Será que volta?

Parece que a fonte secou.

As frases não se conversam, não combinam.

Todas essas letras se embaralhando na minha mente enquanto tento fazer com que os caracteres façam algum sentido.

Em pânico, encarando o teclado como se fosse um alfabeto completamente novo.

Como se formam as sílabas? Qual é a ordem das palavras na oração?

Onde foi que eu perdi a minha semântica? Cada o sentido que estava aqui até agora?

Folhas em branco, páginas por preencher, posts aguardando. Canetas que não vão perder a tinta tão cedo.

Aguardo o momento em essse furacão vai deixar de me rodar. Esperando encontrar o olho da calmaria que me trará o foco e a visão para voltar ao rumo.

Tudo ajeitado em cima da mesa, os instrumentos corretos, mas a melodia não esta em harmonia.

Sinto muito pela crônica que não existiu como deveria. Ela está guardada em algum lugar, na expectativa de que vou encontrá-la em breve.

Não se preocupe, amiga. Segura a emoção aí. Estou perdida no caminho, mas alguma hora eu chego. Prometo que vou te buscar!

Por enquanto, estou aqui tentando de tudo para ver se a palavra… a frase… a escrita… volta! Será que volta?

Pessoa-Remédio

Pode parecer estranho pensar na expressão, mas não tem gente que é tipo um remédio na nossa vida? Aquela que cura os machucados, tristezas, coisas às vezes invisíveis para olhos menos preparados?

Podem ser amigos, familiares ou até um desconhecido que faz uma gentileza num dia completamente aleatório.

O mundo tá cheio da galera-remédio. Sempre agradeço por ter a minha própria farmácia. Sou cercada de humanos maravilhosos que são parte do meu tratamento.

Vale ressaltar que os pets também entram na categoria medicinal com o poder curativo de seus afagos, ronronos, olhares fofos e até os julgadores.

Mas que alegria é ter à nossa volta pessoas que estão ai para apoiar e trazer medicina convencional não consegue. (Lembrando que remédios não são substituíveis, esses humanos são complementos, tá?)

São calmantes quando precisamos controlar as tensões do cotidiano. Liberam as nossas vias quando perdemos o ar frente às pressões.

Aliviam as dores em horas nas quais sentimos que apanhamos das demandas, internas ou externas.

Desembaçam a visão quando toda a fumaça do mundo nos impede de enxergar até o que está na nossa cara. Desentopem os ouvidos no nomento em que eles fecham com a quantidade informação recebida.

Sem bula ou efeitos colaterais, com uso diário, semanal, mensal (dependendo do calendário), essas pessoas são bálsamos dos quais temos a sorte de nunca precisar de receita para adquirir.

Obrigada a todas as minhas pessoas-remédio. Vocês são o tratamento alternativo para as agruras da minha vida!

Aí vem o sol…

O sol brilhou na minha mesa.

Essa não é uma paródia da música famosa.

Não é uma versão astronômica, nem astrológica de algum fato.

Nem um comparativo relacionado a alguém.

É uma constatação. E uma confissão de que fui surpreendida por ele.

Quem vive nessa era de cubículos e lugares fechados. Horas de estudo ou trabalho em pequenos ambientes que mais parecem celas particulares sabe o que eu estou descrevendo.

Tudo anda tão escuro.

O mundo parece apagado.

Então, num raio veloz, sem dar sinal de que chegava, o sol invadiu a minha mesa.

Eu, que segurava aquilo que é tão inerente à minha mão quanto os meus dedos (acertou quem disse celular), achei que era a lanterna ligando.

Verifiquei se não havia conectado algo sem querer, confirmei se não estava gastando a bateria à toa.

Mas era o Astro-Rei dando seu alô.

Afirmar que eu não sabia diferenciar a luz de um raio de sol vindo da fresta de uma janela que está quase que completamente coberta me fez questionar algumas coisas.

Como substituímos uma luz tão linda e natural por esses bulbos artificiais e fingimos que essa é toda a realidade existente? (Que conste nos autos: eu sou muito fã de eletricidade, não gostaria de viver à base de velas e acho o desenvolvimento da tecnologia uma maravilha, beleza?)

Só que muitos saem tão cedo (ou nem saem de casa) e voltam quando já está escuro. Quanto de nós também não reconheceriam o “Bom Dia” solar?

Pudera que ninguém tem mais vitamina D, tem uma galera que não fica nem cinco minutos com a cara para fora toda dia!!

Perdemos a perspectiva nessa era de espaços fechados e isolamento (incluindo o involuntário)

De hoje em diante, faço uma promessa a mim mesma de aproveitar mais a luz natural. Lembrar que o mundo lá fora também existe.

Que a claridade faz bem e invade todas as frestas quando você menos espera. Para iluminar, aquecer ou dar um ânimo em um dia nublado.

