Olá, tudo bem?

Como você tá? Faz tempo que a gente não se fala, né?

Sabe, esse não é o jeito maaaais normal de se fazer isso. Mas foi o que deu pra fazer.

Esse é um recado vindo da terra da nostalgia. Porque, às vezes, você esquece que eu tô aqui, ou simplesmente não ter coragem de me chamar.

Sabe, eu nunca fui embora. E você precisa conversar comigo com mais frequência.

Sei que não está fácil. Que você vive com medo das coisas que estão fora do controle. Pensa no futuro é treme como se fosse uma agulha gigante.

Eu também tinha isso. Lembra quando tirei sangue pela primeira vez e quase desmaiei? Ou da vez em que estava com o braço quebrado, na hora de tirar o gesso achou que o médico ia te serrar ao meio?

Tudo pareceu pior na imaginação. Todo mundo fala que a mente tá cheia de minhoca criativa, né?

E é  normal quando a gente num sabe o que vai acontecer.

Aí o tempo passa, vem novas experiências, outros medos que a gente supera que nem a serra de braço em dia de tirar o gesso.

Só que não foi assim, não é? Você ainda tá com medo das suas novas serras e agulhas. Te conheço, não adianta nem mentir.

Tudo assusta. E tá tudo bem, não dá para acordar a pessoa mais corajosa de um dia para o outro. Não somos personagens dentro daqueles livros que a gente adora.

Das aventuras em um país maravilhoso com gatos, lagartas, colhos apressados, rainha e chapeleiro. Da mágica de um garoto que foi chamado para m castelo.

Sei que a carta de Hogwarts nunca chegou e nenhum buraco te levou pra um novo mundo, mas isso não significa que tá sem aventura na vida. Ou que terá se tentar pelo menos.

Vai ser difícil e a cada dia piora. Fica em dúvida, num sabe o que fazer ou quem é,  lá no fundo. E esqueceu de mim, de como era na infância.

A criança sem a menor vergomha de dançar as músicas do momento. Rir, fazer coisas que alguns acham esquisito. Que corre quando faz algo errado, fugindo de uma bronca e aguentando as consequências (como o braço quebrado)

Na hora, pareceu horrível. Depois, foi até engraçado.

Lembra de mim? De você… ou melhor, a gente? As mesmas pessoas separadas por uns aninhos?

Aquelas histórias inventadas. Pegando qualquer material na mesa da mãe para criar personagens? Entretida por horas? Por que deixou essa parte escondida aqui comigo?

Cê tem muito medo, muito mesmo. Eu consigo ver e sentir. Depois de perdas, tristezas, arrependimentos. Maaaas, cê tá se escondendo que nem numa brincadeira. Só que já acabou o recreio.

Tá tudo sério e você sente que ainda é a criança que não entendeu o jogo.

Ou que todo mundo voltou para a sala e cê ficou trancada. Ainda precisa emprestar algo para que falem com você ou te liguem depois da aula. Ou, como vejo agora, simplesmente não fala para não descobrirem que você nem é tão legal assim, não tem histórias fora aquelas da sua cabeça.

E fica sozinha,  esperando alguém te encontrar. Só que está fora da área de jogo. Ninguém vai chegar até aí.

Pode parecer que eu não sei do que tô falando, sou somente a sua criança interior. Aquela que você não quer ver porque acha que decepcionou. Mas os adultos são especiais. São crianças que cresceram e agora fazem as coisas sozinhos.

Sempre te acharei genial E eu vejo tudo e estou com você a cada momento. Posso não entender todos os sentimentos e decisões. Mas eu me orgulho. Eu e todas as suas versões que estão aqui dentro. Nós nunca vamos embora. Somos uma só e várias ao mesmo tempo (é uma bagunça).  Você de ontem e de amanhã. Todas estarão juntas aqui dentro.

