Enquanto andava pela rua, paramentada com todos os tipos de proteção, seguindo as regras de segurança necessária para as saídas essenciais, acompanhada pelo pânico normal da falta de paredes me separando do mundo perigoso, vi de relance uma pessoa.

Poderia ser qualquer um.

Alguém que também precisou largar a residência para resolver uma urgência. De mercado, de trabalho, da vida.

Poderia ser mesmo qualquer um.

Mas parecia você. Alguém que eu não vejo a tanto tempo. Cuja lembrança só me traz saudade, nostalgia e um pouco de tristeza.

Você, que um dia me disse que se afastaria, pelo próprio bem, para proteger um órgão vital que esteva afetado pela nossa proximidade.

E eu não pude fazer nada, fora acatar a decisão, ainda que em desacordo.

Não queria a distância, nem perder a conversa do dia a dia. Os gostos em comum, as ironias compartilhadas e os risos de nervoso.

Mas não éramos mais compatíveis. O caminho que você queria ir, eu não poderia acompanhar. Não andávamos no mesmo ritmo, a minha trajetória era outra.

Vi todo aquele tempo em que estivemos lado a lado, compartilhado ideias, teorias, memes.

E lembrei da última mensagem que trocamos. De como era difícil fazer aquilo, mas necessário. O mal que precisava sair pela raiz, ainda que não fosse uma maldade, só um sentimento não correspondido.

De relance, parecia tanto você. A mesma cara, o sorriso e a postura. Foi tão rápido que não sei se minha mente montou o quebra-cabeça da sua imagem na minha memória ou se o destino decidou fazer essa “pegadinha” com a gente.

Naquele segundo, o micro instante de olhares cruzados, se não era você, devia ser alguém muito parecido, mas sabe como a minha visão sempre me fez passar vergonha, né? Mas sei que, ainda que não fosse você, em algum lugar nesse mundão, cê sentiu algo.

Aquela faísca de um vínculo desmantelado como uma corda se desfazendo, na qual só um fio sobrou conectando as pontas.

O cruzamento das miradas teve um poder de ativar você na minha mente como um interruptor liga uma luz.

E, nessa hora, eu espero que não sinta algo negativo, lembrando do que não temos mais. Torço para que, em algum lugar, a nostalgia reconfortante das boas lembranças te dê um abraço quentinho.

Porque vou te guardar no coração para sempre. E, mesmo que estejamos fadados a simples olhares cruzados no meio do caminho, que eles sejam cheios de bons sentimentos.

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