansar da ansiedade do dia, com a calma das respirações cadenciadas.