E você, deixou o sol entrar ai hoje?

Comparações

Você devia ser igual fulana…

Olha como ciclana já tem um apartamento próprio.

Sua prima acabou de ser mãe.

Aquela amiga de escola está  noiva.

Porque você ainda tá jogada no sofá vendo esse desenho aí?

Quando vai dar um rumo nessa existência?

A vida do adulto médio não seria completa sem o bombardeio de comparações e pressões.

O que não fez.

Por que não mudou?

Quando sai aquele projeto do qual você fala há tempos?

Tudo bem, vamos admitir algumas coisas aqui.

Tem hora que a gente enrola. Tudo bem, acontece.

O cansaço, a vida atribulada, as constantes demandas e a montanha russa da saúde mental costumam atrapalhar um pouco. 

Mas não é isso que  vai nos impedir de chegar ao destino que queremos, certo?

NÃO (leitores gritam em uníssono).

Mas o problema aqui é outro.

O buraco é mais embaixo

Nós caímos bonito toda vez. Num túnel sem fim. (Que nem termina no País das Maravilhas)

Todo mundo acha que pode sair cobrando e comparando as vivências alheias.

Acabou aquele tempo em que cada idade era meio que limite para cumprir uma etapa.

Não há molde padrão, não fazemos tudo no mesmo tempo.

Cada um tem sua jornada. Parem de sobrecarregar seus semi-adultos, pessoas adultas sêniores xD!

Eles já estão desequilibrados o suficiente juntando os pedacinhos e tentando montar esse quebra-cabeça que é viver!

Lembrem-se que o mundo muda, as pessoas são diferentes e as metas também. Uns não querem casar, outros preferem ser pais de pet. Tem gente feliz só com as próprias miçangas. E tá tranquilo dessa maneira.

Incentivar é saudável. Pressionar é prejudicial.

Não deixe uma pessoa que tá “adultando” ansiosa. É uma campanha de saúde (mental).

E bora lá que uma hora a gente conquista os objetivos (mas só aqueles que quisermos, no momento certo).

Ego inflado

Ei, você ai… você mesmo!

Não tente disfarçar.

É você…

…Que tá se achando a última bolacha do pacote.

O floquinho de neve lindo, único e especial.
A orquídea mais bonita do jardim, numa redoma de sua própria beleza.
A sensação do rolê.

Quem aproxima todos como um imã.
O famoso umbigo do universo.
As quatro cadeiras viradas depois da primeira nota no The Voice.
O paredão falso que não tirou ninguém.
A sombra de uma árvore num dia de muito sol.
O copo de água no deserto.
Aquele toldo que te protege quando a chuva te pega no meio do caminho.
O dinheiro encontrado no bolso de uma calça que tava escondida no fundo do guarda-roupa.
A cura milagrosa para a ressaca depois da noite de bebedeira.
O retorno do foco quando a vista embaçou.
O desentupimento de ouvido depois de descer a serra.
A resposta para a pergunta de um milhão de reais.

Estrela mais brilhante do céu.
A salvação da galáxia.

Ou pensa que é tudo isso e, na realidade, é só alguém com uma necessidade insaciável de ter reconhecimento, mesmo quando não nada.

De onde saiu toda essa vaidade?
O que te faz pensar que vale mais do que qualquer outra pessoa nesse mundão?
Pega aí a sua bolinha que voou para o telhado e “baixa ela”.
Volta para o chão e bora caminhar em pé de igualdade.
De quem não precisa viver em um pedestal, nem se reafirmar a cada dois segundos. (Ainda mais se nem teve a afirmação inicial. xD)
Desce do salto, ou melhor, tira logo esse sapato e sente a grama no pé. Volta a ser (humano)


Todos estão no mesmo barco. Não é uma batalha mortal.
Mesmo quando a realidade parece um jogo eterno, não se trata de uma competição. Tá todo mundo tentando viver.

Essa estrelinha dourada que você quer na folha da sua existência é só uma forma de tentar tapar um buraco no caderno da alma.
Mas não se preocupe, compraremos um pacote de adesivos, vamos encher isso aí de brilho. Pode escolher o que quiser. Decoraremos juntos.

Agora vem, senta aqui na calçada, deixa o ego de lado.

Aproveitaremos a vida, sem autobajulação e disputas, mas apreciando as alegrias, o cotidiano, respeitando e compartilhando momentos.

Mística da Eficiência

Por que eu preciso ser produtiva o tempo inteiro?? Constantemente ativa e atuante? A melhor.

Não dá para ser feliz parada, aproveitando as propriedades medicinais do ócio?

Esse não pode ser o único hábito da vida, mas, não tem nada de errado em ter um momento de bloqueio, sem ideias ou completamente estático.

