Você me disse que aquele parecia o fim da estrada. Não havia mais como seguir.

Eu te disse que entendi, mas não precisávamos separar a equipe. Bastava tentar uma rota alternativa.

Você aceitou a premissa de um caminho que não terminasse como o plano original. Valia a tentativa.

Seguimos em frente, sabendo que chegaríamos a última parada eventualmente.

Eu aceitei e preferi acreditei que a companhia seria o bastante para suportar a longa viagem porque, depois de tanto tempo, a caminhada solitária era algo assustador para lidar.

Reconectamos o GPS e retornamos à estrada. Rimos, mudamos as estações de rádio, observamos os outros veículos.

Você falou que aquela era uma experiência única e que gostava de compartilhá-la comigo.

Eu sorri e deixei que conhecesse um pouco mais de mim, coisas que não havia  dividido antes pelo medo de não ser uma boa passageira na aventura.

Todas as curvas, os problemas em potencial, estresses que eu costumava ter ao ver alguém tomando o volante se aquietavam enquanto você ria e tirava o meu nervosismo com histórias engraçadas e ideias de novas jornadas.

Te deixei seguir as rotas traçadas em mapas que nunca soube ler.

Você se cansou e quis um tempo de silêncio.

Eu deixei a música tocar ao fundo e me embalei com o ritmo que parecia certo.

Você decidiu parar para abastecer enquanto eu comprava salgadinhos na loja de conveniência.

Demorei para escolher e percebi que, na verdade, eu não sabia do que você realmente gostava. Nem lembrava mais do que eu queria.

Vocẽ me olhou e entendeu a dúvida. Naqueles segundos, eu percebi, tinha acabado.

Fiquei para pagar e já sabia o cenário do lado de fora. Tinha certeza do que ia encontrar… ou não encontrar…

você.

Que seguiu viagem sem mim.

Nunca mais te vi. Você não voltou. Nem olhou para trás (ou se certificou de que eu ficaria bem).

Fiquei parada, sozinha. Pensando porquê não sai do carro antes? Se tinha valido a tentativa.

Foi arriscado, mas cheguei intacta ao destino. Pena que não era o mesmo que planejamos. Espero que tenha encontrado o seu também.

Não me arrependo da jornada, somente de como acabou.

Ainda busco a minha rota oficial, mas, enquanto isso, tô tentando aprender a ler os mapas sozinha.

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