Um dia eu decidi que não queria mais seguir a vida da mesma forma de sempre. Eu estava cansada de todas as repetições daquela rotina de trabalho-casa. Ou, em alguns casos casa-casa. (Isolamento necessário. Fiquem seguros)

Respirei fundo depois de choras muito e pensei no que poderia fazer. Selecionei o que gostava, pesquisei.

Percebi que depois de tanto tempo sem me desafiar a sair da zona de conforto, deixando de buscar desafios, aprender coisas novas ou realmente investir em algo que estivesse além do padrão, eu já não sabia mais o que queria.

Não me conhecia profissionalmente. Estava presa a uma eterna vida de repetições. De insatisfação.

Com o tempo, o medo havia se tornado o principal fator, acompanhado de agravantes como idade, estabilidade, gastos fixos da vida adulta.

Nunca tive o momento de jogar tudo pro alto, começar de novo. Arrancar as páginas anteriores e iniciar um novo capítulo. Desapegando daquele tempo que foi investido anteriormente.

Tudo bem, não estava tudo perdido. Aquelas horas eu não reaveria, mas foram etapas importantes para me levarem até onde eu estava naquele momento.

Cada centímetro para a frente era uma vitória. O quase passo dado em direção à mudança.

Desde o dia em tomei a decisão, vivo com ela martelando a minha cabeça.

Infelizmente, essa não é a história de como alguém chega lá, mas de como alguém vive quando quer chegar até um lugar que não sabe aonde é, mas o seu aqui já não satisfaz mais.

Diariamente, sentimentos se amontoam na cabeça e no coração. Pedindo para que tente, que mude, que mexa alguns centímetros de novo.

Existem momentos em que a necessidade de me movimentar e mudar é tão grande que chega a ser paralisadora. Faz sentido? Querer tanto que algo saia daquele marasmo, mas, com isso, travar ainda mais?

Outras vezes, é como estar em areia movediça. Quanto mais movimento, mais me afundo.

E nessa hora, eu escrevo.

Escrevo porque não consigo sair do lugar, mas, ainda que parada fisicamente, as palavras saem por aí, Voam por mim enquanto não consigo abrir as minhas asas.

Escrevo porque sei que mais gente tá assim. Para dizer que não estão sozinhas e que é difícil, mas não impossível.

Escrevo porque a cada parágrafo, estou um centímetro mais distante dos monstros que me pressionam a agir

Também escrevo para me enganar, acreditando que isso é tudo o que posso fazer.

Nesse processo de barganha entre as minhas emoções, eu sigo aqui, digitando e digitando. Até que aquele dia em que eu decidi mudar receba sua continuação, com a efetiva mudança.

Mas esse vai ser outro dia…

Foto por Alexas Fotos em Pexels.com

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