Criando zero conteúdo considerado “útil” e rindo do looping de vídeos de gatos na rede social de sua preferência (sério, sempre tem MUITO vídeo de gato para ocupar o tempo e distrair a mente).

Desacelerar nem sempre é algo ruim. Muitas vezes, é a decisão mais coerente a se tomar.

Quando nos acostumamos a viver na velocidade máxima:

        …das informações, dos prazos, atividades e demandas…

deixamos de aproveitar as horas de descanso.  A mente se condiciona a ficar sempre no modo Fórmula 1.

E, a cada pit stop, a famosa parada, você está numa corrida contra o tempo, nunca com um momento para respirar fundo antes de voltar à disputa.

Tem gente que consegue viver assim, sempre correndo, como se a existência fosse um jogo online (que, como todos sabem, NÃO TEM PAUSA!).

Mas, acredite, isso é NÃO é obrigatório! Esse modelo é supervalorizado e, provavemente, a causa de muitos problemas relacionados à nossa saúde mental (e física).

Cê não precisa ser o modelo de eficiência, produtividade e criação 24 horas por dia, 7 dias por semana! Estar conectado e ligado todas as horas possíveis.

Não somos máquinas e a vida não é uma competição (ainda que, em muitas ocasiões, pareça).

Estamos nesse mundão por algum motivo, cada um com o seu propósito. Nesse “Jogo da Vida” da realidade, ninguém tem a mesma trajetória, mesmo indo por caminhos iguais  (podem até ser parecidos e se inteligarem, mas não são os idênticos).

Então, siga a sua missão, no seu próprio ritmo. Chega de se pressionar a chegar em certo ponto só porque já tem gente lá.

Somos mais eficientes ao entendermos os nossos pontos fortes e fracos. Quando respeitamos esses fatores e NOS respeitamos!

Nem todo ócio precisa ser criativo. Nem toda procrastinação é sinal de má vontade.

Nenhum excesso é bom. E , definitivamente, não dá para abraçar o mundo. Escolha fazer o seu melhor sem que isso te deixe sentindo como se fosse a pior pessoa por ter limitações.

O mais eficaz nem sempre é  quem produz mais, e, sim, quem providencia algo bem feito com suas habilidades disponíveis. Seja no trabalho, nos estudos, ao relaxar, com a família.

Então, vamos nos esforçar para mudar essa mentalidade de mundo da correria, da necessidade de “mostrar serviço”. Se precisar, vamos todos bem devagar, parando quando for necessário. E juntos, celebraremos ao chegar no destino de um jeito saudável!

Prova de Existência

Hoje eu tirei do armário aquele primeiro presente que você me deu.

Eu costumava deixá-lo escondido, longe de qualquer olhar que me exigisse alguma explicação de como tal item foi parar no meio das minhas coisas.

E sabe qual é a pior parte? É que ele não destoava nem um pouco da minha bagunça.

Entre os livros e quinquilharias que eu insisto em acumular, ainda que o espaço e o orçamento estejam sempre meio curtos.

No meio da confusão que é o meu gosto, o objeto não ficaria nem um pouco deslocado. Aliás, ele combinaria muito bem com os demais ocupantes das estantes  e … comigo.

Assim como você combinava.

Mas eu nunca admitiria isso. Nenhuma das afirmações anteriores, inclusive.  Não em voz alta.

Porque isso tornaria tudo real, Abriria espaço para você entrar no meu mundo. Com munição para derrubar os muros tão bem construídos.

Tornaria vulnerável um coração que sempre se orgulhou por nunca ter sido partido.

Deixaria alguém além de mim ocupar os espaços privados da minha mente. E me disporia a sofrer caso tudo desse errado.

Por isso, durante todo esse tempo, o presente e você ficaram guardados. No fundo da gaveta. A existência dos dois era algo que vivia num universo paralelo. Um em que somente acessar nas raras horas que compartilhamos.

Sinto muito por não ter aberto mais portas. Nunca soube receber visitas. Mas saiba que eu mostrei todos os cômodos possíveis à época.

Agora pode ser um pouco tarde, mas eu vou deixar, finalmente, seu presente à vista. Vou admitir que você existiu.

E, se algum dia passar por essas bandas, pode entrar para tomar um café. Alguns sentimentos não vão voltar, mas a porta estará aberta para visitas.

Eu lembrei

Como eu tinha esquecido disso?

Estava aqui o tempo todo, meio escondido embaixo de tantas camadas.

Mas era exatamente da forma como eu havia deixado.

Tava lá, esperando que eu encontrasse.

E como fui nó-cega durante todo esse tempo.

Nem sabia que tava perdido até reencontrar. Sabe aquela famosa frase: Cê vai achar quando não estiver procurando’?