Pode parecer estranho e impossível de entender, mas só atrapalham aquelas que ficam gritando coisas horríveis na sua cabeça. Acho que devia mandar essas embora. Elas não são legais. Sério. Ninguém quer sentar com elas na hora do lanche porque ficam julgando e fazem as outras chorarem.

Muita coisa que a gente sonhou não aconteceu, né? E cê acha que por isso todo mundo aqui gosta menos de você. Mas cê num sabe que isso não. A gente te quer feliz e não assim…

Querendo correr, mas paralisada  que nem nos sonhos que a gente tá fugindo de alguma coisa estranha, sabe?

E a gente sente a dor, dos seus pensamentos. a eu adolescente diz que é presão e angústia. Ela não quis vir aqui. Sabe como ficou presa naquele mundinho online nessa idade? Cê tá lá em fóruns de fãs e fotologs de histórias até agora. Boa sorte.

Cê não quer ver o futuro. Ter a ideia de que algum dia pode ser o último pra muita coisa. Tipo último dia de aula, que a gente não sabe se vai falar com as amigas de novo depois que mudar de ano, se vai encontrar de novo depois das férias? Só que cê sente isso com as pessoas que ama. De ser o último dia de aula delas e num dar tempo de dizer que vai sentir saudade ou que espera que tenham um ano legal mesmo que seja em outra sala bem longe.

Você chora muito, só que faz isso longe das pessoas que gosta. Não quer deixar ninguém preocupado. Mas fica ainda mais ansiosa (isso foi o que a adolescente disse). Não sei como pode ser ruim já que a gente ficava ansiosa o tempo todo. Para ir no passeio da escola, pra ganhar presente de aniversário.

Não posso ajudar com tanta coisa, mas posso te lembrar de quem era. De quem ainda é aqui dentro, nesse espaço que a gente divide com todas as outras “nós”.

Cê gosta de rir, de fazer os outros rirem e maias ainda de ouvir as risadas das pessoas. De abraçar e falar até com a porta. Difícil é te fazer parar de falar, como muitos adultos dizem, cê foi vacinada com ‘agulha de vitrola’ e fala demais. Não deixe que isso faça a sua voz ficar guardada só para a gente ouvir.

Cê adora imaginar coisas, ainda que seja falando sozinha ou com objetos largados pela casa. São histórias e personagens que merecem ganahr vida. Você não pode ter vergonha de mostrar para todo mundo, mesmo que pareça completamente esquisito. Isso torna tudo mais especial.

Você ama muitas pessoas e precisa falar em voz alta. Mais uma vez, ninguém além da gente tá ouvindo suas declarações. E eu tenho certeza que a adolescente tá com o fone alto demais para entender alguma coisa.

O medo tá sempre aí. Também faz parte de quem a gente é, mas não tem que ser do tipo que faz a gente se esconder ou fugir dos outros. Mas um aviso para não ter que parar no hospital com o braço quebrado de novo porque corremos em um lugar que não era (e a mãe disse pra não fazer isso)

Não sei quem te disse isso, mas você não é uma decepção. Não queremos que fique triste por aquilo que não deu certo. Queremos que vá atrás de coisas novas. Que viva novos sonhos. E que sejam tão grandiosos quanto os da infância. Quando tudo parecia possível. Até o impossível.

Cê não é velha demais pra nada. Para de bobeira!!

Assim como diz um dos nossos livros favoritos “Por fim, ela se perguntou como sua irmãzinha seria quando, com o passar do tempo, tivesse se tornado uma mulher adulta; e como conservaria, durante todos os seus anos de maturidade, o mesmo coração simples e adorável da infância”.

Não precisamos ficar para sempre no mundo das crianças, mas não esqueça daquela que vive em você! Que tem as maiores asas para voar por aí, a imaginação cheia de invenções e o coração mais leve.

Aproveita esse Dia das Crianças para relembrar dos 12 mesmo depois dos 30. E, quem sabe, no futuro, você não me visita com ótimos conselhos e histórias? Seja feliz. Te amo.

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