Vem cá, deitar comigo no chão #Resenha

Título/Autor: Vem cá, deitar comigo no chão, Erick Saraiva

Avaliação: Esticada no chão, revezando o olhar entre o gato e o teto.

Olá, pessoas!

Sabe aquela semana super corrida, que não dá tempo nem pra pensar direito, mas cê tá querendo ler alguma coisa e sentir que cumprir pelo menos uma missão de leitura? (as pequenas vitórias da vida!).

Então, esse livro é perfeito para esse momento. Curtinho, leve e fluído de ler.

Logo do começo, já me senti conectada pela experiência do autor com sua escrita. Sabe como é #UniãoPelasPalavras!

Entre seus versos, encontramos sentimentos e situações que todos vivemos. Podem ser aquelas vozes dentro da sua cabeça que ecoam todas as mensagens erradas para você, que ativam sua ansiedade e diminuem a sua autoestima, poemas de um amor que um dia já esteve bem, sobre os relacionamento que se desenvolveram lindamente… na sua cabeça.

Fala sobre pessoas que mudam, pessoas que crescem. Que descobrem a vida sendo mais do que só dinheiro, que ela é curta e deve ser aproveitada. Trata de amor, de estar apaixonado, dos relacionamentos que poderiam dar certo e daqueles que deram muito errado. Tristezas, alegrias e esperanças.

É sobre as preocupações da vida adulta. Sobre perder aquele arquivo do computador, os medos, os sonhos…

Cada página traz algo, nem que seja uma linhazinha só que você pode olhar de dizer em voz alta “essaí sou euzinha!”.

Adoro quando eu me encontro na leitura, ainda mais em períodos de tão necessárias distração mental frente a tanta coisa rodando na cabeça. Esse livro, com certeza foi uma das melhores coisas que eu pude encontrar para aliviar a confusão da semana.

Alguém aí já leu? Conta o que achou nos comentários!

Até a próxima! =]

Papéis Invertidos

A vida é mesmo uma caixinha de surpresa, como já dizia aquela esquete de comédia.

Uma baita ironia, na verdade. E sabe porquê?

Antes eram eles que ficava preocupados o tempo inteiro.

Agora, sou eu quem não consegue deixar a mente se acalmar um só segundo.

Se não atendem o telefone, já estou prestes a chamar todos os socorristas e helicópteros de emissoras para encontrar os “véinhos’ perdidos.

Reclamo das desculpas por não terem carregado o celular, levado ao sair. Por terem gasto todos os dados móveis em vídeos do Zap ou vendo qualquer tranqueira na internet.

Quero saber se estão bem cobertos no frio, se não esqueceram de levar “o casaquinho” e nada de tomar FRIAGEM!

Se tomaram a vitamina C ou aproveitaram a vitamina D dos dias ensolarados…

Estão jantando ou só comendo qualquer besteira no café da tarde ou à noite. Insistindo que é necessário se alimentar direito.

Quero saber aonde vão, com quem estão socializando, se estão sentindo algum sintoma esquisito, o que é aquela dor no dedão ou porque não me avisaram desse batimento que está descompassado? Os exames estão em dia? Foram ao médico?

Fecharam as portas, falaram com estranhos, deixaram a comida na geladeira, tomaram todos os remédios?

A distância dá saudade, aperta o coração, enche os olhos de lágrimas.

A proximidade enlouquece, traz conflitos de escolhas, teimosia, brigas com a tecnologia, risadas, comida em excesso e barulho na casa.

Depois de anos sendo a fonte principal fonte de cabelos brancos dos adultos, agora dividimos esse “fardo”, sofremos juntos, fazemos contas, discutimos e torcemos para ver, todo dia, aquele rosto da chamada de vídeo, ouvir a voz na ligação ou receber um bom dia e saber que tá tudo bem.

E que teremos mais tempo para nos preocuparmos uns com os outros, ainda mais agora que o jogo virou pra essa quadra aqui.

Como você quer ser lembrada(o)?

Temos vivido em um período em que lidamos, quase que diariamente, com o lembrete permanente de que a vida é um bem precioso e que tem uma duração que nenhum de nós sabe qual é.

Uma dádiva passageira. Que merece ser valorizada. E aproveitada da melhor forma possível.

Com essa questão em mente, não é possível deixar de pensar: como gostaria que as pessoas à minha volta lembrem da minha presença em suas vidas? Qual é o legado que desejo deixar nesse mundo compartilhado com tantas pessoas?

O que faria de diferente? Qual seria o caminho escolhido? Que mudanças faria para que o futuro trouxesse lembranças permanentemente boas?

Definitivamente, pensamentos de evolução pessoal surgem na mente. Poderia ser um ser vivo melhor, com mais amor distribuído, mais proatividade e empatia.

Se pudesse, gostaria de deixar como marca uma vida que trouxe sorrisos. Corações quentinhos de alegria.

Lembrada pelo amor semeado, os momentos compartilhados. As risadas, as amizades e relações de afeto.

Mas será que sempre conseguimos esse pensamento positivo? Todo dia é uma batalha. É complicado. E é uma tarefa que, com satisfação, aceito. Ser mais amável, menos egoísta e mais empática.

Para que, assim, possa deixar a trajetória de uma pessoa que viveu, errou, mas aprendeu com cada situação. Que já teve atitudes das quais não se orgulha, mas pôde crescer e evoluir. Tirar ideias antigas da sua vida e espalhar mensagens de um mundo melhor, amoroso.

E esse é o meu objetivo. Poder usar a minha experiência nesse mundo como algo que pode impactar positivamente, nem que seja uma só formiga dessa Terra. Não sei o quanto dessa tarefa será cumprida, mas vale a tentativa.

E você, como quer sem lembrada(a)?

Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com

Casa Cheia

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Consigo ouvir os primeiros sons vindos do quintal. O bom dia para os cachorros junto com algum tipo de resmungo sobre qualquer coisa simples.

Copos, itens para o café da manhã, a louça sendo lavada… começaram as atividades da casa.

Cada um tem seu horário, sua rotina. Nem sempre conseguem se ver.

Uns já precisam correr para trabalhar, jornada cedo. Café corrido. Uma bronca por não sentar para comer.

Portas abrem e fecham, assim como as torneiras. É um ecossistema que vive e funciona À sua maneira.

Tem bom dia longo, abraços, reclamações matinais. É o prelúdio para o novo dia.

Depois a programação segue normalmente. Trabalho, correria. Vida.

Longe por um tempo. Depois juntos. Depois longe. É a rotina. Ou era a rotina.

Quando unidos, risadas, falas altas.  Brigas, irritação.

Cantoria, piadas. Discussões.

Os milhares de animais fazendo a sinfonia, pedindo carinho, comida. atenção.

Resumindo: FAMÍLIA.

Panelas, máquinas, carros e televisão. Aquela série que um vê sempre. O jornal tenso que todos querem evitar. A rádio nossa de cada dia.

Já não é mais assim. A casa foi esvaziando. O distanciamento se tornou a nova realidade.

O endereço é o mesmo, mas os moradores, não.

Foi pensando em cuidados, em cuidar.

Separados, mas não isolados. Juntos, mas sem barulheira.

Não tem colher batendo na panela tão alto. Ou alguém chamando na escada.

A presença e o som fazem falta e a saudade ecoa no coração apertado. E o olho enche de lágrima.

Mas com uma chamada de vídeo aqui, uma visita segura ali (com altas doses de neurose). Tudo se alivia.

Depois volta ao novo normal.

E todo dia a gente pensa em como era quando a casa tava cheia.

Foto por Kelly Lacy em Pexels.com