Então, é isso mesmo.

E eu lembrei.

Mas não foi tudo de uma vez não, tipo uma epifania.

Foi aos poucos, gradativo como um sonho que a gente vai recordando logo após acordar. E que precisa se esforçar para não despertar o suficiente até esquecer.

Ai eu lembrei.

Juntando os pedaços como se fosse um pequeno quebra-cabeças

Primeiro as peças mais fáceis no canto. As que a gente distingue sem problemas entre as outras.

Depois vieram as partes complicadas, aquele céu tudo igual, os pedacinhos de grama.

E tudo se formou novamente.

Foi uma foto primeiro, uma pequena recordação de tempos”antigos”.

Depois alguns textos, mensagens salvas.
O coração ficou quentinho, inundado com a nostalgia.
Até que, por fim, a onda me atingiu.
Uma música, Sentimentos poderosos.

E o retorno a mim. O encontro com o meu eu.

Porque ficar sem isso me tornou uma estranha durante certo tempo.

Mas agora. Eu LEMBREI.

De quem eu era, de quem eu sou. A minha essência. Que foi sugada pelo dementador da vida adulta em algum momento.

Daquilo que eu amo, o que me deixa animada, o que me inspira a levantar todo dia e fazer o melhor que eu posso.

A pessoa que eu sempre tive orgulho de ser e quem eu deveria cuidar e evoluir ao longo dos anos.

Mas ela ficou guardada tanto tempo. Tá empoeirada e meio tristonha.

Ela é ótima, e vai adorar conhecer esse novo mundo. E virar o Megazord da minha própria existência.

Só que agora eu lembrei, gente. E jamais esquecerei.

O ano da marmota

Lembro que, de súbito, tudo era novo e assustador. Ainda que as notícias já falassem sobre o assunto, era distante.

Havia a ideia MUITO equivocada de que estava distante da gente. Lá do outro lado do mundo.

Até que bateu à nossa porta.

E nós, os que puderam, trancaram essas portas. Mantiveram distância. E estamos assim, distantes, há mais de um ano.

Obrigados a deixar a convivência diária e nos afastar de muitos dos nossos humanos amados. Para certas pessoas, significando 365 sem abraços aguardando o dia de matar a saudade. Outros terão que conviver com a saudade para sempre.

Alguns de nós foram para a linha de frente para combater o inimigo invisivel. E nossa gratidão é eterna.

Outros ficaram em casa lutando da forma como podiam.

Tudo tão confuso, incerto e tenso.

Os espaços, pequenos ou grandes, nos aprisionaram de forma claustrofóbica.

O cotidiano foi virado de cabeça para baixo. Nos adaptamos, lidamos com as necessidades da nova realidade.

Choramos, sofremos, respiramos fundo e começamos novamente. Às vezes, tudo isso antes do almoço.

Isolados, lhados. Com pressão para seguir a produtividade ou para aumentá-la.

A saúde mental ficou em algum lugar entre março e ontem. Ainda está procurando as pecinhas por ai.

Alguns não estão mais entre nós. A ausência é sentida, dolorida. Com a despedida que nem todos conseguiram ter. Mas um amor que vai seguir sempre em nossos corações.

E, após um ciclo completo, as coisas parecem iguais, às vezes pior. Uma repetição daquele início. Medo, insegurança, incerteza.

A cada dia torcemos pelo melhor, desejamos uma cura e temos a esperança de não repetir os mesmos erros e problemas no que parece o ano da marmota.

Zero Foco

Perdi o fio da meada… de novo.

Aliás, estou tão longe do fio que eu nem sei se ele esteve aqui algum dia.

Olho para todos os lados tentando lembrar o que eu estava fazendo. O que eu devia ter feito. Ou o que eu fiz.

Já nem sei mais.

Sou um saquinho de confusão e falta de organização.

Perdida em um mar de prioridades que eu nunca soube priorizar.

Escondida em uma ideia de abraça o mundo, ter diversos projetos, mas nunca conseguir manter o plano.

Se a minha capacidade de disciplina e planejamento fosse uma bússola, acho que teria um imã gigante colado nela, fazendo com que a sua seta girar descontroladamente!

Impedindo o encontro com o Norte.

O lugar desejado. O destino.

Comecei se parei tantas vezes que estou incerta sobre o que coloquei no GPS mental.

Eram tantos sonhos, vontades e possibilidades.

Mas elas se perderam nos minutos preciosos encarando a parede. No vórtice de vídeos inúteis e tudo o que eu vi no lugar de minha tarefa inicial.

Minha Dory interior tá sempre esquecendo das coisas. Algum dia são mais fácies que os outros, mas é uma batalha constante.

Inclusive, eu tenha outro texto não hoje, lá que perdi o foco de comecei outro.